
A estupidez do governo de Madrid deu o resultado que se esperava. Hoje a Catalunha foi declarada uma república independente pelo parlamento catalão. Os deputados defensores da manutenção da ligação a Espanha nem sequer foram capazes de defender a sua posição no parlamento, indo-se embora e deixando umas bandeiras espanholas nas cadeiras, talvez a julgar que as bandeiras se defendem sozinhas. Mas a independência foi proclamada e grande parte dos municípios da Catalunha já arriaram as bandeiras de Espanha, como este de Sabadell. Os opositores à independência continuam a defender que a maioria dos catalães quer permanecer ligada a Espanha, mas proíbem a simples realização de um referendo para o demonstrar, ao contrário do que o governo de Londres inteligentemente fez com a Escócia, que em consequência pelo menos nas próximas décadas continuará a ser parte do Reino Unido.
O povo catalão festeja por isso hoje em euforia nas ruas a independência recém-proclamada. Claro que Madrid vai reagir à força, invocando um vago art. 155 da Constituição Espanhola para destituir o governo, limitar os poderes do parlamento eleito, controlar a comunicação social, e efectuar uma série de prisões. Para isto tem o apoio da União Europeia, tão lesta a condenar as derivas autoritárias nos países do leste europeu, mas que pelos vistos não se importa nada com a repressão de um povo no oeste da Europa. Até pode ser que essa repressão tenha sucesso, mas isso não demoveu os representantes catalães de hoje proclamar a sua independência. Não são a fuga de empresas, a repressão ou as prisões que impedem um povo de lutar pela sua liberdade e essa liberdada não se pára com ameaças. Aquando da rebelião húngara de 1956, houve claros avisos de que as consequências seriam as de uma invasão soviética, como se veio a verificar. Mas os manifestantes respondiam com a canção de Doris Day, Que será, será, aceitando as consequências da sua decisão, e décadas depois são homenageados e reconhecidos como heróis. Se a Catalunha consegue conservar a independência hoje proclamada ou se Madrid vence com o seu art. 155 é uma questão para depois. Hoje é motivo de festejo para os catalães. Amanhã, o que será, será.

“O povo catalão festeja por isso hoje em euforia nas ruas a independência recém-proclamada”
o povo!!?? metade desse povo…ou menos!!!…ha verdade, quem não defende as ideologias dos trogloditas independentistas não tem direito a pertencer ao povo catalão…prisão para esses trogloditas que querem colocar a Península Ibérica num caos!!! vai brincar para outro lado…
Defende assim a prisão para metade do povo catalão, segundo as suas contas. Elucidativo.
não…basta só os seus dirigentes politicos!!! sim tambem é elucidativo ” o povo catalão festeja (…)”…você esqueceu-se da outra metade ou não reconhece à outra metade o estatuto de pertencerem ao povo catalão por estes não partilharem as ideias trogloditas dos independentistas ?
Meu caro Luís, “Que será, será” constituiu a base de toda a estratégia orçamental e de gestão da coisa pública do então Primeiro-Ministro José Sócrates. Correu muito bem.
Para ele, sem dúvida.
ainda irão pedir para regressar
porque
‘a miséria não tem lei’
como se pode ver no rectângulo, onde se assaltam ATM com metralhadora
Não percebo do assunto Catalunha, nem tenho que perceber pois não sou Catalão, mas declarar a independência na hora da sesta não me parece grande coisa…
A siesta é uma tradição espanhola, não propriamente catalã.
Sr LM Leitão,
España tem uma lei fundamental que foi votada em três ocasiões referendárias por todas as nações de que é composta. Foi aceite por uns 70% dessas pessoas. Incluindo os que viviam na Catalunha.
Tem sido essa lei que tem mantido a España unida. Se querem lixar tudo, que se lixem. Os que vivem em Portugal é que não têm nada com eles.
Cumprimenta
Poderá Madrid ter o apoio da UE até fazerem asneira e as asneiras da força bruta começarem a circular pelas redes sociais e televisões. Depois todos sabemos o que sucederá. A opinião pública tomará partido pelos “oprimidos catalães ” e com ela finalmente os governos nacionais irão abandonar o governo centralista de Madrid.
Pior que a estratégia diplomática seguida por Rajoy só aquela adoptada por Filipe II e a Invencível Armada e a do Duque de Alva nos Países Baixos. Esta malta não aprende.
O paralelo com os húngaro é péssimo, Luís. A insurreição húngara acabou esmagada pelos blindados soviéticos, com milhares de mortos e feridos, após duas semanas de esperança à solta nas ruas.
