Lemmings.


vidabreve,

Segundo o “Creative Economy Report 2008″ das Nações Unidas, o sector cultural e criativo representava, em 2005, 3,4% do comércio mundial. Mais recentemente, Augusto Mateus coordenou um estudo onde se concluía que o sector cultural e criativo representava 2,8% da riqueza gerada em Portugal (3,691 milhões de euros) e que dava emprego a 126 mil pessoas.

Os que agora berram contra a subsídio-dependência da cultura portuguesa (reparem no vocabulário desta gente) são provavelmente os mesmos que lamentaram a destruição das pescas e o fim da nossa indústria. Custa-nos assim tanto compreender que num país periférico de um continente envelhecido as actividades culturais são uma fonte rara de bens e serviços transacionáveis, vocacionados para a exportação? Ou ainda não é desta?

5 comentários em “Lemmings.”

  1. As teses de Pacheco Pereira fazem escola, deixando por aí uma imensidão de discípulos. Neste capítulo da ‘subsidiodependência’, como em vários outros – o ‘populismo’, a ‘política de verdade’, o mundo visto de um banco do jardim de Santo Amaro.

  2. Claro que sim, a cultura é uma actividade geradora de riqueza. E cria empregos, alimenta a identidade, desvia os olhos do nosso umbigo feio, contribui para a felicidade. Mas em Portugal cultura continua a ser um pacote de 100 canais de televisão e está feito.
    Sobre isto, e a subsidio-dependência, até a Mª Filomena Mónica mudou de opinião.

  3. Eu diria ainda mais, Luís: as actividades culturais – a nossa identidade cultural, que envolve muita coisa – são praticamente a única fonte de oferta de “bens e serviços transacionáveis” que nos resta. Ignorá-lo é perdermos o último combóio, não só na preservação dessa identidade cultural como na rentabilização de um Turismo de qualidade, que nos traga para cá alguma coisa que não seja o pé descalço e os saudosos desse oásis chamado Benidorm.

  4. Há já algum tempo concluí que a distinção entre um país desenvolvido e um país subdesenvolvido recai apenas na dificuldade que os seus cidadãos demonstram em aprender com os erros do passado.

    1. Lembro-me que, depois de muito questionado, aquando do balanço da governação anterior, Sócrates acabou por conceder que teve um (um!) ponto fraco: pouco apoio à Cultura, que iria corrigir neste mandato.
      Ou estarei a sonhar?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *