A British Humanist Association, uma organização sem fins lucrativos livre de princípios religiosos, lançou em Outubro do ano passado uma campanha ateísta, em contraponto à publicidade cristã nos autocarros londrinos. Em alguns autocarros, comboios e até nos bilhetes de metro, em Inglaterra, Escócia e País de Gales, pode ler-se agora a mensagem There’s probably no God. Now stop worrying and enjoy your life. Admito que gosto do slogan. Tendo dúvidas relativamente à existência de Deus, sou adepta fervorosa da segunda parte da mensagem: páre(m) de se preocupar e aprecie(m) a vida. A campanha, entretanto, angariou simpatizantes em Itália e em Espanha. Resta saber se algum dia veremos as parangonas de apelo a uma vida sem deus cá pelo cantinho lusitano. Algo me diz que as vozes dissonantes se levantariam em uníssono.

“Admito que gosto do slogan. Tendo dúvidas relativamente à existência de Deus, sou adepta fervorosa da segunda parte da mensagem: páre(m) de se preocupar e aprecie(m) a vida.”
este slogan é de uma estupidez incrivel! parte do principio que só não acreditando em Deus é que se aprecia vida!!
Estupidez? Parte do princípio que também não se acreditando em deus se pode apreciar a vida.
para quê então da necessidade de fazer uma campanha publicitaria!!?? os que não acreditam em Deus andam assim tão infelizes!!?? ou terá outros objectivos?
E porque não? Não vejo porque não. Quanto à infelicidade dos não-crentes não lhe posso responder por eles. Acho interessante o apelo a uma vida sem deus e sem culpa por isso. Desconheço outras ‘motivações’.
“Acho interessante o apelo a uma vida sem deus e sem culpa por isso.”
A Religião Vida Sem Deus ( RVSD ) andou a promover o Aborto, por esse motivo espero que se sinta culpada pela inumeras Vidas Humanas tiradas.
Continuo a achar o apelo interessante. Se seguir o link vai entender melhor as motivações desta campanha que, tal como refiro, surgiu em contraponto a outra.
Saiba que não sinto a menor culpa. Provavelmente arderei no Inferno.
“Provavelmente arderei no Inferno.”
não é uma questão Céu nem de Inferno, apenas e simplesmente questão de Bom Senso!!
É espantoso que alguém que começa por dizer que o slogan é uma ‘estupidez’ e que espera que eu me sinta ‘culpada pelas inúmeras vidas tiradas’ me venha falar de bom senso.
A minha referência ao Inferno tem a ver com a campanha que antecedeu esta, naturalmente.
“É espantoso que alguém que começa por dizer que o slogan é uma ‘estupidez’ e que espera que eu me sinta ‘culpada pelas inúmeras vidas tiradas’ me venha falar de bom senso. “
espantoso!!?? a campanha é uma estupidez e quem defendeu o Aborto, defendeu que a Vida Humana até as 10 semanas ( em Portugal ) é desprezivel
“
Pergunto-te antes o porquê da publicidade religiosa que antecedeu esta campanha.
Conheço a campanha, André, mas desconheço outras motivações que não as clássicas.
Este slogan parte do princípio verdadeiro de que a maioria dos verdadeiros crentes em Deus, passa a vida a pensar se deve ou não fazer isto ou aquilo, por temor ao que lhe possa acontecer um dia mais tarde, por ser pecado e afins.
Obviamente que todos podem gozar e gozam a vida. Isto é linguagem publicitária, tenta promover a reflexão através do choque…
Leonor, creio que é mais: não páre(m) de se preocupar. Será?
Claro, João! Cá é sempre mais: mais preocupação, mais frio. Tudo de negativo será sempre mais 😉
Já percebi. Faltava-me o w.
Ah! Agora eu é que já percebi. Portanto: «Agora páre(m) de se preocupar e aprecie(m) a vida.»
Também gostaria de ver as reacções cá pelo burgo a uma campanha deste jaez, Leonor. Até porque concordo com a opinião de Anselmo Borges hoje no DN. Uma campanha destas teria a virtude de pôr as pessoas a pensar, uma coisa que os portugueses parecem não gostar muito. Ou então, não estão habituados…
Essa foi uma das virtudes no Reino Unido: pôr as pessoas a pensar, mas será certamente muito incómodo, Carlos 😉
Leonor. por incrível que possa parecer somos muito mais tolerantes (e eu arriscar-me-ia a dizer: os católicos) do que os ateus (isso existe?) nos fazem parecer.
Já viu que os católicos portugueses são tão criativos que até deixaram o Vaticano perplexo com a nossa categoria de “católicos não praticantes”? Nunca iríamos reagir negativamente a esta publicidade.
Porquê? Porque, quando bem concebida, a publicidade aproxima-se da arte, de um manifesto artístico. E a mensagem é provocadora no bom sentido: põe as pessoas as pensar e a sorrir (o que é óptimo!)
Já reparou que os que se preocupam mais com a existência de Deus são precisamente os ateus? Isso é que é interessante: porque se preocupam tanto?
Cumprimentos e continuação de posts inspiradores.
Ana
Ana, eu não acho que sejamos assim tão tolerantes como nos achamos. Seja como for, acredito que a opinião pública viveria com alguma tranquilidade o fenómeno. Já não partilho essa opinião relativamente à Igreja Católica.
Obrigada e apareça sempre 🙂
Só não entendo a razão (se é que há nisso Razão) que os leva a pretender converter os outros. Será uma qualquer perversão do espírito missionário?
Esse aspecto é interessante. Não creio, no entanto, que seja uma doutrinação, é antes uma chamada de atenção e, como disse, um contraponto às campanhas cristãs em Inglaterra.
Leonor, já conhecia a campanha e também a achei interessante. Se calhar, ser agnóstica ajuda, mas não só. Igualmente interessante é a reacção “incomodada” dos crentes (vd. esta caixa de comentários), ao fingirem não perceber a associação directa que existe desde o início dos tempos entre religião, castração e culpa. Das discussões entre crentes/não crentes que já tive com colegas, amigos e família (e foram algumas), noto sempre maior agressividade e intolerância dos que acreditam para com os que não acreditam, do que o contrário. Há uma certa sobranceria, como se a nós, os descrentes, nos faltasse qualquer coisa. Acho por isso este tipo de campanhas – além de muito à frente – interessantes, porque põem de certa forma o dedo na ferida daquilo que nos separa. E concordo quando se afirma que tal coisa não seria por enquanto possível cá no burgo, pois sem dúvida de que cairia o carmo e a trindade…
Olá Sofia,
Essa questão de nos faltar alguma coisa aplica-se em tudo o que não entra nos cânones. Sei bem como é. E concordo, a caixa de comentários é a prova de como seria cá no burgo . Será assim tão difícil de aceitar que cada um pode viver de acordo com o que acredita?
Suspeito que, mais do que uma campanha, estamos perante uma provocadora manifestação de “British Humour”…
Diagnos que é uma campanha provocadora com humor 🙂
Digamos