— Quer factura?


jmmcc,

 

Há poucos meses, no Porto, acompanhei um amigo a uma repartição de Finanças, onde aguardámos até podermos chegar ao balcão e ele perguntar que procedimentos devia tomar para qualquer coisa de que não me lembro e não vem ao caso.

O funcionário, de meia idade e com bom ar, prestou-lhe as informações devidas e confrontou-o com a necessidade de preencher e entregar em determinado prazo uma porção de impressos. O meu amigo pediu esses impressos todos, o funcionário fez uma conta breve e disse-lhe quanto tinha de pagar.

Já com os impressos na mão e enquanto aguardava o troco, o meu amigo foi também pedindo uma factura da despesa que estava a fazer.

— Quer que lhe passe factura? – perguntou escusadamente o funcionário, com espanto indisfarçado e impaciência contida.

Não creio que fosse preciso repetir, mas o meu amigo confirmou que queria que lhe passassem uma factura.

Uma vez na posse dos impressos e mais a factura, deixámos o balcão e dirigimo-nos para a porta da rua. Foi quando vi, colado ao vidro da parte de dentro e escrito em parangonas, com todas as letras maiúsculas e em quatro linhas: «Peça a factura se faz favor. Facturar faz o País avançar.» Deu para entender por que é que o País não avança.

12 comentários em “— Quer factura?”

  1. Meu caro,
    No que depender de mim – para quem acabou a possibilidade de efectuar deduções à coleta no IRS, nomeadamente com saúde e educação de filhos menores – não preciso de facturas para nada.
    Aliás, já vários tecnicos qualificados (médicos) e não qualificados (o electricista que lá foi a casa reparar uma tomada que apanhor humidade em virtude de chover na sala e o senhorio não fazer obras, apesar da renda que pago – me indicaram preços diferentes com e sem factura/recibo.
    Como sou eu que pago – e não o Dr. Vítor Gaspar ou o PM – aceitei pagar o preço mais baixo.
    Advinhe qual era…
    Eu ajudo: não era o da factura.
    Vou dizer-lhe mais: estou a pensar contratar com a pastelaria onde almoço o menu diário de 3,75€ a possibilidade de não emitirem a factura, desde que me mantenham o preço do almoço.
    Se as contas públicas se ressentirem, tenho pena.
    Mas elas não parecem ter pena dos ressentimentos das medidas do governo no meu estomago e no dos meus filhos.
    Pudera eu emigrar…!
    Mas já não sou jovem! Impedimento, segundo o tal Mestre Secretário!
    P—a de vida!
    Má sorte ter nascido Português!

  2. – Quer factura?
    – Sim, por favor, como está na montra, aliás.
    – Peço desculpa, mas já não temos dessas que o senhor quer. Actualmente já só temos faturas.
    – Bom, dê-me lá então uma das que tiver, homem!
    – Bem,…mas são mais caras, devo avisá-lo…
    – Mais caras? Então porquê?
    – Sabe como é, são os custos do acordo ortográfico… dantes pagavam a taxa intermédia de 13% e agora, sem o ‘c’, pagam 23…
    – Pois, meu caro senhor, garanto-lhe que isto não fica assim e que vou processar a Fazenda por estar a fazer publicidade enganosa a um producto que já não existe! E digo-lhe mais: vou escrever diretamente ao Victor para ele ficar a saber bem quantas letras são precisas para fazer o país avanssar.

  3. Pois a mim aconteceu-me em Lisboa, numa empresa reputadíssima de psicotécnicos para jovens – e respectivos pais – baralhados com as opções escolares do futuro: – Quanto é? – Com factura ou sem factura? – Como? – Com factura, 400. Sem factura, 250.
    – Bah… pois… deixe ver…. (grrrr, vontade de matar o homem). Sem factura! Claro, foi há uns anos, ainda deduzia no IRS.
    Portanto, nada de bocas: não foi num consultório médico, foi ali numa transversal perto da Estefânia dedicada a outros serviços.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *