– Booom diiiaaaa!!! És tu, amor? O meu tigre de Bengala, o meu Rei-Leão? Grrrr…
– Hã… bom dia. Como vai, cara colega? Desculpe, será possível falarmos um pouco mais tarde?
– Ohhhh!… snif… porque é que me estás a tratar assim depois da nossa noite selvagem, meu Tarzan? Já não sou a tua Jane???… snif… Ah, prontos, já percebi: deves estar numa daquelas tuas chatéééérrrrimas reuniões de administração e não podes falar. É isso?
– Exactamente. Muito bem, terei muito gosto em ligar-lhe depois para discutirmos o assunto. Até breve.
– Espera, espera! Só uma perguntinha rápida, então: sabes aquelas cuequinhas-fio-dental que tu adoras e eu tinha ontem, sabes?
– Hum, hum…
– Pois é… perdi-as! Acho que as deixei no teu carro, mas não me lembro onde…


Cada vez mais, o carro é elemento essencial do engate. Tanto que até as cuequinhas ficam engatadas no veículo.
É o velho chavão, João… admira-me que ainda continue a funcionar tão bem, sabes?
Já me tinha constado.
Aaah, pois, pois, agora já se percebe bem porque é que querias um Mercedes… Mas olha que um leão, quando sabe mostrar a sua raça, não lhe fica atrás! Só que…, lá está,… não tem o tal estendal, tem de segurar aquelas tais pecinhas nos dentes…
E descapotável ainda pior.
Fabulástico!
Fabu-elástico, no caso!
🙂
A jovem tigresa, depois daquela noite tórrida em que perdera o norte, mas em que ganhara outras coisas bem mais essenciais, já não se lembrava onde é que tinha deixado aquela pecinha íntima especial. O Tarzan foi investigar e a mesma lá estava, no sítio mais óbvio possível: – na frente da máquina, sobre o capot, naquele estendal redondo, a secar.
– São estes pequenos pormenores que distinguem um carrinho dum carrão, pensou sorrindo. Afinal, um Mercedes é sempre um Mercedes…
Divirto-me a imaginar esta conversa em alta-voz, com o carrão estacionado à porta da empresa e os administradores todos a irem à janela por qualquer razão… pequenas vinganças minhas sobre machões encartados.
🙂
Ó Ana, ainda me estou a rir com esta pérola que aqui nos trouxe e com o que já me diverti com isto. O símbolo está muito bem ‘aproveitado’, e este da Mercedes, para o bem e para o mal, já tem servido para tudo e para mais alguma coisa. É uma imagem absolutamente planetária e que por isso não tem preço.
Proponho este seu post para os Leões de Ouro de Cannes, que lhe parece? Abraço! ;-))
Obrigada, Luís! Mas creio que este anúncio de imprensa já foi mesmo premiado. Eu limitei-me a legendá-lo…
😉
Parece-me que com um ‘troféu’ destes, não seria difícil a este rapaz ser nomeado pelos seus pares presidente do C. Administração ou director geral da empresa. O empreendedorismo (como agora se usa) exige criatividade e ele mostrou estar à altura dos novos desafios.
Hummm… olhe que a criatividade pode ter sido dela…
😉
Mercedes soa a clássico. Eis, pois, um exemplo clássico de publicidade sexista. Só ultrapassado, cá na parvónia, pelos anúncios das cervejas, sobretudo no Verão.
Tocaste no ponto exacto, Pedro. Este é um caso emblemático do que eu dizia no post anterior desta série: uma ideia criatriva genial, um conceito insuportavelmente machista.
Quando é que a publicidade deixa de sugerir que carros e mulheres se equivalem e se completam como objectos de prazer, como se fossem a mesma coisa? O mundo mudou, as mulheres já guiam elas próprias estes carrões há que tempos, caramba! E muitas delas competem em salários com os homens (as que podem aspirar a comprar estas bombas, pelo menos), e algumas até sustentam os seus homens!
