Quando as previsões metem água


Pedro Correia,

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Vale a pena acompanhar com atenção as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Eu nunca perco uma.

Em Setembro, puseram-nos de prevenção: vinha aí um Outono quente e seco: «Vai voltar a verificar-se uma conjugação de anomalia positiva na temperatura e negativa na precipitação.»

Soaram os alarmes, desataram os badalos do catastrofismo milenarista, já nos imaginávamos como beduínos entre camelos nas areias do deserto.

Afinal era rebate falso. A chuva desse início de Outono «foi 158% superior à normal». Mais: este foi «o quarto Setembro mais chuvoso» do século em Portugal.

Em Outubro, as previsões voltaram a acertar ao lado: choveu imenso. A tal ponto que, segundo o próprio IPMA, esse período «correspondeu a 123% do valor da norma climatológica 1971-2000». 

E em Novembro? Todos sabemos como foi. Mas nada melhor do que registar o vocabulário científico. Ei-lo, com a devida vénia ao mesmo instituto público: «A situação de seca meteorológica desagravou-se em Portugal continental.» Eufemismo que significa: choveu durante quase todo o mês. Dois meses de chuva até «conseguiram transformar a cor de Portugal visto a partir do espaço».

Poiso o guarda-chuva, dispo a gabardina e recordo com alguma melancolia o boletim meteorológico do final do Verão que parecia formulado pelo Professor Karamba: «Outono será mais seco do que devia. A seca veio para ficar.»

E apetece-me deixar uma singela recomendação ao IPMA: prognósticos, a partir de agora, só no fim.

60 comentários em “Quando as previsões metem água”

  1. Boa noite Pedro Correia
    Com ou sem Karamba, presumo que haverá alguma acalmia esta madrugada mas o cenário amanhã é capaz de continuar muito cinzento. Agora sem k, caramba!
    Tenha um bom feriado.
    Saúde
    António Cabral

  2. Calma que, entretanto, os especialistas já estão numa roda viva nas tvs a explicar esta chuvada com as alterações climáticas, porque “o clima mais quente leva a maior evaporação no oceano, pelo que o ar carregado de água ao arrefecer à entrada do continente descarrega em força” mas acrescentam que as mesmas alterações climáticas estão a tornar difícil acertar previsões. Acabei de ouvir isto mesmo agora ao chegar do trabalho. Portanto, venha seca ou cheia a culpa será sempre das “alterações climáticas” e o IPMA assim como outros “especialistas” na matéria terão sempre como explicar estes “fenómenos” e os seus sistemáticos “tiros ao lado”. Lembro-me, assim de repente, das placas que assinalam a “mãe de todas as cheias do Guadiana” na segunda metade do séc XIX onde o rio subiu a níveis inacreditáveis (ainda hoje fico perplexo com o nível onde chegou em Mértola, por exemplo, parece-me sempre impossível) e também das grandes cheias dos anos 60 na região do Vale do Tejo e Oeste e pergunto-me, mas será que também foram as alterações climáticas as responsáveis? Não digo que elas não existam agora que este autêntico Carnaval em torno delas já enjoa, lá isso enjoa.

    1. É verdade. completamente de acordo consigo Sr. Luís. Estes políticos não tem memória, isto é de facto uma palhaçada. E pior é saber que por detrás de tudo isto estão outros interesses que não os verdadeiros interesses do planeta, bem como da humanidade. Andam-nos atirar poeira para os olhos como se fôssemos todos estúpidos.

