«O PAN já questionou a Sr. Ministra da Administração Interna sobre o sucedido.» Eis, enfim, que o pleonástico partido Pessoas-Animais-Natureza despertou da letargia em que mergulhara, talvez por efeito das altas temperaturas estivais. Interpelando vigorosamente Constança Urbano de Sousa.
Sobre a tragédia de Pedrógão Grande – o mais mortífero incêndio desde sempre registado em Portugal – que provocou 64 mortos e 254 feridos? Não. Sobre um touro, ao qual uns imbecis colocaram tochas nos chifres em Benavente.
Eis-me definitivamente elucidado sobre as prioridades deste partido.
* Com a devida vénia a Sá de Miranda

Animais com animais se pagam.
O que são 64 vidas humanas perdidas e 50 mil hectares de floresta dizimados em comparação com um par de chifres a arder?
O Pedro parece-me mais um jornalista incendiário – já tentou o Correio da Tarde? Parece o Neubauten, sendo a diferença que o Einsturzende é ficcional e o Pedro, não!
Mau serviço público com essa cólera ao PAN, um partido minoritário que chegou esta legislatura ao Parlamento…Esse antagonismo obsessivo para com o PAN penso dever-se ao gosto do Pedro por touros e touradas e aos espichos de sangue que saem pelas costas da bicha cornuda picada.
Recomendo, ao Pedro, e ao público marialva, o Jiu-jitsu brasileiro se querem pica (Atenção: Nada tenho contra os protagonistas da arena, sobretudo os forcados)
É esta porcaria, que defendem com unhas e dentes? Uv4
https://www.youtube.com/watch?v=2YVGbafN
Veja se por aqui abaixo encontra alguém do PAN. A suposta indiferença do PAN parece-me bem menor que a dos chamados partidos do Arco da Governação, os “responsáveis”, os “a sério”, que arrastaram esta “coisa” do SIRESP durante anos, assim como a reforma florestal e da Proteção Civil
https://www.publico.pt/2017/06/22/politi ca/noticia/siresp-a-historia-de-uma-parc eria-publica-privada-de-transparencia-17 76439
“Coitado do Daniel Sanches… Assinou um papel, não fez nada!” A bolha rebentara. Oliveira e Costa estava a responder no Parlamento, na primeira comissão de inquérito ao BPN, em 2009, sob escolta policial, e recebeu a pergunta do deputado comunista Honório Novo sobre o SIRESP com esta candura. “O Dr. Daniel Sanches assinou um papel. Por acaso, a única coisa que lhe disse, quando ele se foi despedir, porque ia para ministro, foi isto: ‘Eu lamento que o senhor vá para ministro, mas há uma coisa que lhe garanto: há lá um problema nosso para resolver e se, alguma vez, alguém lhe disser que lhe pedi para assinar aquilo, o senhor não aceite, porque não é verdade. Eu não peço agora e jamais lhe pedirei que faça alguma coisa por esse processo’.”
http://observador.pt/especiais/reforma-d a-floresta-porque-nao-foi-feita-ha-dez-a nos/
A reforma da floresta foi desenhada no papel e discutida pelo poder político há dez anos. Muitas propostas caíram, outras foram interrompidas. E andamos outra vez a correr atrás dos incêndios.
http://rr.sapo.pt/noticia/61184/porque_n ao_ha_meios_da_forca_aerea_no_combate_ao s_fogos
Os aviões C-130 equipados com kits de combate aos fogos foram descontinuados por decisão política em finais dos anos 1990. Na altura, considerou-se que a participação da Força Aérea não era necessária.
Desde então estes kits (compostos por um sistema que embarca e confere à aeronave a capacidade de combate directo aos incêndios, através da libertação de cerca de dez mil litros de produtos retardantes) não sofreram manutenção e, por isso, estão obsoletos
Tenha pudor! Seja sério…ou então ponha smiles no post
Quarenta e sete pessoas são transformadas em tochas humanas na Estrada da Morte – com imagens que deram a volta ao mundo e que ninguém mais conseguirá esquecer – e as respostas que você encontra são essas?
Muito curto para tão longa prosa.
