Os que agora berram contra a subsídio-dependência da cultura portuguesa (reparem no vocabulário desta gente) são provavelmente os mesmos que lamentaram a destruição das pescas e o fim da nossa indústria. Custa-nos assim tanto compreender que num país periférico de um continente envelhecido as actividades culturais são uma fonte rara de bens e serviços transacionáveis, vocacionados para a exportação? Ou ainda não é desta?
Lemmings.
vidabreve,

As teses de Pacheco Pereira fazem escola, deixando por aí uma imensidão de discípulos. Neste capítulo da ‘subsidiodependência’, como em vários outros – o ‘populismo’, a ‘política de verdade’, o mundo visto de um banco do jardim de Santo Amaro.
Claro que sim, a cultura é uma actividade geradora de riqueza. E cria empregos, alimenta a identidade, desvia os olhos do nosso umbigo feio, contribui para a felicidade. Mas em Portugal cultura continua a ser um pacote de 100 canais de televisão e está feito.
Sobre isto, e a subsidio-dependência, até a Mª Filomena Mónica mudou de opinião.
Eu diria ainda mais, Luís: as actividades culturais – a nossa identidade cultural, que envolve muita coisa – são praticamente a única fonte de oferta de “bens e serviços transacionáveis” que nos resta. Ignorá-lo é perdermos o último combóio, não só na preservação dessa identidade cultural como na rentabilização de um Turismo de qualidade, que nos traga para cá alguma coisa que não seja o pé descalço e os saudosos desse oásis chamado Benidorm.
Há já algum tempo concluí que a distinção entre um país desenvolvido e um país subdesenvolvido recai apenas na dificuldade que os seus cidadãos demonstram em aprender com os erros do passado.
Lembro-me que, depois de muito questionado, aquando do balanço da governação anterior, Sócrates acabou por conceder que teve um (um!) ponto fraco: pouco apoio à Cultura, que iria corrigir neste mandato.
Ou estarei a sonhar?