Além disso é despropositado. O estado soviético era um regime totalitário, nada a ver com a democracia espanhola.
Enquanto os separatistas cantarolam o hino e desfraldam a bandeira, as empresas continuam a votar com os pés. Em menos de um mês, já mais de 1500 transferiram a sede social para fora da Catalunha. Estas empresas representam 30% do emprego no território. 171026/432362592494/1500-empresas-30-emp leo-catalunya-juan-rosell-sede-social.ht ml
http://www.lavanguardia.com/economia/20
É mau paralelo por outra razão: os húngaros sabiam o que arriscavam (o mesmo com os checoslovacos e os polacos) e aceitavam-no. Os catalães não fazem ideia do que querem (fora essa ideia nebulosa de “independência”) nem fazem ideia daquilo que estão dispostos a sacrificar para o atingir (aliás, julgam que nada têm que sacrificar).O parlamento catalão votou de forma secreta para evitar consequências específicas aos deputados. Puigdemont escuda-se no parlamento e tem esperanças que os funcionários públicos se recusem a cumprir ordens. 800 pesosas terão sido feridas ligeiramente e consideram isso equivalente ao que outros países (vi o ridículo paralelo com a Índia mais que uma vez) sofreram.Em resumo: quem cantou “que será, será” sabia o que seria: prisão, espancamento, morte, tortura, exílio. E aceitavam-no. Os catalães independentistas, e especialmente os seus líderes, não arriscam nada. Não sei o que estes meses trarão, mas não trarão nenhuma independência. ninguém está disposta a sacrifícios para tal.
“O parlamento catalão votou de forma secreta para evitar consequências específicas aos deputados.”
Seria sensato presumir essa perspetiva como abonatória para Madrid?
Das 900 autarquias catalãs, 700 são pro- independência. E ainda ousa dizer !!!??
“Os catalães não fazem ideia do que querem”
Os deputados catalães infringiram a lei do país onde vivem. Quem comete crimes tem medo. V. escreve como se a Catalunha fosse um estado independente ocupado por Madrid. Não é.
Onde foi buscar essa das 700 autarquias em 900 a favor da independência? O máximo do eleitorado que em sondagens se manifestou a favor da independência foi 47% (estudos do próprio governo catalão). Talvez 700 alcaides sejam a favor da independência mas isso não torna os habitantes automaticamente também favoráveis à mesma.
Seja como for o meu comentário sobre não saber o que querem refere-se ao que se passará numa Catalunha independente. Presidencial? Semi-presidencial? Parlamentar? Monarquia (tanto quanto sei nunca houve essa discussão)? Moeda, exército, tipo de justiça, etc… nada disto foi alguma vez discutido. Os catalães não fazem ideia do que querem além da nebulosa ideia de independência, como se fosse só uma questão de trocar a bandeira sobre o edifício…
http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Tot alitarismo_Econômico
Publicado em 22/08/99 no caderno Mais! da Folha de São Paulo. Absoluto, o capitalismo criou, no final do século 20, uma lei que não pode mais ser transgredida
No final do século 20, a transformação do totalitarismo capitalista (que de Estado total passou a mercado total) conduziu a um inusitado “terror da economia” -a uma “lei” que, como nos dizem ironicamente, “não pode mais ser transgredida”.
Passou-se do credo do marxismo leninismo, para o credo de Bretton Woods.
RESUMO
Este artigo aborda a questão do avanço internacional do regime neoliberal, contexto da formulação de políticas que focalizam a pobreza, inclusive em países centrais. Em debates recentes, termos como ‘cidadania’ e ‘democracia’ têm sido sujeitos à interrogação crítica, revelando mudanças na relação cidadão/Estado que acompanham a hegemonia de critérios econômicos e a financeirização dos Estados nacionais. Argumentamos que tais processos globais requerem uma abordagem ampla, de uma perspectiva de economia política, capaz de iluminar como a substância da democracia e a legitimidade da autoridade estatal têm sido condicionadas pelo avanço de novos atores globais que representam os interesses do capital, favorecendo a concentração da riqueza e o aumento da pobreza, da desigualdade e da exclusão, e instaurando uma insegurança vital que atinge a maioria da população em nível mundial.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=s ci_arttext&pid=S1413-81232007000600011
Além de que a Hungria era mesmo (ainda que mais formal do que verdadeiramente), um estado independente, reconhecido como tal. A Catalunha é apenas e só uma região.
As empresas podem sair quando quiserem. Quem decide o destino de um povo são os seus cidadãos. Quanto às empresas, se lhes derem boas condições, outras virão. Só faz falta quem quer estar.