Mas pode continuar a tentar. Disponha deste blogue como se fosse seu também.
O que o Pedro faz com essa prosa longa do PAN é desviar as atenções e a discussão dos partidos e políticos que têm realmente a culpa. Uns falam num trovão seco, o Pedro persiste no PAN. O PAN não me aquece, nem me arrefece. Dinamiza a messe de oficiais. Só lá faltam os Piratas.
Aliás o PAN tem no seu programa politico uma promessa que me parece ambiciosa – acabar com os Palhaços.
Você chuta para canto, aludindo ao “ordenamento da floresta” e balelas quejandas. rogao-grande-pcp-quer-auxilio-as-populac oes-e-investigacao-com-apreciacao-politi ca-8590240.html
A esmagadora maioria dos mortos de Pedrógão não morreram devido ao desordenamento da floresta, que vem de muito longe.
Repare no que diz o secretário-geral do PCP, que já exige (e muito bem) uma investigação “com apreciação política”:
«Não procuremos medidas dilatórias. Estou há muitos anos na Assembleia, se houve matéria onde houve mais vezes consensos foi em torno da floresta. Não faltam leis, não faltam resoluções, não faltam medidas. O que é que não funcionou? Do nosso ponto de vista, não funcionou precisamente a efetivação das medidas que foram aprovadas nesses amplos consensos verificados.»
Este é o cerne da questão. Aqui não posso estar mais de acordo com Jerónimo de Sousa:
http://www.tsf.pt/politica/interior/ped
A dimensão e frequência dos fogos florestais relacionam-se com o desordenamento florestal e do território – cada vez é mais difícil viver no interior pois os serviços básicos, por questões economicistas, fecham… é o que dá querer gerir um país como uma empresa. Portugal não é uma S.A.
O que diz Jerónimo não é novidade. Aplica-se às florestas e a tudo o resto….leis perfeitas, aplicação/fiscalização imperfeita.
Pois. Num país que não tem cadastro florestal minimamente actualizado e que recusa o emparcelamento de terras – medida de que todos fogem como o diabo da cruz – como medida indispensável ao ordenamento do território, estas situações tendem a eternizar-se.
Os familiares dos 64 mortos de Pedrógão não podem esperar por isso. Exigem – exigimos todos – saber ao certo o que passou e o que falhou. Sem desculpas, sem paninhos mornos.
100% de acordo!
E se não se tomarem medidas urgentes para o bloqueio eletrónico dos drones que sobrevoam os aeroportos nacionais podemos esperar nova tragédia, enfim…..
Só por acaso ainda não houve uma tragédia relacionada com este uso e abuso incontrolado dos drones.
Uma vez mais, as chamadas autoridades cruzam os braços à espera que a natureza siga o seu curso.
Só por acaso ainda não houve uma tragédia relacionada com este uso e abuso incontrolado dos drones.
É verdade.
E eu gostaria de saber uma coisa. Sendo que boa parte das ocorrências com drones têm acontecido a grande altitude (parece que a última ocorreu a 450 metros), que raio de drones serão esses que voam tão alto, e quem os leva até lá, e para quê? Suspeito que não sejam propriamente drones pequeninos como os que se vendem nas lojas. Um drone a 450 metros de altitude necessita, suponho eu, de capacidades bastante boas de transmissão do sinal que o guia. E o seu dono nem deve estar a vê-lo, a essa altitude.
Eu não percebo nada de drones, mas gostaria de saber que drones são esses que voam tão alto e tão longe do seu operador, e que operador é esse, e para que é que ele os tem a voar tão longe.
Luís, como especialista, diga-me, não dará para ensinarem os falcões a caçarem-nos?
um país […] que recusa o emparcelamento de terras
Isso é falso – os proprietários privados estão continuamente a emparcelar terras. Continuamente há proprietários privados que compram as propriedades dos vizinhos com o fim de emparcelar. As pessoas não são propriamente parvas, sabem perfeitamente que para gerir de forma rentável é preciso ter parcelas maiores.
Eu próprio, desde que sou proprietário rural, já vendi uma boa data de terras (minifúndios) a vizinhos que me pediram para as comprar. E muitos outros vizinhos já me pediram para comprar outras.
