“Quase ninguém sabe como se chama o Presidente de Portugal”


Pedro Correia,

 

Quando dava formação a jovens candidatos a jornalistas, costumava fazer testes de elementar cultura geral a esses estagiários. Entre outras perguntas, pedia-lhes que me dissessem o nome da capital das Honduras. E logo ali ficava evidente quem tinha leituras e saberes acumulados, mesmo sem alguma vez lhe passar pela cabeça visitar Tegucigalpa.

Testes deste tipo pelos vistos prosseguem, com as perguntas mais diversas e nas ocasiões mais inesperadas. Por vezes até em directo nas televisões.

Juan Carlos Monedero, um dos fundadores do Podemos e presença habitual nas tertúlias televisivas em Espanha, lembrou-se há dias de perguntar a um jornalista, seu parceiro de painel num acalorado debate no programa Espejo Público, da Antena 3, se ele sabia o nome do Presidente da República de Portugal.

Estupefacção em estúdio: ninguém parecia ter ouvido alguma vez falar em Marcelo Rebelo de Sousa. E a própria apresentadora do programa – Susanna Griso, uma das mais conhecidas jornalistas da televisão espanhola – acabou mesmo por dizer: “Quase ninguém sabe como se chama o Presidente de Portugal.”

Este momento lapidar de Espejo Público funciona como espelho, sim. Da gritante ignorância espanhola em relação ao nosso país e da chocante incultura dos tudólogos que pululam nos estúdios televisivos. Tanto lá como cá.

0 comentários em ““Quase ninguém sabe como se chama o Presidente de Portugal””

  1. Eles não sabem porque estão habituados ao Sua Majestade. De resto, o Presidente da República chama-se, Sua Excelência, o Sr. Presidente da República. Fácil. Embora saibamos que seja quase sempre mentira. Porque Majestade é uma questão de pose. Excelência é preciso tê-la, de facto.
    Vejam no Ciberdúvidas.

  2. a gritante ignorância espanhola em relação ao nosso país

    Eu acredito que essa ignorância seja um facto, mas espero que o Pedro Correia disponha de mais atestados dela do que apenas esse extrato do programa televisivo.

    É que, parece-me exagerado acusar todo um povo de ignorância apenas com base num episódio ocorrido entre 3 ou 4 pessoas (que, calculo, fossem quantas estavam presentes em estúdio nesse momento).

  3. Os espanhóis mais jovens são muito parecidos com os jovens portugueses. Poucos conhecimentos de política, de história e geografia, mas muitos conhecimentos de manuseamento de telemóveis. Os espanhóis mais velhos, de política são como nós, pouco politizados, mas da sua história passada, sabem-na e discutem-na com alma.

    1. Mais inaceitável é verificar como uma jornalista experiente, com 20 anos de presença constante nos ecrãs televisivos, além de ignorar o nome do PR português, ainda garante que praticamente ninguém em Espanha o conhece.
      Com “elites” destas…

      1. Ela não sabe, mas garanto-lhe que muitos sabem. Estou agora, neste momento, com eles, “espanhóis” e garanto-lhe que alguns deles sabem quem é o nosso presidente e também sabem quem é e foi Durão Barroso, o qual acham detestável.

      2. Ela não sabe, mas garanto-lhe que muitos sabem. Estou agora, neste momento, com eles, “espanhóis” e garanto-lhe que alguns deles sabem quem é o nosso presidente e também sabem quem é e foi Durão Barroso, o qual acham detestável.

  4. Quando meninos andam na escola, é normal que os meninos de uma classe saibam os nomes dos meninos da classe superior (mais velha), mas não saibam os nomes dos meninos da classe inferior (mais nova). Isto, porque os meninos olham com admiração para os mais velhos mas estão-se marimbando para os mais novos.
    Da mesma forma, é normal que os jornalistas de um país pequeno, como Portugal, conheçam e admirem os políticos de um país grande, como a Espanha, enquanto que os jornalistas do país grande desconhecem os políticos do país pequeno, para o qual se estão marimbando.

    1. É verdade verdadinha…. Por exemplo:

      Os australianos são o povo mais culto e instruído do mundo, a léguas dos ignorantes dinamarqueses!

