Se existe excesso de consumo de antibióticos em Portugal, a responsabilidade é de quem? Muitos médicos têm a suprema lata de afirmar que a culpa é dos utentes, que os pressionam e não se sentem bem atendidos se não levarem um antibioticozinho para casa. Um argumento irresponsável, inaceitável, mas que há muitos anos me é familiar.
Há clínicos que até classificam alguns fármacos como medicamentos de consultório, explicando que só na privada os receitam para contentar o cliente.
Observo que muitos idosos são despachados com resmas de medicamentos só para que descolem mais rapidamente da consulta. A ansiedade provocada pelos padecimentos da velhice é tratada assim, sem paciência, sem critério, sem responsabilidade. Agora começamos a pagar a factura. E o laxismo, em saúde, paga-se caro. Sempre.


Muito bem. Infelizmente os órgãos de informação têm também muita responsabilidade na difusão desse clima de pânico ao fazerem histéricas parangonas com ‘epidemias’ e ‘pandemias’, reais ou imaginárias, procurando impressionar ao máximo pessoas fragilizadas, que assim se rendem ainda mais facilmente aos químicos que os médicos estão sempre prontos a receitar.
Os antibióticos tornaram-se um medicamento de consumo trivial como a aspirina. Isto infelizmente só revela falta de informação e uma tremenda irresponsabilidade da parte das pessoas que supostamente deveriam fazer o papel de informadores ( médicos). Provavelmente, os utentes não se sentiriam tão seguros com o tal “antibioticozinho” se lhes fosse explicado as consequências graves de uma toma inadequada.
Eu costumo telefonar para o posto médico a indicar os medicamentos que quero na receita e depois passo por lá a buscá-la.
Nunca falhou até agora.
É prático, mas convenhamos, nada responsável (estou a referir-me ao médico que os passa, claro)