Falso é o que você escreve. Desde logo porque uma grande parte das florestas portuguesas tem proprietários incertos ou incontactáveis. Daí não haver sequer um cadastro actualizado ou digno de crédito.
Não há vontade política para tomar as medidas que há muito se impõem: reordenamento fundiário, limpeza compulsiva das matas, reordenamento e diversificação florestal.
Nenhum governo até agora teve coragem para promover estas medidas, que só darão resultado se funcionarem em conjunto e mobilizarem as autarquias locais. Muita responsabilidade neste marasmo cabe aqui ao quase eterno ministro da Agricultura Capoulas Santos, talvez o homem que ocupou mais tempo esta pasta desde o 25 de Abril.
Pedro, é tempo da Reforma Agrária. A terra a quem a trabalha.
E encontrar gente para trabalhar a terra. Falar do que se desconhece não é sério. Pessoal desempregado, jovem, saudável e, pasme-se, sempre indisponível. Ah! – é muito cedo, deito-me tarde, está muito calor (ou muito frio se for Inverno).
Média de idades de última safra – 67 anos.
E fico-me por aqui.
Não há desordenamento – isso é um mito para justificar mais leis e mais impostos sobre aquilo que não é deles e para os políticos lavarem as mãos. O que existe são leis de transmissão de propriedade erradas e desleixo dos organismos públicos porque o estatismo excessivo promove o inatelismo crónico — que é aquela malta toda dos serviços está a borrifar-se e querem é ir para férias. As forças ligadas à Protecção Civil tem estruturas e chefias antiquadas e processos de servilismo idiota que retira autonomia e poder de decisão aos agentes no terreno — lembro que há pouco mais de 5 anos tinham de enviar um fax da Lousã para um comando em Lisboa para poder levantar um helicóptero. Se o comandante tiver ido à casa de banho ou estiver no café a ler os pasquins socialistas de Lisboa, arde meia floresta 250 km mais acima até ele telefonar a dizer que assina o fax. Andamos a brincar ou quê? Ao mesmo tempo, tomam-se decisões que demoram anos a corrigir como o facto de os bombeiros já não fazerem contra-fogo ou utilizarem retardantes que é o que permite apagar um fogo. O resto é esperar que arda entre estrada e normalmente um fogo quando atinge uma certa dimensão já não se consegue apagar senão passados 24 ou 48 horas. Olhem para a merda das estatísticas reais dos fogos — de como eles progridem e de como ardem. O que existe é INCOMPETÊNCIA TOTAL. E que partidos sem representatividade popular venham agora legislar sobre o que não é deles dá-me vontade de mandar tudo à merda, mas vendo bem na merda já nós estamos.
Porra, não há desordenamento florestal?? Isso é o mesmo que dizer que não existem portadas de alumínio nas aldeias típicas da naçoue! !
Querem ver que o V defende a instituição dessa figura romântica do Morgado! !
Troque-me lá isso por miúdos quanto à propriedade. Eu sou filho único , por isso voto pelo Morgadio. D. Neubauten!! Gosto.
Então vamos definir o que é desordenamento florestal. Qual é a característica que define essa desordem?
Bom, a característica que assim de rompante me lembro…é o mato não estar ordenado…o eucalipto cresce encima do pinheiro. O pinheiro, cobre a giesta. A giesta, o medronheiro…uma rebaldaria, uma pouca vergonha….é o que é
Pois, é o que me parecia 😉
O que existe são leis de transmissão de propriedade erradas
Diga lá porque é que são erradas.
É verdade que as leis da herança tendem a dispersar a propriedade por diferentes pessoas e contribuem para a formação de minifúndios. Mas as pessoas estão continuamente a contrariar essa dispersão, através de vendas e trocas entre si, com o fim de reconstituir propriedades de tamanho viável.
O problema não são as leis da herança, o problema é o abandono das terras, que faz com que cada vez menos pessoas se preocupem com aquilo que é seu e se preocupem em vender as suas terras aos vizinhos ou então comprar as terras dos vizinhos.
