O vocabulário político incluiu uma expressão curiosa: "empresas do regime". De cada vez que ouço o primeiro-ministro falar na importância das pequenas e médias empresas e nos apoios que está a pensar destinar-lhes, vem-me logo à cabeça um rol de "empresas do regime", que são as que não exportam, nem sequer produzem, mas são as maiores, com cotação na Bolsa e tudo. Vivem ricamente à custa do Estado, a desafiar o governo a lançar mais e mais obras públicas, que é o sector que as encanta e a que a política não resiste.
Por estes dias, que tanto se tem dito sobre a queda da economia do País e da ética dos políticos, volta-me de novo à ideia a mesma expressão, que me ocorre por confirmar o quanto descemos fundo. Qual é, afinal, a mais recente e tentacular "empresa do regime"? Uma sucateira, senhores. Coisa nunca antes vista: uma sucateira. Sintomático, não é?

Uma sucateira?, quem diria?! E eu a pensar que o que estava a dar mais agora eram as empresas da pesca ao ‘polvo’ e as das energias renováveis com especial incidência nas de captação de ‘sol’…
Uma sucateira é capaz de ser uma espécie escorregadia com tentáculos…
muito, mas mesmo muito bem visto
Se assim o diz, quem sou eu para desmenti-la. Hehe…
Excelente metáfora para este ciclo do regime. Um ciclo prestes a terminar. Oxalá o próximo se confunda menos com sucata.
E eu que nao posso falar sobre isto….
Falamos nós por ti, meu caro. Eheheheh.
(abraço)
Estás muito enigmático, Joaquim. E fugidio.
O valor do metal para…
I Parte
A sucata regimental
destes anos conturbados
mostra o valor do metal
para gestores babados.
Estes negócios sucateiros
são, de facto, sintomáticos
de jogadores batoteiros
e contornos esquemáticos.
II Parte
A impunidade visível
crava-se de benignidade
num desassombro tão risível
perante a comunidade.
Com o múnus violado
num festim prostituído
o móbil é revelado
como um bem corroído.
Sempre atento. É mesmo «a sucata regimental».
Sintomático, é verdade. Faz falta uma daquelas máquinas compressoras para reduzir a sucata a cubinhos inofensivos, para dar espaço a alguma coisa que não seja ferro velho…
Não vai ser fácil sair do ferro-velho, mas reduzi-lo a cubinhos já seria bom.