Psicodrama à mesa


Pedro Correia,

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“Os portugueses sabem comer bem e apreciam boa comida.” Oiço esta frase desde sempre e há muitos anos que a contesto.

Penso cada vez mais o contrário. E tenho a prova por estes dias. Janto num dos restaurantes que servem melhor peixe e marisco em Lagos. Fica junto à lota, os frutos do mar desembarcam praticamente do barco para a cozinha.

Aqui só como peixe, devo confessar. Apesar disso, nas mesas em redor escuto insistentes pedidos de gente a suplicar por “bitoque” e “picanha”. O que me deixa estarrecido.

 

Há dois dias, um miúdo malcriado pôs-se a fazer birra, dizendo que só comia piza. Com palavrinhas doces, os pais procuravam convencê-lo que ali não havia disso: o “melhor” que se arranjava era um hambúrger.

Ao fim de muito tempo, lá acabaram num consenso: o puto acedeu mas o pai da criancinha teve de implorar por um prato “cheio de batatas fritas” para calar o palerma do filho. Que daqui a uns anos andará obeso e a competir no campeonato nacional do colesterol.

 

Enquanto este psicodrama decorria, eu degustava um petisco bem algarvio: barriga de atum, acompanhada com batata cozida e salada mista, temperada a meu gosto. Pensando: a instrução gastronómica faz parte da educação integral. Os pais que começam por falhar aqui, acabam por falhar em quase tudo.

Depois são capazes de culpar tudo e todos: o Estado, o Governo, os partidos, os políticos, sei lá o quê.

Mas a culpa é só deles – e dos péssimos exemplos que dão aos filhos.

32 comentários em “Psicodrama à mesa”

      1. Agora, quando vier para cima, faça uma paragem no Montijo e jante na “Casa do Pescador”. Escolher carne naquele restaurante dá direito a reprimenda!:-)

        P.S.: o peixe éde bradar aos céus! Boas férias.

  1. Excelente Post!

    Um país de obesos!!!

    O Pedro Correia está dirigir esta mensagem as gerações mais novas da fast food.
    Que não sabem distinguir um linguado de um pregado.

    E depois estas raparigas de agora não sabem cozinhar, nem querem saber, é mais fácil comprar comida sintética, o micro-ondas resolve o resto.
    (o homem é que se lixa)

    Estas raparigas de agora é vê-las gordas e banhudas na praia armadas em modelos, daí a proliferação de raparigas solteiras, grande parte delas chegam aos 26 anos e já pesam 110 Quilos.
    É um problema sério e de peso para a saúde.

    No futuro seremos um país maioritariamente de badochas todos a vestir XXL, e a ocupar dois lugares nos transportes públicos, e aqui sim, teremos problemas sérios de todos os níveis.

    E como diz o PC depois a culpa é do Estado,do Governo,dos Partidos, dos políticos e o diabo a sete.

    Mas a verdade é que a culpa é toda da exclusividade das mães !!!!!!

    Manuel Caseiro

  2. Burgessos com filhos gordos e ordinários aos gritos nos restaurantes. Fruto da pandemia, já me tinha esquecido dessa praga.
    Maldita a hora em que li este post.

    Boas férias!

  3. Ó Pedro Correia,
    para quantas pessoas era aquilo que está na mesa?…
    De resto, totalmente de acordo.
    E a foto sozinha até já alimenta. Que inveja!…
    Boas férias.

  4. Passam anos a enfardar lixo, tornam-se obesos e diabéticos. Mas, se apanham o coronavírus e morrem, a culpa é exclusivamente da COVID. De génio.

        1. Quando a senhora afirmou que não se podia comer bife todos os dias houve um escândalo nacional. Ia caindo o Carmo e a Trindade.
          Hoje qualquer um diz o mesmo e todos batem palminhas.

  5. Fale por si, fale por si.
    Filho meu nunca meteu as patas num Mac ou parecido.
    E sempre comeu a comida dos adultos (essa coisa de um prato diferente para a criança acabou ao ano de idade, não há cá dessas modernices).
    Gosta de mais umas coisas do que outras, volta e meia dá uns achaques (agora não gosta de caracóis, mas em compensação já agora sardinhas assadas), mas avia quase tudo, incluindo umas moelas, um bacalhau assado ou uma chouriça.

    Só por isso, deu a vontade de fazer uma salada montanheira para acompanhar a janta.

