Quando o silêncio e o discernimento valem mais do que o ouro


Diogo Novo,

Esta manhã tinha no telemóvel uma mensagem de um amigo espanhol. O tom era jocoso e amigável, mas nas entrelinhas percebia-se que despontava aquele patriotismo do ¡Viva España! ¡Viva el Rey!. A mensagem resumia-se a um link de uma notícia do El País, acompanhado pela frase “pode ser que os postos da Galp em Espanha se lixem” (bom, não era exactamente “lixem”, mas a palavra que aqui uso serve perfeitamente para capturar o espírito da mensagem original).

Abri o link e a notícia era “A los patriotas se les identifica por la gasolinera – El ministro portugués de Economía, Manuel Caldeira Cabral, ha apelado al patriotismo de los conductores para que llenen los depósitos de sus vehículos en gasolineras del país, y no en las vecinas españolas.”

Se falta fizesse, fica mais uma vez demonstrado que aquilo que se diz em Portugal é lido no estrangeiro e, dessa forma, tem o potencial para afectar a imagem e a credibilidade do país lá fora. Resta agora esperar que os espanhóis continuem a adoptar a postura que sempre tiveram ao longo das últimas décadas – a de ignorar olimpicamente a política portuguesa – porque caso contrário alguns interesses económicos lusos em Espanha poderão sofrer as consequências do brilhantismo de S. Exa. o Ministro da Economia.

0 comentários em “Quando o silêncio e o discernimento valem mais do que o ouro”

  1. Conheço os espanhóis muito bem para saber que nada vai acontecer, por algo menos feliz que o Ministro da Economia disse. Não faça dessa mensagem, um alvo para denegrir este governo porque o que pode acontecer é os espanhóis acharem piada e fazerem um “chiste” e nada mais que isso.

    1. Vocês não têm vergonha? Fizeram uma barulheira incrível e mentirosa e insultuosa contra o governo anterior —um governo legítimo—, arranjam uma golpaça parlamentar e ainda andam por aí a dar palpites sobre o que devemos ou não devemos fazer? Quando é que nos vemos livre de vocês que destruíram Portugal e condenaram gerações à dependência do subsídio de desemprego ou a emigrar? vocês que sugam tudo o que o País produz para pagar os vossos subsídios de corte de cabelo; que não trabalham nem produzem sequer um alfinete e querem ter ordenados de 2500 euros limpos mais as regaliazinhas todas a que têm direito desde que nasceram? Quando é que vocês desaparecem e nos deixam viver em paz?

      1. “o governo anterior —um governo legítimo—, arranjam uma golpaça parlamentar” Continua a haver muita gente que nem sabe que existe uma Constituição. Iliteracia política. Ou será cegueira sectária? As duas coisas?

      2. Grande valentão que enobrece a direita pela brutalidade e chapada. Força, vá em frente, descarregue a raiva, mostre toda a deselegância que lhe é peculiar que os antigos membros do anterior governo não lhe agradecem pode ter a certeza.

        1. Continuam a atacar o mensageiro mas a verdade está à vista. Enquanto vocês não admitirem que são uns inúteis e que não fazem cá falta nenhuma, nunca vão conseguir ultrapassar as vossas limitações.

          1. Olhe-se ao espelho e veja quanta inutilidade destila. Reveja-se a si mesmo e veja quanta inutilidade armazena e o que demonstra quando destila, toda a raiva que armazena. Limitado é todo aquele que não consegue ver mais além e olha os outros como se olha a si mesmo. Use de civismo se quer ser levado a sério, caso contrário tudo o que vocifera não é digno de leitura. Vê-se o V e passa-se à frente.

    2. “Não faça dessa mensagem, um alvo para denegrir este governo”

      Dizer que o Ministro disse um grande disparate, que até pode ter algumas consequências negativas (esperemos que, como diz o Anónimo, não tenha), é “denegrir” ?!…

    3. Também conheço bem os espanhóis. Não o conheço é a si, Anónimo. E é por conhecer Espanha que escrevo que nada acontecerá já que têm o hábito de ignorar a política portuguesa – Pedro Sánchez foi inovador, mas teve a inteligência de não seguir à risca o exemplo português. Serve o caso para, mais uma vez, se ver a imagem que a pátria está a construir no estrangeiro.
      Mas, caro Anónimo, se o incomodou tanto este post, ide ouvir o que disse Catarina Martins à TSF a propósito do “moralismo” do senhor ministro da economia.

      1. Gostava de saber o que a Catarina Martins disse pois sou um admirador dela. E se disse muita asneira posso passar a ser admirador do Senhor Diogo Noivo.

  2. São os bancos, são os porcos, são os peixes, já é tudo espanhol.

    Talvez Madrid nos queira trocar pelos bascos, e continuam os filipes, este era o V em Portugal VI na Espanha.

  3. Avalio as mensagens pelo seu valor intrínseco, independentemente de quem as produz.
    Se não estou enganado, o próprio sentiu necessidade de esclarecer o que quis dizer.
    Se calhar, não foi feliz na forma (já li e ouvi outros comentários, mas não conheço as declarações originais e mal conheço o ministro, que, pelos vistos, só por isto se tornou notável).
    Devo dizer, no entanto, que não vejo mal nenhum na intenção do apelo feito.
    Também é minha convicção de que Espanha não dará importância nenhuma ao caso, pelo simples facto de o achar normal e de, em idênticas circunstâncias, provavelmente fazer o mesmo.
    Os apelos ao consumo do que é nacional é prática geral e diária e nem sempre tem a ver exclusivamente com a qualidade.
    Por que é que até nestas coisas teremos de fazer questão de sermos os melhores alunos?!…

  4. Denegrir, denegrir mesmo, é chamar “governo” aquela corja circense , incompetente e ridícula.
    Quanto ao combustível , para quem estiver de Estremoz para lá, nem precisa de se meter em Badajoz : corta à direita na rotunda de entrada e tem aí um posto.
    Para ainda valer mais a pena, almoço no “Pompílio” , S. Vicente ( passe a publicidade).

  5. este governo raramente é denegrido! O que acontece frequentemente é denigrir-se a ele próprio. São umas atrás de outras. Triste para Portugal.

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