O problema é que basta um dos herdeiros não estar para isso e nada se faz. Heranças ficam indivisas anos a fio (às vezes décadas), entretanto começam a morrer os herdeiros, o problema arrasta-se, etc.
Os herdeiros imediatos têm dificuldade em lidar com a perda e não querem vender (ou prometeram ao defunto não vender), os restantes ficam à espera duma oportunidade para “vender bem” que nunca chega, os incentivos para resolver os problemas são cada vez menores.
Ao fim de poucos anos, “nem dado” alguém pega, e mesmo “dado” o estado aparece a cobrar impostos sobre umas mais-valias imaginárias quaisquer.
Toca num ponto fundamental. A progressiva desertificação dos campos, fenómeno que remonta há séculos mas que se acentuou nas últimas seis décadas, inutilizou em grande parte os cadastros ainda existentes. As sucessivas heranças, tornadas cada vez mais labirínticas e problemáticas, tornaram os registos de propriedade esparsos e em larga medida também inúteis.
E não mitifiquemos a situação: há cem anos a chamada floresta portuguesa era em grande parte residual. Só durante o salazarismo houve uma política maciça de florestação, ditada em grande parte por motivos económicos – tornando a floresta numa fonte de receitas. Daí a aposta deliberada a Norte e no Centro no pinheiro bravo e no eucalipto (no sul apostou-se sobretudo no sobreiro), árvores de crescimento rápido e de valia comercial segura, garantindo retorno económico ao fim de poucos anos.
A imagem do País florestado com espécies “autóctones” ou exóticas, como um imenso bosque do Buçaco ou uma vastíssima mata florestal de Sintra, é uma miragem, concebida quase sempre por gente que nunca abandona o conforto climatizado dos gabinetes em Lisboa.
No sul apostou-se sobretudo no sequeiro. No trigo. O Alentejo como celeiro de Portugal (faltava-nos as terras negras ucranianas) . O que para aí falam sobre heranças e irmãos aplica-se também a imóveis e nãoexclusivamente à propriedade rústica. Vão também mexer no imobiliário, querem ver?
Como a conversa para aqui vai ainda acabamos com a propriedade privada. Cambada de comunas
Aplica-se a tudo Eine. Não sou comunista, mas algum incentivo tem que haver para que as heranças se resolvam em tempo útil.
De todas as situações que conheço, só a do filho único de mãe viúva há décadas se revolveu em menos duma década. Todas as outras estão indivisas, há espera de melhores dias para resolver, há 15 ou 20 anos.
Quando for para resolver, com os filhos já na reforma, netos que não estão para se chatear, bisnetos que se fazem representar por ex-conjuges; com alguma desta gente espalhada por vários continentes, como é? Como se resolve?
As coisas degradam-se, os matos ardem, os prédios caem.
A meu ver são erradas porque permitem a sub-divisão em partes iguais, o que fractura e desvaloriza o património. As parcelas diminutas de floresta que não são rentáveis acontecem porque é possível sub-dividir um terreno pelos herdeiros ao ponto em que alguém fica com uma parte quase inacessível ou sem meios de a tornar rentável. Acontece também com património edificado, onde por vezes há casas divididas a meio, partes que são deste, outras que são vendidas e uma trapalhada total — que inclusivamente afecta o bem-estar das famílias.
Se, por regra, uma matriz não puder ser dividida, mas apenas trocada ou vendida o mapa patrimonial melhora significativamente — tal como melhora o valor comercial da propriedade.
Você está enganado. Já há muitos anos que as leis não permitem a subdivisão de propriedades rústicas para dar uma parte a cada herdeiro. Se uma pessoa tem 3 ou 4 propriedades rústicas, então cada filho herda uma delas. Mas, se uma pessoa tem somente 1 propriedade rústica, então essa propriedade fica indivisa. Por lei, não é permitido partir a propriedade em 2, 3, ou 4 parties iguais para dar uma parte a cada filho.
Portanto, as leis da herança podem eventualmente estar erradas, mas não é por aí: elas não permitem, atualmente, a subdivisão das propriedades.