      1. O Lavoura explicou “tão bem”, com aquela dos “meninos da escola” que até me surpreende que a população do nosso país ainda consiga um QI Médio de 95. Com menos Lavouras, se calhar, conseguíamos a média da Espanha 99. Dinamarqueses 98, Austrália 98 mas, muito longe da Coreia do Sul 106, Japão 105 e de Hong Kong 107.
        Suponho que o Lavoura se sentiria muito melhor num país onde soubessem apreciar a sua sabedoria, como o México onde o QI médio é de 87, aí, a sua tese “Los muchachos en la escuela.” seria brilhante

          1. O Canadá deveria ser uma referência para todos nós, mas não é porque são em quase tudo um exemplo a seguir, mas que ninguém está interessado. Para constatar é entrar nos Estados Unidos e logo entrar no Canadá. A diferença é abismal em tudo, mas para isso é melhor ver e ouvir os de lá e ver, como tudo funciona bem. Raramente se ouve falar no Canadá porque são muito bons e não esquecem os mais desfavorecidos.

          2. Não tem nada a ver. O México é um desastre, tanto em corrupção como em selvajaria, principalmente na fronteira com os Estados Unidos. O Canadá é um país que deveria servir de referência, pois são bons em quase tudo e têm regras que se nós e outros, adoptassem o mundo seria bem melhor. Talvez seja por isso que raramente se ouve falar no Canadá, não interessa.

      2. Há um povinho muito esquecido, bem lá na América Central, nas Caraíbas, o povo cubano. Esse sim, o mais culto do mundo.

        1. Podem ser cultos, mas não têm um jornal para ler, a não ser o do partido único, não têm um livro para ler, a não os escassos livros que o partido único autoriza, e não têm acesso à internet, a não ser nas condições muito restritas e com o preço proibitivo que o partido único permite.
          Quanto ao nome do líder cubano, não custa saber quem é. É o mesmo desde 1959. Chama-se Castro.

          1. Estamos a falar de cultura e nada mais. Cultura eles têm de sobra, o resto é com eles e só com eles e nós não temos nada a opinar.

          2. Cultura têm de sobra. Não têm é nada mais para ler senão os jornais do partido e os livros oficiais que o partido autoriza.
            Você está mergulhado até ao tutano no espírito castrista. Essa sua frase final diz tudo: “Nós não temos nada a opinar.”

          3. Não estamos a falar de partidos nem de política. Isso é assunto deles e só deles e nós, não temos nada a opinar, como não deveríamos ter opinado, noutros países, onde quisemos impor a democracia e os resultados estão à vista. Eles, com muito poucos recursos, a nível da medicina, são tão bons que os Estados Unidos querem um trabalho em conjunto. O partido, só eles têm de decidir se o querem ou não, a nós, cabe-nos elogiar o seu nível cultural que têm de sobra, como já referi.

          4. Opinião curiosa a sua, vinda de quem vem, sempre com tantas opiniões a respeito das opções de tanta gente por esse mundo fora (ainda que sob várias “assinaturas”…).

    2. Se algum dia algum “estudioso” resolver compilar e fazer um estudo da infância do Lavoura, estes comentários vão figurar no prefácio. Isto só pode ser trauma.

  5. Mas ainda não percebeu que essa “ignorância e incultura”, a nível global, tem um propósito muito específico?
    Porque pensa que, presentemente, os Estados desejam tanto controlar o ensino e aquilo que é ensinado? Quanto mais colectivistas mais controladores, porque será?
    Até nos EUA, com o apoio dos Democratas, o governo Federal tem andado a “meter a colher” no ensino ou na liberdade de ensino, dos restantes Estados, porque será?
    Gente culta, instruída que saiba debater ideias e conceitos não será tão facilmente manipulada e, no polo oposto, temos aqueles que nem se apercebem quando lhes dão “a beber” ideologias muito específicas, especialmente, para a criação de um só governo a nível mundial, um totalitarismo nunca antes concretizado e, para isso, quanto mais estúpidos e mais dependentes do próprio Estado, melhor para eles.
    Um governo que, nas escolas, promova o facilitismo e, crie entraves ao debate de ideias diversificadas, já sabemos de que lado está, se dos seus cidadãos ou do tal 1% que quer controlar o Mundo e, para isso, precisa de criados que lhe façam o serviço.
    Falamos muito de islamismo e, desde 2011 já sabemos como eles “educam” para obter submissão, pena que, mesmo, depois destes anos todos, ainda haja alguém que não perceba o, verdadeiro, interesse em trazer essa religião para a Europa. Podem ver, como se ensina, numa das “melhores” escolas islâmicas da Grã-Bretanha, porque isto de arranjar conflitos “cá em baixo”, é outro factor que convém, muito, ao 1% “lá de cima”. Depois ainda se admiram que os filhos de “certos embaixadores”, façam, apenas, aquilo que lhes ensinaram.
    YouTube:
    https://www.youtube.com/watch?v=95GxhqjHZ3E
    (islamic schools in Britain teaching hate and segregation to young muslims)

