Muitas vezes o caminho mais rápido para a derrota é a vitória. Tenho pensado nisto a propósito da vitória eleitoral do PSD em Junho, nas europeias. Foi uma vitória que fez mal ao partido. Apesar de ter sido pouco expressiva, criou um ambiente de euforia na direcção social-democrata e entre os seus apoiantes mais acérrimos que lhes fez perder todo o discernimento. Pensaram que a partir daí eram favas contadas: bastava o inegável descontentamento existente no País contra o Governo socialista para que isso se traduzisse automaticamente em votos no PSD em Setembro. Os blogues que apoiavam Manuela Ferreira Leite foram a melhor confirmação deste prematuro estado de euforia, nada condizente com a realidade: já se profetizava, com inabalável convicção, o novo poder laranja. Alguns lançaram até anátemas internos contra aqueles que, nas hostes sociais-democratas, não seguiam a ‘linha justa’ e teimavam em criticar a líder pela desastrada escolha dos temas prioritários da campanha e pelos erros cometidos na formação das listas eleitorais.
PSD: como perder ganhando
Pedro Correia,
Quem tinha razão eram os críticos, sabe-se agora. Aqueles que não se iludiram com o bom resultado do PSD em Junho e alertaram em devido tempo contra os excessos de euforia e a necessidade de unir primeiro o partido para depois conquistar o País. A ‘linha dura’ de Ferreira Leite fez orelhas moucas a tais conselhos, escutando apenas as vozes acríticas dos incondicionais. Os resultados estão hoje à vista.

Como é que os criticos podem ter razão, se são a favor do ENDIVIDAMENTO de Portugal !!??
Você parece o Lucky Luke: é mais rápido que a própria sombra.
mas é verdade, Pedro Correia, o que estava em causa nestas eleições legislativas era principalmente o ENDIVIDAMENTO de Portugal, os criticos do PSD ao apoiarem implicitamente José Socrates, o Madoff português, demonstraram que estão com Socrates, nesta questão fulcral para a economia portuguesa!
Quando fala nos ‘críticos’ refere-se aos eleitores?
Este postal do PC deverá servir de bíblia para todos os laranjas. Uma bíblia que não precisa de jogadas de marketing ao estilo Saramago…
Um abraço, João.
O que ressalta é que as pessoas do PSD, a seguir às eleições europeias, acreditaram que o PSD não precisava de trabalhar para ganhar as eleições – bastava-lhe esperar que o PS as perdesse.
Em o PS perdendo, automaticamente a vitória teria que cair no regaço do PSD, pensaram eles. Não haveria terceiros partidos – CDS e BE – a crescer e ficar com os louros.
Eles pensaram que não era preciso o PSD ter estratégia, nem programa, nem credibilidade, nem boas listas – a vitória do PSD seria, apenas, a consequência inevitável da derrota do PS.
Todos os erros decorreram deste erro básico: o de que bastava dizer suficientemente mal do governo PS e esperar suficientemente que este se enterrasse, que então a vitória do PSD seria automática.
Agora ficaram a saber que não é assim – que há terceiros partidos e que, de qualquer forma, por muito mau que o PS seja, o povo pode julgar que o PSD é ainda pior.
Plenamente de acordo.
Realmente, o grande mal do PSD é não seguir os seus conselhos…
Tem os seus, que são brilhantes.
Talvez o fossem se, não me enxergando, eu ousasse dá-los e viesse depois pôr-me em bicos de pés e aos gritos de “Eu não avisei?”.
Está, porém, redondamente enganado. Mais uma vez e como é habitual.
Você, pelo contrário, está absolutamente certo(a). Como também é habitual.