… partir sem data de volta, para uma outra banda, onde nem a maresia chegasse, quanto mais saber-te ao fundo. que seria, sem água que lave as poeiras, nem leito que espelhe as luas. sem o eco do cais nos sentidos.
réstia tua, desconsolo. sombra desta nossa vida. tempo que foste metade de mim à espera da mais muda noite, louvando em silêncio a mesma oração. e a ânsia do dia, essa ânsia do dia, sempre promessa, sempre canção. sobe, desce, rua, rio.
fosse e subir-te-ia as marés em lágrimas. e para me não ver ausente da luz que te faz em tela, bem firmes, fechar-me-ia os olhos, e meu braço, se acenasse, era a súplica em pessoa: deita-me uma amarra, cidade, segura-me a ti, Lisboa.


Bela declaração de amor a Lisboa, Gui, belo texto. Adorei.
Bem-vinda 🙂
Obrigada, Leonor 🙂
estava em experiências, já vi que me ajeito.
à vossa!
Sublime!
sublime é o nick de V. Exa.
^_^
grata !
Roubei-lhe a angústia que palmilhei pela Baixa de Lisboa no Sábado com a mala de cartão quase aviada.
ahh, Tex-Tex … sei.
Saudades de ti, mesmo que em ti esteja, ó sorte maldita. Inveja raivosa de dias passados, das ocasiões que te palmilhei. Nem sei se enruguei à conta de ti, traquina.
Mas, não se vai embora, pois não?
espero que não, José Moura, espero que não …
Ora bem. Então seja muito bem-vinda!
Obrigada, Colega 😉
É uma honra sentar-me à vossa mesa!
E não é que a menina Gui entrou por aqui dentro com a artilharia toda, já tu-cá-tu-lá com o Sapo e seus truques, e eu ainda nem lhe dei as boas-vindas? Tá mal, tá mal.
Bem-vinda ao barco, miúda! Com muitos textos destes, pois claro, como só tu sabes escrever. E Lisboa é um belo começo. 🙂
Lisboa é uma bela muleta. obrigada, Madrinha dos Delitos e das Opiniões. tá mal é não te ter cumprimentado.
Ajeitei-me, c/ amparo do Pedro Neves, claro 🙂
A menina deixa-me constrangido de duas formas; a primeira não posso revelar, a segunda é a seguinte: O seu texto é maravilhoso, mas a foto do cais das colunas, empertigadas sobre o mar (rio), que teima em submergir os pilares de atracagem, ou partida, deixa-me cá uma nostalgia que nem lhe passa pela cabeça.
É a nostalgia do meu querido bacalhau. Como sabe, este peixe é de águas profundas, e a nossa tradição apresenta travessas confeccionadas de mil e uma maneiras.
Mas esta gente ideológicamente cruel também quer acabar com a tradição.
Sabe, é tal a crise que um gajo já não pode cheirar esta iguaria. Todavia, verdade seja dita, no nosso Portugal eu ainda vou vendo umas boas lascas; só que elas, as lascas, em nada me tiram a nostalgia, porque para chegar a elas só com algum têmpero (fricciono agora o dedo indicador e polegar da mesma mão). Têmpero este que agora me falta, por força das circunstâncias.
Contudo, a crise não me derruba a voz. E eu vou cantar ao mundo o quanto amo o bacalao, ou as lascas (como queiram). Pode ser que a expressão de meu amor faça com que algum peixinho destes, comovido com a minha prostração, me salte para o colo.
Aqui vai:
http://www.youtube.com/watch?feature=rel mfu&hl=en&hl=en&v=RnZp8i-tHJ8
Seja bem-vinda a esta comunidade de comentadores e de comentadores de comentadores.
saudades de bacalhau. também as tenho e raro o vejo à minha mesa 🙂
mas constrangido não o queria deixar, anónimo.
Ó alma bendita, que cumulais este pobre marinheiro pelos sete mares andarilho de tão preciosa e carinhosa atenção.
estou até em falta com V. Exa. Anónima, que entre constrangimentos, velados e revelados, me deu efusivas boas vindas e não agradeci.
Faça o favor de receber o meu sentido apreço e de ter um dia … sem espinhas 🙂
Já informei que minha vocação é para as lascas, assim regresse o têmpero. Mas também informo que na realidade sou anónimo e não anónima. De onde lhe veio tal ideia? Obrigado, deixarei as espinhas para o gato.
“De seus tormentos cercado;
À funda estância do fado
o vôo havia abatido,
E ambos tinham resolvido
Que eu fôsse enfim desgraçado.
Êsse, que os primeiros ais
Vai sofrer triste, e choroso,
Seja à fortuna odioso,
Seja prezado aos Mortais.
Dos mimos de amor jamais
Desfrute a consolação;
Ame, porém ame em vão
Isto no horrendo volume
Escreveu do Fado a mão”.
(Bocage)
Anónima em concordância com a V. Exa.. Mas para quem assim se apresenta, convenhamos, é (-nos) indiferente.
que beleza, esse mentiroso do Bocage.
Mas que belo grito de amor!
🙂 as cidades também nos embalam.
obrigada, HSC
Belíssimas palavras que formam esta amarra ao Tejo.
sentida vénia, senhor
Muitíssimo bem-vinda e logo com um belíssimo texto.
Ivone: muitíssimo lisonjeada me sinto. E gratíssima! Nestes superlativos, conto-lhe o que ouvi de uma boca com 4 anos de idade e sem sapatos, à entrada da Praia do Abano: – Esta praia tem pedríssimas!