Preciso de confirmar essa informação. Se é verdade deve ser coisa relativamente recente porque por muitas zonas rurais no norte do País não é incomum encontrar casas sub-divididas em altura, em que o “solho” pertence a um e a loja pertence a outro.
Note ainda que ter 4 propriedades e 4 filhos e dar uma a cada um não equivale a nenhum princípio de “partes iguais” dado que as coisas têm valores diferentes. Ninguém divide as coisas assim, normalmente divide-se em “avos” ou partes. Até fazem isso com apartamentos que são propriedade horizontal indivisível na sua utilização.
“já tentou o Correio da Tarde?”
Queria dizer : Diário da Manhã, peço desculpa.
Do defunto Diário da Manhã parecem ser aqueles que agora se mobilizam para “investigar” não as causas do incêndio que matou 64 pessoas mas a identidade do novo correspondente do ‘El Mundo’ em Portugal, que se atreveu a beliscar Sua Excelência, o Presidente do Conselho.
Parece que querem incluir peritos estrangeiros no inquérito a Pedrogão. Por cá isto só normaliza com troikas, vindas de fora. Apoio, como apoio, concursos internacionais para empresas estatais, pois é uma “chatice” ver sempre os mesmos.
Também apoio, embora tenhamos por cá excelentes técnicos.
Acabei de ler:
“Incêndios em Pedrógão Grande envoltos em “enigma” e “mistério”, dizem meteorologistas”.
O que resulta de enigmas e mistérios não deve cair na alçada da justiça ou do apuramento de causas e responsabilidades.
O hino que faltava.
Demasiadas questões permanecem sem resposta dez dias depois.
Nem por isso, O Presidente diz que tudo foi feito, os técnicos já disseram que houve uma trovoada seca, a PJ já encontrou a arvore terrorista,o secretário de estado disse que os mortos tiveram azar e que não fossem curiosos, o Primeiro mantém a confiança política na ministra da tutela, ela diz que não sai, enfim que mais respostas quer ? Mesmo que haja alguma pequena culpa, é a dividir por todos os governos desde Salazar.
Isso aconteceria, estou certo, se não tivessem ocorrido 64 mortes.
A culpa desta vez não vai morrer solteira.
Lá está o Pedro Correia a subestimar a dupla Marcelo & Costa.
É verdade. Está agora a passar na CMTV que a desditosa árvore antes de ir pelos ares gritou: Ala Akbar!!!
Rã, se é mistério, uma petição já para a soltura do bruxo da Areosa. E o Bandarra por onde é que anda? A última vez que ouvi andava para os lados de Queluz.
Ou a defesa do Zé. A última vez que os ouvi estavam calados.
A verdadeira razão para o Pedro Correia detestar o PAN é que o PAN, embora não fazendo parte da geringonça, tem votado ao lado dela nos momentos cruciais (nos Orçamentos de Estado).
O PAN, que exige rigorosos inquéritos a propósito dos cornos de um touro mas nada exige a propósito da morte de 64 seres humanos, é só por si uma geringonça.
Jamais poderia, obviamente, votar contra si próprio.
Escandaliza -me é um par de gajos duma terreola fazerem autênticas barbaridades nas barbas das autoridades. Mais mês menos mês e hão -de puxar fogo ao gato.
Talvez exista aqui algum grau de conexão. Existirão tantas mais tragédias quanto mais atrasada for a sua população
Acabei mesmo agora de ler:
“Costa promete esclarecimento total sobre tragédia em Pedrógão Grande, mas rejeita “entrar em debate com o líder da oposição”.
Melhor esclarecimento não pode haver.
Ainda muita pedra vai rolar. Aguardemos.
TOURADA
Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.
Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.
Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.
Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.
Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.
Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.
Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.
Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo…
Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram as canções
Atualíssimo, 40 anos depois JCAS
https://www.youtube.com/watch?v=nJJGZOBB SeE
Poético!!
A[c]tualíssimo
A Vaca Cornélia nunca morrerá.
Ora aí está um excelente exemplo de um bovino como líder de massas, sem exposição mediática mais do que a necessária. Interessante, inteligente, humorístico … As “touradas” agora são de outro modo, mas o poema do Ary dos Santos não deixa de ser interessante se aplicado à aCtualidade.