Pelos vistos a UE não reconhece a independência da Catalunha
Pergunto: Que moeda circulará no país?
Dá para imaginar as corrida aos bancos!
Buena sorte…
Aposto que vai ser a mesma moeda que circula em Andorra, mesmo ali ao lado, país que tem o catalão como língua oficial e que, como se sabe, não faz parte da União Europeia.
Demagógico. Andorra é um principado com gestão partilhada entre Espanha e França que autorizam a circulação do Euro naquele território (e com autorização do Banco Central Europeu, necessariamente). É o estatuto de Principado —ligado a ordens religiosas— que lhe permite co-existir no espaço da UE mais ou menos como zona franca. Se fosse uma república de 42% de equivocados que usam a língua do antigo Reino da Provença para forjar uma identidade que não possuem naturalmente, é bastante provável que não teriam hoje esse estatuto simpático de terra que não paga impostos a ninguém. É como se os Mirandeses quisessem ser independentes só porque 15% deles sabem falar Leonês antigo — e se calhar têm mais razões de queixa do que têm os catalães.
Não seria má ideia dar uma vista de olhos pela História de um país que, nos últimos duzentos anos, teve quatro guerras civis ( não falando nos “pronunciamentos” intercalares)…com o “benefício” do alívio demográfico respectivo…
A publicidade redigida que passa por jornalismo e as imagens televisivas, truncadas, manipuladas ou simplesmente falsificadas, não são uma base séria para um assunto idem…
O Luís é professor universitário de direito, certo?
Então explique-me, por favor, como é que o governo de Espanha cujo poder emana da constituição de Espanha, que é fiscalizado pelo congresso, e que responde perante a justiça espanhola, podia acordar a realização de um referendo repetidamente impugnado pelo Tribunal Constitucional, quer na sua versão consultiva como vinculativa?
Não lhe parece razoável que se tal acordo viesse a existir, um qualquer grupo de deputados (locais, regionais) suscitasse a apreciação de constitucionalidade por parte do mesmo Tribunal?
Que margem legal tinha o governo de Espanha para aceitar um referendo no presente marco constitucional?
E quanto ao art. 155, não é seguramente o governo através da aplicação do “vago art. 155” que vai “efectuar uma série de prisões”. É capaz de retratar esta afirmação?
Espero sinceramente que encontre tempo para exercer o seu papel de professor e me (e nos) possa elucidar.
As constituições também se podem rever. Nós não mudámos de constituição para poder dar independência às colónias em 1974? E não revimos a nossa constituição de 1976 para ratificar o Tratado de Maastricht, que era claramente inconstitucional? Insistir na constituição para não resolver um problema político, só serve para o agravar, como ontem se viu. Acha que é a constituição espanhola de 1978 que vai impedir a secessão da Catalunha em 2017?
Ou seja, o professor não responde a nenhuma das minhas dúvidas, nem se retrata da absurda afirmação que fez.
A constituição pode obviamente ser alterada. Quando foi a última vez que viu um nacionalista catalão (o professor incluído) a pedir uma revisão constitucional que permita o referendo ou sequer a reconhecer o problema?
E sim, acredito que a constituição de 1978 vai impedir a independência em 2017. Como acredito que uma constituição votada em 2020 vai encaixar as pretensões da maioria dos catalães, dos bascos e dos restantes espanhóis a quem o estatuto especial daqueles faz sentir cidadãos de segunda.
Quando afirma ” opressão de um povo “, a que se refere em concreto ? Ás intervenções policiais no dia do referendo ?
Também, mas não só. A demissão de um governo e a dissolução do parlamento eleito pelo líder de um partido que só tem dez deputados na Catalunha são o quê?
A resposta lógica às ilegalidades cometidas no exercício da função.
Estou esperando para ver o que acontece quando lhe congelarem as contas nos bancos ao puigdemente : pagará aos rebeldes funcionários em cacahuetes ? ou tem um saco azul algures ? vai ter de ser grande , o saco , tendo em conta o número de nomeados políticos , assessores e funcionários .
E os alcaldes independentistas querem dinheiro , pensam receber mais , para poderem roubar , se não houver fiscalização do governo central.
e sim , os catalães independentistas “civis” , são muito burros : pensar que há políticos que pensam para além do seu umbigo no seculo XXI ? só alguém com meio neurónio . Isto não é mais do que uma luta por mais poder e por mais hipóteses de meter ao bolso , sobretudo subsidios da UE ( mas podem esperar sentados uns anos ).
Os fascistas italianos tinham como lema Me ne frego! (= Estou-me nas tintas!), mais ou menos equivalente ao “Que será, será.”