Christine Lagarde, num discurso no Conselho Alemão de Relações Externas em Berlim, criticou esta segunda-feira “uma tendência preocupante em diversos meios – de verem a política orçamental como um jogo de moralismo entre liberalidade e responsabilidade”.
Analisou a situação na zona euro, considerada o epicentro dos problemas, e salientou “que estava nas mãos dos políticos evitar um momento do tipo dos anos 1930.
O que temos todos de compreender é que este é um momento de definição. Não se trata de salvar este país ou região. Trata-se de salvar o mundo de uma espiral económica descendente. Podemos evitar um tal cenário. Digo-o por uma razão simples: sabemos o que tem de ser feito.
Terminou citando o poeta alemão Goethe: “Não basta saber, tem de se aplicar. Não basta querer, tem de se fazer”.
As perguntas são: mas quem faz? E porque se não faz?

A Cristina diz que “sabemos o que tem de ser feito”, mas não me parece que isso seja realmente verdade.
Eu diria (por aquilo que leio sobre o assunto) que diversas pessoas têm diversos palpites sobre o que tem que ser feito, mas ninguém tem, de facto, a certeza de que essas ideias vão resolver o problema.
E como colocar em prática cada uma dessas ideias tem graves custos, as pessoas, não tendo a certeza de que o problema seria resolvido, preferem nada fazer.
É verdade. Mas já que a senhora sabe o que deve fazer-se porque é que não faz mais?!
Não se faz porque a Grécia tem de falir primeiro.
Mesmo que lhes perdoassem 100% da dívida externa ficavam com um défice de cerca de 6%, ou seja é estrutural, quando se deixa cair o poder na rua as coisas acabam sempre em miséria, e disso a Grécia não se safa.
Os Gregos não abdicam daquilo que conquistaram à conta do crédito dos outros, e a Europa não vai viver agarrada a um cancro…
Só peca por tardia a decisão, nesse ponto o Coelho até tem estado bem, cumprindo as ordens da voz do dono; onde está mal o Coelho é na parte corporativista da coisa; pois é, o eterno socialismo agora na sua versão laranja; privatizar a RTP, TAP, CP, etc., etc. que são férteis em prejuízos, greves, jobs for the boys e conflito laboral… Quanto aos impostos, também é sempre a aumentar para sustentar o tal estado gordo ! Lá ficou o liberalismo na gaveta.
A economia que não cresça em Portugal no pós queda da Grécia e vai ver como não ficamos fora do Euro !
Hoje tenho poucas dúvidas que para março/abril, a Grécia não seja obrigada a sair do euro.
«sabemos o que tem de ser feito», diz ela.
Haja Deus, temos uma illuninati.
«tem de se aplicar…tem de se fazer»
É o que estão a fazer os chineses.
Não tarda, ainda é contratada pela China.
“sabemos o que tem de ser feito” – sabemos? Quem sabe? Eu a julgar que ninguém sabia. É que não se nota, realmente!
Lendo os bitaites da Sra. Lagarde recordei-me de outra de Goethe: “quem não sabe prestar contas de três milénios, permanece nas trevas ignorante e vive o dia que passa”. Não sei porquê, mas veio-me à mente…
:))
A senhora Lagarde quer as impressoras a funcionar ainda mais do que já funcionam.
Ou seja quer exportar ainda mais os custos para a economia livre.
A típica receita da esquerda e direita socialista.
O pior é que a classe política-jornalista que vem destruindo economia livre há anos consciente ou inconsciente, não tem a noção de há quanto está na corda bamba.
Algo me anda a preocupar mais do que o resto: é que me parece que andamos a imprimir euros a mais…
Não percebo, juro que não percebo: o problema está identificado e é europeu, não de cada país (embora cada país tenha de fazer bem os seus trabalhos de casa). Sabe-se, pelo menos, que a Europa tem de reagrupar-se e entender-se se quiser ser viável como uma união de Estados soberanos – ou, enfim, tão soberanos quanto possível. Mas na prática o que se vê é uma cada vez maior desunião, com clivagens insanáveis entre os países ricos e poderosos e os outros, os “europeus de segunda”, estrangulados por dívidas que não vão conseguir pagar. Porquê?
