José Sócrates foi ontem empurrado para a demissão pela exclusiva vontade do eleitorado, que atribuiu ao PS o pior resultado desde 1987. Com menos votos e menor percentagem do que os obtidos pelo PSD de Santana Lopes na eleição de 2005 que ditou a primeira – e única – maioria absoluta até hoje obtida pelos socialistas.
Embora forçada pelas circunstâncias, esta demissão sem delongas foi uma nota digna na noite eleitoral. Mas o discurso de Sócrates no Altis confirmou alguns dos piores defeitos do homem que durante sete anos foi o dirigente máximo do PS: nem o reconhecimento de um erro assumido durante a governação nem uma palavra de solidariedade para com os portugueses – e são quase todos – que hoje vivem pior do que em 2005.
José Medeiros Ferreira, com a autoridade que lhe assiste, já meteu o dedo na ferida: Socrates não deve demitir-se sozinho. Com ele devem demitir-se os seus principais acólitos na direcção do PS, que nunca esboçaram uma palavra de discordância e foram fiéis executores de uma estratégia que se comprovou ter sido errada, em termos nacionais e em termos partidários. Os carreiristas acríticos que rodearam Sócrates nos últimos anos têm tanta responsabilidade como ele na hecatombe eleitoral agora verificada – a começar por certos dirigentes distritais, que devem pôr imediatamente os lugares à disposição das bases. Só assim contribuem para a indispensável renovação de um partido que deve começar por fazer um profundo mea culpa antes de iniciar a anunciada cura de oposição, que se antevê longa. E a análise dos erros cometidos tem de ser feita num congresso extraordinário sem debates condicionados por conveniências de nenhuma espécie, ao contrário do que sucedeu nas últimas reuniões magnas do partido, que mais pareciam cerimónias litúrgicas do que fóruns de discussão política.


ele secou o partido à sua volta, daí que tenha sido o unico a cair ontem..
Veja que os restantes ministeriaveis, voltam quase todos para o Parlamento
Secou o partido, fulanizou-o à sua volta, inviabilizou na prática o debate interno, transformou os congressos em missas. Mas alguns dos mais fervorosos socráticos devem também sair com ele. Porque foram fiéis executantes dessa estratégia de descaracterização total do PS.
mas esses é que alimentam o PS e andam a volta dos lideres.
têm de ser eliminados, mas é a vida deles. O emprego deles
Essa dos “acólitos”, dos “executores”, dos “carreiristas” dos que se “devem demitir”, o estilo persecutório deste artigo, meu caro pedro correia, é um tipo de paleio que não convence ninguém e que sequer é benéfico para o presente ou futuro da pátria.
«Estilo persecutório»? Você anda muito sensível. Eu chamo a isto assumir as responsabilidades. Há até quem lhe chame, pomposamente, ética republicana.
Acha bonito os acólitos – nomeadamente líderes de algumas distritais – deixarem sair o secretário-geral e permanecerem em funções apesar de terem visto o partido recuar mais de dez pontos percentuais nos distritos onde pontificam?
De resto, se leu bem o que escrevi, cito um excelente «post» de José Medeiros Ferreira, um dos melhores pensadores da área do PS, que também se indigna: «Só uma demissão esta noite?!», sublinha ele. E muito bem.
Calma, é certo que ando sensível, mas isso é por causa do single malt que um amigo fez o favor de me contrabandear directamente das terras altas, Ilha de Jura. Já o meu caro parece sofrer do documentado, continental e estudado síndrome de jean paul marat: “Eles devem-nos cabeças, eles devem ser todos guilhotinados”, essa escória, acrescento-lhe eu, se me permite refinar o sentido do raciocínio.
Eheh. Não chame continental ao meu prezado amigo José Medeiros Ferreira, que ele é capaz de não achar muita graça. Creia que não defendo guilhotinas: para quê separar o corpo da cabeça? E quanto ao single malt: quem tem amigos assim só pode ter mérito. Brindo a isso.
Só uma demissão mas estou em crer que, no recato do seu lar muitos daqueles que acompanharam Sócrates neste desmando tiveram horas debaixo do chuveiro, a esfregar energicamente o corpo de modo a desincrustar os resíduos do vexame que será serem sempre lembrados pelas diabruras que praticaram em nome do Demo, perdão do Pinto de Sousa.
Estou a imaginar o Assis com a água quase a ferver e a gemer enquanto se esfrega desalmadamente: “Para que fui eu dizer que os Paquistaneses tinham grande actividade politica na secção dos Anjos… para quê?”
Meu caro: como diria o filósofo Catroga, aqui em tradução não literal, isso são minudências. Por acaso aposto em Francisco de Assis como próximo líder do PS. Talvez por ter nome de santo. Em breve tenciono escrever sobre este assunto.