  6. Caro Pedro,
    consta que Abril de 2015, quando foi assinado, em Guimarães, o acordo de coligação entre o CDS-PP e o PSD, os assessores desses dois partidos, ou de algum deles, questionaram alguém nessa cidade sobre o sítio onde estaria o túmulo de D. Afonso Henriques para aí os respectivos líderes partidário colocarem um coroa de flores.
    Pode confirmar se é verdade ou mentira?

      1. É só uma questão de analogia, caro Pedro, entre a ignorância espanhola e a ignorância portuguesa, ou Pedro dir-me-á que todos os portugueses, nomeadamente a nossa classe política, sabe a cidade onde está o túmulo do primeiro rei de Portugal?

        1. Meu caro: analogia será indagar junto de jornalistas e comentadores televisivos portugueses o nome do Chefe do Estado espanhol e já agora também do presidente do Governo espanhol.
          Não imagino a Judite Sousa nem a Clara de Sousa nem a Cristina Esteves a falharem as respostas. Nem a dizerem o que disse a Susanna Griso.

          1. Caro Pedro, as duas jornalistas que refere provavelmente não, mas ouvimos nas tv’s tantas gralhas, como a que refere ou como a que dá como exemplo (mais o segundo caso). Repare como é apresentado a localização de um qualquer lugar numa reportagem: um qualquer município longe de Lisboa é apresentado com a mesma dignidade que uma qualquer freguesia perto desta cidade.

            Ouvi uma reportagem, não posso precisar mas creio ter sido na RTP, aquando do recente Campeonato Europeu de uma jovem jornalista que foi a uma tasca em Lisboa e aí entrevistou uns reformados que aí estavam a jogar dominó. Segundo esse as regras desse grupo quem perdia pagava uma rodada de uns copitos de vinho tinto aos restantes. Pois a jornalista, por ventura dada as outras andanças disse que quem perdia pagava aos restantes uns shots (sim, shots) de vinho tinto.
            Uns shots de vinho tinto!?!?!?

          2. Se fôssemos por aí haveria matéria para uma rubrica diária neste blogue.
            Mas escolhi este exemplo concreto porque revelamos demasiadas vezes subserviência perante os estrangeiros – a começar nos espanhóis – sem sabermos que a cultura e a ignorância andam à solta também fora das nossas fronteiras.
            Como este caso bem demonstra. Protagonizado por dois jornalistas bem conhecidos em Espanha, sendo ela apresentadora de um programa informativo de grande audiência. E – caramba! – Portugal é o país que tem maior fronteira com Espanha, não lhes custaria assim tanto conhecer-nos melhor, como bem sublinha o Monedero.

          3. O nome do chefe de governo espanhol é um nome bem guardado Nem os espanhóis conseguem acertar com ele. Talvez com mais uma eleiçãozita cheguem lá.

  7. E os brasileiros, sabem?

    Não quero com isto criticar os brasileiros (ou os espanhóis), mas antes a nossa postura, muita das vezes subserviente em relação aos mesmos: são os “nuestros hermanos” e o país irmão quando, na realidade, a maioria das vezes estão-se borrifando para nós ou, pior, somos tratados como algo de inferior – no caso do Brasil, basta ver a “cotação” do Português ou do Italiano.

