It has always seemed strange to me that things we admire in men — kindness and generosity, openness, honesty, understanding, and feeling — are the concomitants of failure in our system. And those traits we detest — sharpness, greed, acquisitiveness, meanness, egotism, and self-interest — are the traits of success.
And while men admire the quality of the first, they love the produce of the second.
(Steinbeck, «Cannery Row»)
Eis um paradoxo que se mantém.
– Irresolúvel?
Não me reconheço nele mas, em contrapartida, confirmo os seus efeitos.
– Como é possível que as qualidades que mais admiramos nas pessoas sejam as que sistematicamente desvalorizamos, quando chega a hora de escolher um destino para o país?
Grande Steinbeck: se há um escritor a reler neste momento da história, é ele mesmo, que escreveu em plena Grande Depressão.


Na mouche, Laura. Vivemos num mundo perverso. Os valores mais nobres são praticamente inconciliáveis com a sobrevivência diária.
Estava capaz de nem lhes chamar nobres, Ana, porque deviam ser plebeus ;-). Isto é: normais, ‘mainstream’, o que seja. Mas não deixa de ser interessante que se perca totalmente a ressonância entre esses ‘apreços’ e o que depois invade a cabeça das pessoas quando entram na cabine de voto… (a acreditar nas sondagens). – Que nome terá isso? Masoquismo?
Masoquismo, resistência à mudança, ignorância, indiferença… you name it.
Estou de acordo consigo, pois estou neste momento, a reler a Pérola!
Melhor do que ler, só mesmo reler. E é impressão minha… ou ultimamente andamos todos numa de só ler os europeus?
Penso o mesmo, Laura. E partilho dessa admiração pelo Steinbeck – grande romancista e grande cronista.
Um beijinho.
(Obrigada, Pedro).
E Steinbeck também teve o seu momento de jornalista…
Tem muita piada relê-lo quando estamos nos “-enta”, parece-nos um outro autor.