
Da comunicação oficial de hoje de Marcelo Rebelo de Sousa retiro duas ideias. A primeira: dada a qualidade de som e de imagem, Marcelo auto-isolou-se em Marte. A segunda: neste momento, Portugal não tem Presidente da República.

Da comunicação oficial de hoje de Marcelo Rebelo de Sousa retiro duas ideias. A primeira: dada a qualidade de som e de imagem, Marcelo auto-isolou-se em Marte. A segunda: neste momento, Portugal não tem Presidente da República.
Não tem nem nunca teve: desde que assumiu o cargo.
Ou teve mas nunca se deu conta.
Excepção feita à dona Maria/s da feira que o idolatra.
Mas ainda dava a ilusão de movimento. Essa ilusão quebrou-se definitivamente nesta noite.
Fui ver o vídeo. Que desastre. Faz-me lembrar aquelas rábulas em que ao governante que já não tem poder é permitido fazer proclamações e declarações e exigências que não são ouvidas.
E a qualidade é de rir. Agora fala de doenças antigas… Este homem não está são ou não tem noção.
Este vídeo seria uma pérola para os humoristas se as circunstâncias fossem dadas ao humor. Assim, é só triste.
Enquanto os “democratas” bons se escondem atrás das redes sociais (existem pessoas que não têm e não podem ver estas palhaçadas em directo) os democratas “maus” dão conferências de imprensa no jardim para dezenas de jornalistas.
Depois ainda se admiram que cada vez mais os povos gostem de democratas “maus”.
WW
Está bem visto, sim.
“A segunda: neste momento, Portugal não tem Presidente da República.”
O que – descontado o tempo dedicado à criatura nos noticiários -, não faz qualquer diferença.
Tirando o facto de serem muito menores os riscos de o vermos babar-se sobre um qualquer dignitário, de nos embaraçarmos a vê-lo a esfarrapar a viatura própria numa parede (ao mesmo tempo que toda a gente faz de conta que não aconteceu nada, ele incluído), de nos pouparmos ao embaraço de o vermos a fazer figuras lamentáveis ao mesmo tempo que fingimos que a criatura traz um atestado de robustez psíquica cozido ao forro do casaco.
Enfim, na melhor das hipóteses, com um p.r. que não estivesse lelé da cuca, a presidência da república seria sempre uma dispendiosa inconsequência.
Talvez, mas é o tipo de despesa que está incluída no pacote da democracia, para recordar uma expressão feliz que ouvi há dias.