    Seria importante perceber que essas “demonstrações de afecto” são muitas vezes unilaterais ou usadas como sinal de subserviência política. Mesmo em relações de outro calibre, a posição do Reino Unido face aos Estados Unidos da América é em tudo similar e a “special relationship” só vale quando interessa aos segundos, em prejuízo dos primeiros – um bom exemplo será o tratado de extradição assinado entre os dois países que dá poderes quase plenipotenciários à justiça norte-americana no Reino Unido sem contra-partida em casos análogos inversos.

    Isto para dizer que já é tempo de nos deixarmos de apoquentar com essas coisas e partirmos para outra. As relações bilaterais valem o que valem. Devem certamente ser exploradas, até porque é das poucas coisas que o nosso passador de império mercantil deixou, mas em situações em que somos, de facto, acarinhados. Por cada espanhol que não sabe quem é Marcelo teremos portuguese em Malaca ou no Ceilão que sabem e que, mais importante que isso, se importam e são ignorados.

    1. Tem muita razão naquilo que escreve. Nomeadamente quanto à subserviência política face aos brasileiros, como ficou bem demonstrado na questão do “acordo ortográfico”, em que o Estado português vergou a cerviz de forma inaceitável. Ao ponto de “abrasileirar” palavras em que a norma brasileira nunca se distinguiu da portuguesa – palavras como recepção ou excepção.

  8. Bom, não é novidade a falta de conhecimentos, educação e patriotismo retrógrado de nuestros hermanos.
    O culto pela cultura geral já não orgulha ninguém. Ler é algo do paleolítico, saber falar é arrepiante e saber escrever 4 palavras sem dar 3 erros , nos dias de hoje é absolutamente espantoso.
    Isto não é infelizmente apanágio dos vizinhos do lado, mas posso afirmar que detêm recordo olímpicos. O meu pai gostava de passar férias no sul de Espanha. Exceptuando meia dúzia de locais, ninguém se esforçava por ser apenas… simpático.
    Ainda nos dias de hoje , que lido com os próximos aos milhares e milhares, só posso reforçar a minha opinião.
    Felizes daqueles que os conhecem afáveis, generosos, calmos, bem falantes, prestáveis, atenciosos, humildes… a esses , é como lhes tivesse saído o euro milhões.

    1. Mais de 50% dos espanhóis, segundo uma estatística recente, nunca leram um livro.
      Além desses, há muitos outros. Os falsos cultos. Aqueles que, mal se raspa a ligeira camada de verniz que ostentam, feita da colagem apressada de etiquetas e frases feitas, logo exibem a sua incultura real.
      E há ainda os tontos cultos. São demasiados. A eles se refere o escritor Javier Cercas numa recente crónica publicada na revista dominical do ‘El País’:
      http://elpaissemanal.elpais.com/columna/la-barbarie-la-literalidad/

    2. Acho que é preferível saber fazer a saber falar, infelizmente Portugal até tem muitos dos segundos e poucos dos primeiros. (E um punhado deles (para ser simpático) que conseguem conjugar as duas vertentes)

  9. Belíssimo exemplo. Por cá temos também esses especialistas que opinam sobre todos os assuntos, que tudo sabem. Bastou ver quando foi a questão dos fogos florestais e a quantidade de inteligentes a dar opinião como soubessem desde sempre a solução do problema e que ninguém os escutou.

    1. Pois. Os tudólogos de plantão, que se pronunciam sobre as mais diversas matérias, da macro-economia ao futebol, neste mês de Agosto também ocuparam os ecrãs pronunciando-se sobre política florestal e estratégias de combate aos incêndios.
      São os pirómanos da palavra. Prontos para todo o serviço, paus para toda a colher.

  10. “Entre outras perguntas, pedia-lhes que me dissessem o nome da capital das Honduras.”

    E com esta esta pergunta se demonstra mais uma vez a monocultura do jornalismo.

    Perguntou a alguns dos seus candidatos a jornalista qual o modelo de tanque do exército Português e quais as suas capacidades?

    Claro que não, mas é um pergunta muito mais importante que a capital das Honduras.

    1. Onde nos levaria isso (e não há aqui a menor crítica a Pedro Correia)… Seja qual for esse tanque, é bem alta a probabilidade de estar a maior parte da frota imobilizada, canibalizada, com bem reduzida operacionalidade, por falta de verba para manutenção. E os seus tripulantes abaixo dos mínimos de treino aplicáveis. Os tanques, no exército, os aviões na força aérea, os navios na marinha.