      Ana Rita

  3. Há muito que não sigo as previsões do IPMA.
    Por defeito profissional (agricultura) sigo os sites internacionais e os nacionais de amadores de meteorologia muiti mais fiáveis.
    Por experiência própria já tive situações graves que consegui minimizar à conta deles, quandi o IPMA “dava” bom tempo sem avisos.
    Quando comparamos o IOMA5 com o AEMET espanhol é comparar a Maria Leal com a Maria Callas.
    Bom feriado

          1. O Pedro Correia ignora, talvez deliberadamente, que a direita portuguesa é amiga da elite angolana.

  4. diariamente depois de ver as ‘provisões mentirológicas’, vou a janela do quarto espreitar.
    devido à minha vida profissional conheço razoavelmente o assunto previsões e nele baseie toda a minha vida. a desgraça acontecia sempre na vulgaríssima aldrabice política, a única que resulta

      1. Aguardo pelo diploma do Pedro Correia em meteorologia. Sentado. Mas consta que ele é mais das humanidades, tão típica a mandar postas de pescada em blogs.

  5. Esta malta não percebe é nada de nada. E depois está na moda dizer que são as alterações climáticas como se em Portugal não tivessem existido cheias e chuvas no passado. Em tempos conheci um velho pescador que só de olhar em terra para o céu, explicava tudo sobre o tempo. Excepcional, de meter inveja a qualquer meteorologista.

    Ricardo Sousa

    1. Os especialistas em prever alterações climáticas justificam as falhas de previsão… devido às alterações climáticas.
      Parece uma rábula do Ricardo Araújo Pereira em sessões contínuas.

  6. O Arquiteto Ribeiro Teles fartou-se de explicar como evitar estas situações, mas não o levaram a sério-
    Dno

      1. Safa-te Moedas, não vão pensar que por causa de ‘primeiro as pessoas’ não houve previsão como deveria ter havido nos fogos.
        Sempre tem havido cheias em Lisboa quando chove a potes e com maré cheia, seja qual for o presidente da CML, mas parece que com o Moedas não podia acontecer.
        Agora vamos à empreitada, que estava mesmo a precisar duma cheiasinha.

          1. Vocês ?
            A Lusa em 2014 tinha lá o controleiro Luís, alarmista da actualidade, e nesse ano na zona de Lisboa a chuva não dava desculpas ou então seria por causa do s. pedro, o S. Pedro não o Pedro que lá tinha estado a tratar do túnel do Marques.

  7. Com o video que uma mulher colocou a circular do Gonçalo Ramos a bater uma sarapitola. É que vamos ver as alterações climáticas no seio da selecção e o quanto vão afectar o jogador.

  8. Eu não sei o que é que é melhor, se são as previsões se são as precauções.
    Previsão; muita chuva. Precaução; não saia de casa.
    Previsão; muita afluência aos hospitais. Precaução; não adoeça.
    Vendo bem até parece que estão equiparadas.

          1. Já me tinha esquecido que hoje era feriado, este foi um dos que foi reposto, não foi?

  9. O Pedro Correia é que deve ser o expert em meteorologia. É tão expert que nunca ouviu falar em alterações climáticas.

    1. Pressupõe-se que o IPMA nos alerte para isso. Para as alterações climáticas. Que sempre houve.
      Se não houvesse alterações climáticas, o IPMA servia para quê?

      Se é incapaz de prever em Setembro que haverá chuva forte no Outono, fechem o IPMA. E ponham lá o “professor” Bambo. O resultado é o mesmo, mas fica mais barato.

        1. Em 2014 houve cheias em Lisboa. Eram Costa presidente e Medina vice-presidente da Câmara.
          Apareceram juntos aos jornalistas. Costa encolheu os ombros e disse uma graçola:
          1: «A solução não existe.»
          2. «São Pedro goza de um estatuto de imunidade que está acima das responsabilidades.»
          https://www.jornaldenegocios.pt/economia/autarquias/detalhe/antonio_costa_nao_existe_solucao_para_as_cheias_em_lisboa

          Estes sim, são autarcas modelares.

  10. Em se falando do IPMA, o que mais me espanta é a grande quantidade de técnicos (ia a escrever sábios, mas recuei) que aparecem na televisão a explicar estas coisas. Antigamente víamos um ou dois, agora são às dúzias. Pode não ser bem assim, me é o que me parece.

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