    Ps: lembrei de uma discussão com um tipo que defendia que atum em lata era muito melhor que um bife.

    1. A alimentação deve ser variada e tão saudável quanto possível. E os pais têm o dever de educar os filhos também no capítulo alimentar.
      Putos birrentos a exigirem aos berros “pratos de batatas fritas” em locais públicos deixam antever o pior cenário dentro das paredes domésticas. Não apenas à mesa, mas no comportamento em geral.

      1. Os putos comem o que os pais lhes dão.
        Aqui em casa, o que se mete na mesa é para comer. Não há cá bacalhau com natas para os adultos e uma salsicha para a jovem petiza.
        E só se começa a comer quando está tudo sentado. Vá lá, TV ligada (sou um fraco, gosto de ouvir as notícias), mas só. Nem como bebé havia paneleirices de música e telemóvel.
        E no restaurante é como deve ser: caladinha, sentada e a respeitar empregados e restantes clientes.

        Ps: não havia orégãos, a salada não ficou a 100%

        PS2: história gira, uma senhora saiu de um restaurante (sushi) porque eu disse à empregada para chamar a atenção de uma cliente, já que se os fedelhos dela não parassem de correr pela sala e bater nas pessoas eu ia pessoalmente falar com a mamã deles. A senhora não gostou do atentado às liberdades individuais dos pirralhos e abandonou as instalações.

    1. Isso é verdade. Mas temos excelente peixe a preços muito razoáveis em grande parte do país.
      E a acumulação de bitoques (mais as batatas fritas hipergordurosas que lhes vêem associadas) paga-se mais tarde, bem caro, de outra maneira.

      1. Pedro, recomendo :

        Restaurante Lobo do Mar

        Tv. de Rudolfo de Mesquita 48, 4455-204 Lavra
        930 487 918

        Comemos umas sardinhas, mais umas espetadas de peixe e gambas, regadas a vinho maduro branco. De sobremesa uma coisa qualquer de frutos vermelhos divinal. Por fim acabamos a sangria das mulheres servida num tipo de aquário. Por fim uma aguardente velha gelada. 35 € por casal.

        PS:Doi-me ligeiramente a cabeça. Julgo ficar por aqui.

        PS2:Abraço

    1. Sempre me fez alguma confusão as pessoas que, em férias, vão ao restaurante comer bitoques. Se há prato que se faz em casa a qualquer altura, no ano inteiro, é este mesmo.

  6. Frutos do mar? O que são?
    Barriga de atum, até dá gosto ver a imagem.
    Habituar as crianças a boa alimentação à base de peixe, pode ser experimentada
    precisamente na altura das férias junto ao mar.
    ‘Tens que comer isso, aqui é assim’, será a forma de convencer os miúdos a comer peixe. Dar peixe grelhado ou frito que é mais gostoso e deixar comer à mão que assim vão tirando as espinhas, estragam mais que o que comem mas sempre comem qualquer coisa. Agora o peixe é caro, mas no início dos anos 80, em Milfontes, entre carapaus e sardinhas assados o meu filho comeu à mão mais de 10 peixes.

  7. O que eu gosto mesmo é de bitoque!
    Bitoque ao almoço e bitoque ao jantar.
    E esta cambada de comunas quer que sejamos todos iguais na diversidade da alimentação.

  8. Tenho que admitir que, com muito trabalho, horários malucos e ter casa fora de Lisboa, leva-nos facilitar a confeccionar refeições consensuais, bem mais do que se gostaria. Habituar as crianças a comer de tudo é a prâtica a seguir, ou cozinha-se de modo a que todos comam o que gostam para evitar stresses e digestões de 6 horas?
    Existe o factor tempo, ou a falta dele , mas também existe a falta de vontade e de conhecimento para a culinária que se encontra cada vez mais entre as camadas mais jovens. “Mandar vir” é prâtica corrente e a oferta é cada vez maior. A comida por melhor confeccionada que seja nunca é comida caseira. É fácil e não é mau. Ter trabalho para quê se se pode mandar vir?
    Agora o mau comportamento das crianças, seja ele onde for, na rua , no restaurante, em casade amigos , isso sim ultrapassa os limites do aceitâvel. E isso inclui a gritaria, as birras, as corridas por entre as mesas, mexer nas decorações, e objectos expostos, etc. Chama-se falta de educação e não há desculpa para tais maneiras. Evidentemene que a culpa não é das crianças.

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