Ora vejamos:
“Chavões”… “insuportavelmente machistas”…
-aqui estão certos pontos de vista (feministas (!?) que eu nunca haverei de entender, burrinho como sou…
Se são as mulheres que inventam estas coisas de cuecas “fios dentais”, e mais estas:
https://delito.brucke-multimedia.com/images/2010/QdjAbYwoM0j8dEkPe4DK.jpg
– e mais estas:
https://delito.brucke-multimedia.com/images/2010/yzLfZJfAz7O4Fzs9GnLE.jpg
– e ainda mais estas:
https://delito.brucke-multimedia.com/images/2010/zKwnEHllRRCV6vtePzeN
Pergunto eu: – porque que se queixam as mulheres?
-Se os homens se atiram ou se metem com elas, são machistas insuportáveis; se, pelo contrário, lhes não ligam nem se interessam, queixam-se amargamente, “aqui d’el rei” que só há larilas!…
Definam-se, de uma vez por todas, porra!!! Como diz o outro, “ou sim ou sopas”…
Explico… não explico… explico… não explico… não explico!
Olhe, Milan, kem-lhe-dera a si perceber este post, quanto mais as mulheres! Esqueça.
Ou o contrário… Kem me Dera a mim perceber as mulheres, quanto mais este post!
De qualquer forma, Ana, muito obrigado pela explicação. Fiquei esclarecido!
Não duvido, meu caro. Até acho que já vinha esclarecido de casa…
De qualquer forma… e já que não tenho um Mercedes, guardei o fio-dental na minha galeria.
Vou emoldurá-lo; quem sabe, fará jeito um dia…
Boa, Ana Vidal.
BenZa Deus, pelo seu humor.
Ajuda a esquecer estas altas temperaturas que só me dão para não fazer nada.
É essa a ideia, Teresinha. Mas olhe que os nossos comentadores de sexo masculino talvez tenham sentido ainda mais calor, com este post…
🙂
Cá para mim isto é um caso de homicidio, vou ligar para o Caruso (cenoura),a pobre da moça foi atropelada pelo gajo da Mercedes e a prova está naquela singela peça artistica conhecida por fio-dental.
-Estou? Caruso? Epá podes dar-nos uma ajuda?
-Não, não tem nada a ver com o caso da PT, é que uma moça, a Jane, desconfiamos que foi atropelada, podes vir cá verificar o ADN?
-Véri uel, bâte uérize de problême?
-Achamos que ela ficou enroscada numa roda do símbolo da Mercedes.
-Uóte? enrroscaide? áime going aze soune, véri raipede… bai bai siu lâiter
Eheheheh.
Áimegoing ou Ongoing?
Bem visto ana, olho clínico!
🙂
O anuncio até poderia ser interessante e não sexista, caso o diálogo entre os intervenientes não colocasse a senhora num contexto profissional indeterminado , mas seguramente pouco diferenciado, a interromper o senhor administrador numa reunião importante. O merdelim destes anúncios é exactamente este, não é o aproveitamento das cuequinhas-fio-dental a sugerir o símbolo da Mercedes, que pelo contrário me parece genial. Podiam por exemplo, ter dado o mesmo estatuto aos intervenientes no diálogo, eventualmente serem os dois membros do conselho de administração…, mas isso, lá está, não passa pela cabeça dos machões da mercedes
Não, Ariel… o diálogo é meu! Claro que é sexista, mas foi inteiramente de propósito.
(e aqui para nós que ninguém nos ouve, às vezes quem me dera ser um desses “machões da Mercedes”… lol)
🙂
Lol está provado à saciedade que eu de anúncios não percebo nienté :))) como ligo pouco à publicidade, poderia dar-se o caso deste me ter escapado, mas presumo que me fiz entender…
Claro que sim, Ariel. E eu subscreveria completamente o seu comentário se o copy original fosse este diálogo.
🙂
O que vale é que nos dias que correm dá-se o impensável: – não é mesmo que o ícone “carrão” tb funciona no sentido inverso?!
Não pratico, mas dá-me gozo ver: troca-se a posição relativa dos sexos, usam-se as mesmas armas e o pescado morde o anzol na mesmíssima. Claro que o ridículo continua a ser atroz, mas é sem dúvida uma… grande vingança 🙂 🙂
Nem mais, Chloé. O que significa que naquele “estendal” podiam estar outras peças íntimas, e que os papeis neste diálogo podiam perfeitamente ser trocados…
Mas a publicidade, por enquanto, ignora completamente este facto.