E ainda há países que querem muito pertencer a este saco de gatos em que a Europa se tornou. Se não fosse trágico, seria caso para rir.
Lembra-se da Grécia de AC?
E de como acabou?
Houvesse uma ameaça militar, ainda se entendiam. Tirando isso, cada cidade-estado por si.
Quanto aos «estrangulados por dívidas que não vão conseguir pagar», tivessem tido juízo, feito menos asneiras caras.
Do Euro 2004 à Madeira, uma sucessão de ‘crimes económicos’ para pagar.
Pois, a Europa nunca se entendeu. Isso é um facto. Nem sequer perante uma ameaça externa – e ela existe! – os países se unem, tal como não o fizeram as cidades-estado da Grécia antiga.
Quanto às dívidas, meu caro, não adianta chorar sobre leite derramado nem apontar culpas. As asneiras foram feitas e as consequências estão à vista. Agora, só resta pagar por essas asneiras e tentar seguir em frente, malgré tout. E, se possível, não repeti-las.
«não apontar culpas»,
bom princípio para que tudo fique na mesma.
E que a crença na democracia vá crescendo.
Há uma séria oportunidade de não repetir as asneiras: não haver dinheiro fácil.
Concordo consigo. Mas parece que é difícil…
Errado, Monti: ficar eternamente a apontar culpas é que não muda nada, porque significa andar em círculos sem qualquer eficácia nos resultados. Claro que há culpados, mas a lista é longa. E os tempos são de arregaçar as mangas e fazer alguma coisa mais do que apontar o dedo ao antecessor.
Os EUA até agradecem que a Europa se enterre. Não dizem. Mas não fazem nada para o evitar e até dão um empurrãozinho…
Claro. E nem precisam de se mexer, a Europa trata muito bem disso sozinha.
Desculpem a intromissão da discussão e o meu comentário, provavelmente esquizofrénico que debitei abaixo: njM&feature=player_embedded
Uma explicação simples para a auto-destruição da europa passou pela liberalização da livre circulação de capitais (Tratado de Lisboa) que é, segundo um dos filhos da Helena, um ataque à soberania da zona euro, e responsável em parte pela especulação financeira:
http://www.youtube.com/watch?v=oUYulrYb
Para mim faz em parte sentido, em especial se olharmos cronologicamente para a escalada dos juros da dívida portuguesa no decorrer e no após negócio PT-Vivo e consequente compra da parcela da Oi, onde o nosso Primeiro de então usou a “golden share”.
Digam-me lá se não tem lógica? Se sim, agora resta saber quem é que andou/anda a especular por exemplo sobre a nossa dívida: Soros (o especulador reformado), Madoff (o especulador enjaulado) ou Murdock (dono do Wall Street Journal e de outros tantos)?
E continuam os pensamentos típicos da esquerda e direita mercantilista…
Aquela que nos dizia que os terceiro mundo iria ser sempre pobre explorado pelos malvados capitalistas.
20 anos depois do fim da guerra fria os pobres estão cada vez menos pobres, muitos até estão ricos.
Exemplo: Os 10 maiores Mercados da Chevrolet em 2011:
United States 1,775,812
Brazil 632,201
China 595,068
Russia 173,485
Mexico 162,461
Canada 150,540
Argentina 133,491
Uzbekistan 121,584
India 111,056
Colombia 105,783
Os EUA não agradecem nada que a Europa se enterre. Quanto pior estiver a Europa pior estará os EUA. Para começar a maioria das grandes empresas Americanas sofrem com o mal da Europa. Uma empresa quer vender para todo o lado e se algum lado passa mal então as empresas sofrem nas suas contas.
É o mesmo que um português dizer que quer a economia americana mal. É melhor que pense nas empresas portuguesas que dependem da exportações para a América.
Há quatro anos, todos sabiam o que tinha corrido mal mas ninguém sabia o que tinha de ser feito – à excepção de alguns políticos de esquerda e de alguns economistas neo-keynesianos. Hoje, muitos já se esqueceram do que correu mal – mas em compensação já todos sabem o que tem que ser feito. Até o FMI já entendeu. Só o BCE e as direitas europeias é que ainda não. Nem vão entender, porque não querem.
Ou não lhes convém…