A fórmula Cavaco


José Maria Gui Pimentel,

Cavaco junta, numa fórmula, as características mais apreciadas pelos portugueses: austeridade e simplicidade. Tal (com a ajuda dos fundos europeus) permitiu-lhe arrecadar duas maiorias absolutas e, depois de 10 longos anos de governo, obter um resultado que considero bastante honroso contra Jorge Sampaio nas Presidenciais. Sócrates possui – ou possuia nos primeiros anos de governo – a primeira característica, ao passo que a simplicidade nunca foi seu apanágio.

Passos Coelho, tenho reparado, já percebeu o truque e tem “envidado” esforços no sentido de se fazer parecer cada vez mais com Cavaco. Primeiro a simplicidade: nada de presentes para a filhota no Natal, nada de viver na capital (nesta superou o mestre, com a sua Travessa do Possolo), nada de fatos Hugo Boss, etc…. Depois a austeridade: vi as entrevistas a propósito do seu lado “mais pessoal” e Passos demonstrou (intencionalmente ou não) ser desinteressantíssimo. Tal como Cavaco, o líder do PSD deu a impressão de só saber falar de economias – a do Estado e a do seu lar. Trata-se, aliás, de uma auspiciosa antítese em relação a Portas, com quem dá a sensação de se poder falar de tudo, desde cinema à decoração de sua casa. Será interessante observar a convivência entre os dois.

Um comentário em “A fórmula Cavaco”

  1. A convivência só pode dar mau resultado. Portas é único: – demasiado individualista, e muito consistente. E é por isso que a pulsão “AD” – muito viva na sociedade portuguesa, embora totalmente adormecida -, sendo fundamental para a pujança do CDS, nunca vai vingar com este líder do PP. Esse é um espaço político por preencher, completamente galvanizador, que morreu. E não por culpa dos galvanizados.

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