      Um tema que merecia se calhar bem maior dignidade de tratamento pela chamada comunicação social e tudólogos de turno: de uma vez por todas, quer Portugal umas forças armadas? que de facto constituam um elemento dissuasor, de defesa e projecção de força credível, ou apenas ornamentos de cerimónias públicas? Queremos valorizar na sociedade os homens e mulheres que as integram, ou continuar a atitude dominante de desprezo, ridicularização e desinteresse pelas forças armadas? Queremos estar prontos para defender com um mínimo de consistência o território e interesses nacionais e da aliança que integramos, ou de uma vez por todas entender que não vale a pena, nunca o conseguiríamos fazer, o rectângulo é mínimo, quem cá quiser entrar acaba com isto em questão de horas, e acabar com as forças armadas?, e os seus custos, como as conhecemos?

      É que, por exemplo, falar da marinha, sistematicamente, apenas e só para suscitar a questão da corrupção dos submarinos (e investigue-se, evidentemente!), quando muito provavelmente o mar que temos sob nossa tutela reclamaria, isso sim, mais submarinos e outros meios navais e aéreos, caros que sejam, já enjoa.

      Costa

      1. Tanques? O Exército já não usa disso;)
        Está a falar de carros de combate? É que nestas coisas também convém chamar as coisas pelo nome, para não se confundir o nome do Presidente com o do PM. Se quiser atestar a operacionalidade dos Leopard 2A6, que não são nenhumas sucatas, basta procurar pelos últimos exercícios realizados, nacionais e internacionais. Depois, só depois, pode indagar sobre as verdades do costume sobre os nossos homens. Ah, a Força Aérea não são só aviões, a Marinha não são só “barcos” e os Exército não se faz de “tanques”.
        E sim, podíamos estar melhor equipados e treinados, claro que sim, mas daí a menosprezar tudo…

        1. Vá lá, mantenhamos a calma. Parece-me que poderei ter ferido a sua sensibilidade, de modo que permita-me notar (V. facilmente o constatará, fazendo o favor de reler o que escrevi acima) que das minhas palavras se não pode retirar qualquer desrespeito pelas forças armadas e o esforço nelas feito no sentido de, apesar de todas as condicionantes, preservar um grau de operacionalidade.

          O que encontrará no que escrevi, isso sim, é a percepção de que essas “condicionantes” vão sendo talvez, mais do que restritivas (inevitáveis, admita-se, num tempo de crise generalizada e duradoura), abusivas (fruto do que creio será um longevo e considerável desinteresse nacional – sendo bondoso nos termos – para com as F.A., sábia e demagogicamente aproveitado pelos políticos e demais elites de turno).

          De resto, esta é a percepção de um cidadão comum (que nem cumpriu serviço militar, tendo ao tempo sido tomado como “inapto”), muito, muito, longe de ser um especialista na matéria e que nem quis afirmar-se como tal, entenda. Olha à sua volta, este cidadão, interessa-se um pouco pelo tema – já agora, enquanto cidadão e contribuinte (que é aquilo para que servimos, aos olhos de um estado insaciável, irresponsável e impune na colecta de receita e nos gastos) – particularmente na sua componente aérea (por gosto e afinidades profissionais), escuta um familiar que se prepara para abandonar a vida militar, fazendo-o também por desgosto com o que nela vê e não vê, mas por aí se fica.

          Mas conceda a este cidadão o facto de saber que exército é bem mais do que “carros de combate” (eu apostaria consigo que, fora do meio militar, mas sem cometer gravíssimo erro conceptual, ainda se lhes vai chamando largamente “tanques”), a força aérea transcende em muito os aviões e a marinha está bem para lá de uma simples frota de navios.

          Aliás releia o que escrevi, de novo lhe peço: não está lá “barcos” (isso sim, acredito que fosse ofensivo; pudesse ser, enfim).

          E se estou completamente enganado, aceite por favor um pedido de desculpas e desde já lhe agradeço a devida correcção.

          Costa

          1. Voltando ao início: sobre tanques, de guerra ou da roupa, de facto nunca perguntei nada aos meus estagiários.
            Mas vários deles não faziam a menor ideia do que seria Tegucigalpa. O que me deixava esclarecido.

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