Quando menos se espera, de qualquer lado, aparece sempre gente (há quem lhe chame gente) a desejar o pior aos outros. É um coisa verdadeiramente assustadora. Bem sei, ao contrário do que supunha Rousseau, que os homens não são todos bons, mas há quem pela perfídia consiga bater todos os recordes.
Diz-se por aí que Fernando Nobre, o incansável dirigente da AMI, seria um bom candidato presidencial e que seria o homem certo para enfrentar Manuel Alegre e Cavaco Silva nas eleições presidenciais.
Não sei que mal terá feito Fernando Nobre para lhe desejarem tal destino.
Tenho Fernando Nobre na conta de um homem profundamente bom, que não tem olhado a meios nem a esforços para fazer um trabalho notável de ajuda ao próximo, um homem que tem contribuído para que este mundo seja menos mau do que aquilo que na realidade é.
Encarei, por isso mesmo, como puro acto de malvadez que alguém pudesse desejar que Fernando Nobre fosse candidato presidencial. O trabalho que ele tem feito ao longo dos anos pela AMI e por Portugal seria razão mais do que suficiente para não lhe desejarem mal. Mas há sempre alguém que destoa, há sempre alguém que não pode ver nada a funcionar e que só se compraz na miséria.
Espero que Fernando Nobre tenha o bom senso de resistir e passar ao lado dessas provocações. É que os que terão agora avançado com o seu nome não o fizeram por mera graça ou partida carnavalesca. Eles contam com a sua boa fé. E são seguramente os mesmos que convenceram Mário Soares de que poderia voltar a exercer um terceiro mandato em Belém. O resultado foi o que se viu. E continua a ver-se em cada dia que passa. Dentro e fora de Belém.

Percebo o teu raciocínio mas neste caso não estou de acordo contigo, meu caro. Fernando Nobre tem revelado muito mérito à frente da AMI mas isso não invalida que pudesse ser também um bom Presidente da República. Bem sei que ter experiência política é um requisito importante. De qualquer modo, já vai sendo tempo – 34 anos depois do primeiro escrutínio presidencial em democracia – de haver candidatos que não emanem, directa ou indirectamente, dos aparelhos partidários.
Um abraço.
Pois.
Que tal Fernando Nobre aceitar e concorrer com uma das ideias que tem referido?
Acabar com as pornograficas desigualdades salariais que tem denunciado na TV. Veja-se o caso do rapaz do PS/Governo na PT, rendimento medio mensal de 100 mil euros.
Proclamar um caminho no sentido de vir a atingir-se um leque salarial razoavel. A tender para 10 para 1.
JB