Publicidade a quanto obrigas (3)


Ana Vidal,

 

– Booom diiiaaaa!!! És tu, amor? O meu tigre de Bengala, o meu Rei-Leão? Grrrr…

– Hã… bom dia. Como vai, cara colega? Desculpe, será possível falarmos um pouco mais tarde?

– Ohhhh!… snif… porque é que me estás a tratar assim depois da nossa noite selvagem, meu Tarzan? Já não sou a tua Jane???… snif… Ah,  prontos, já percebi: deves estar numa daquelas tuas chatéééérrrrimas reuniões de administração e não podes falar. É isso?

– Exactamente. Muito bem, terei muito gosto em ligar-lhe depois para discutirmos o assunto. Até breve.

– Espera, espera! Só uma perguntinha rápida, então: sabes aquelas cuequinhas-fio-dental que tu adoras e eu tinha ontem, sabes?

– Hum, hum…

– Pois é… perdi-as! Acho que as deixei no teu carro, mas não me lembro onde…

32 comentários em “Publicidade a quanto obrigas (3)”

    1. Aaah, pois, pois, agora já se percebe bem porque é que querias um Mercedes… Mas olha que um leão, quando sabe mostrar a sua raça, não lhe fica atrás! Só que…, lá está,… não tem o tal estendal, tem de segurar aquelas tais pecinhas nos dentes…

  1. A jovem tigresa, depois daquela noite tórrida em que perdera o norte, mas em que ganhara outras coisas bem mais essenciais, já não se lembrava onde é que tinha deixado aquela pecinha íntima especial. O Tarzan foi investigar e a mesma lá estava, no sítio mais óbvio possível: – na frente da máquina, sobre o capot, naquele estendal redondo, a secar.
    – São estes pequenos pormenores que distinguem um carrinho dum carrão, pensou sorrindo. Afinal, um Mercedes é sempre um Mercedes…

    1. Divirto-me a imaginar esta conversa em alta-voz, com o carrão estacionado à porta da empresa e os administradores todos a irem à janela por qualquer razão… pequenas vinganças minhas sobre machões encartados.
      🙂

      1. Ó Ana, ainda me estou a rir com esta pérola que aqui nos trouxe e com o que já me diverti com isto. O símbolo está muito bem ‘aproveitado’, e este da Mercedes, para o bem e para o mal, já tem servido para tudo e para mais alguma coisa. É uma imagem absolutamente planetária e que por isso não tem preço.
        Proponho este seu post para os Leões de Ouro de Cannes, que lhe parece? Abraço! ;-))

      2. Parece-me que com um ‘troféu’ destes, não seria difícil a este rapaz ser nomeado pelos seus pares presidente do C. Administração ou director geral da empresa. O empreendedorismo (como agora se usa) exige criatividade e ele mostrou estar à altura dos novos desafios.

    1. Tocaste no ponto exacto, Pedro. Este é um caso emblemático do que eu dizia no post anterior desta série: uma ideia criatriva genial, um conceito insuportavelmente machista.
      Quando é que a publicidade deixa de sugerir que carros e mulheres se equivalem e se completam como objectos de prazer, como se fossem a mesma coisa? O mundo mudou, as mulheres já guiam elas próprias estes carrões há que tempos, caramba! E muitas delas competem em salários com os homens (as que podem aspirar a comprar estas bombas, pelo menos), e algumas até sustentam os seus homens!

      1. Ora vejamos:

        “Chavões”… “insuportavelmente machistas”…

        -aqui estão certos pontos de vista (feministas (!?) que eu nunca haverei de entender, burrinho como sou…
        Se são as mulheres que inventam estas coisas de cuecas “fios dentais”, e mais estas:

        https://delito.brucke-multimedia.com/images/2010/QdjAbYwoM0j8dEkPe4DK.jpg

        – e mais estas:

        https://delito.brucke-multimedia.com/images/2010/yzLfZJfAz7O4Fzs9GnLE.jpg

        – e ainda mais estas:

        https://delito.brucke-multimedia.com/images/2010/zKwnEHllRRCV6vtePzeN

        Pergunto eu: – porque que se queixam as mulheres?

        -Se os homens se atiram ou se metem com elas, são machistas insuportáveis; se, pelo contrário, lhes não ligam nem se interessam, queixam-se amargamente, “aqui d’el rei” que só há larilas!…

        Definam-se, de uma vez por todas, porra!!! Como diz o outro, “ou sim ou sopas”…

        1. Explico… não explico… explico… não explico… não explico!
          Olhe, Milan, kem-lhe-dera a si perceber este post, quanto mais as mulheres! Esqueça.

          1. Ou o contrário… Kem me Dera a mim perceber as mulheres, quanto mais este post!

            De qualquer forma, Ana, muito obrigado pela explicação. Fiquei esclarecido!

          2. De qualquer forma… e já que não tenho um Mercedes, guardei o fio-dental na minha galeria.
            Vou emoldurá-lo; quem sabe, fará jeito um dia…

  2. Boa, Ana Vidal.
    BenZa Deus, pelo seu humor.
    Ajuda a esquecer estas altas temperaturas que só me dão para não fazer nada.

  3. Cá para mim isto é um caso de homicidio, vou ligar para o Caruso (cenoura),a pobre da moça foi atropelada pelo gajo da Mercedes e a prova está naquela singela peça artistica conhecida por fio-dental.

    -Estou? Caruso? Epá podes dar-nos uma ajuda?
    -Não, não tem nada a ver com o caso da PT, é que uma moça, a Jane, desconfiamos que foi atropelada, podes vir cá verificar o ADN?
    -Véri uel, bâte uérize de problême?
    -Achamos que ela ficou enroscada numa roda do símbolo da Mercedes.
    -Uóte? enrroscaide? áime going aze soune, véri raipede… bai bai siu lâiter

  4. O anuncio até poderia ser interessante e não sexista, caso o diálogo entre os intervenientes não colocasse a senhora num contexto profissional indeterminado , mas seguramente pouco diferenciado, a interromper o senhor administrador numa reunião importante. O merdelim destes anúncios é exactamente este, não é o aproveitamento das cuequinhas-fio-dental a sugerir o símbolo da Mercedes, que pelo contrário me parece genial. Podiam por exemplo, ter dado o mesmo estatuto aos intervenientes no diálogo, eventualmente serem os dois membros do conselho de administração…, mas isso, lá está, não passa pela cabeça dos machões da mercedes

    1. Não, Ariel… o diálogo é meu! Claro que é sexista, mas foi inteiramente de propósito.
      (e aqui para nós que ninguém nos ouve, às vezes quem me dera ser um desses “machões da Mercedes”… lol)
      🙂

      1. Lol está provado à saciedade que eu de anúncios não percebo nienté :))) como ligo pouco à publicidade, poderia dar-se o caso deste me ter escapado, mas presumo que me fiz entender…

  5. O que vale é que nos dias que correm dá-se o impensável: – não é mesmo que o ícone “carrão” tb funciona no sentido inverso?!
    Não pratico, mas dá-me gozo ver: troca-se a posição relativa dos sexos, usam-se as mesmas armas e o pescado morde o anzol na mesmíssima. Claro que o ridículo continua a ser atroz, mas é sem dúvida uma… grande vingança 🙂 🙂

    1. Nem mais, Chloé. O que significa que naquele “estendal” podiam estar outras peças íntimas, e que os papeis neste diálogo podiam perfeitamente ser trocados…
      Mas a publicidade, por enquanto, ignora completamente este facto.

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