Provavelmente


cronicasnofeminino,

 

A British Humanist Association, uma organização sem fins lucrativos livre de princípios religiosos, lançou em Outubro do ano passado uma campanha ateísta, em contraponto à publicidade cristã nos autocarros londrinos. Em alguns autocarros, comboios e até nos bilhetes de metro, em Inglaterra, Escócia e País de Gales, pode ler-se agora a mensagem There’s probably no God. Now stop worrying and enjoy your life. Admito que gosto do slogan. Tendo dúvidas relativamente à existência de Deus, sou adepta fervorosa da segunda parte da mensagem: páre(m) de se preocupar e aprecie(m) a vida. A campanha, entretanto, angariou simpatizantes em Itália e em Espanha. Resta saber se algum dia veremos as parangonas de apelo a uma vida sem deus cá pelo cantinho lusitano. Algo me diz que as vozes dissonantes se levantariam em uníssono.

27 comentários em “Provavelmente”

  1. “Admito que gosto do slogan. Tendo dúvidas relativamente à existência de Deus, sou adepta fervorosa da segunda parte da mensagem: páre(m) de se preocupar e aprecie(m) a vida.”

    este slogan é de uma estupidez incrivel! parte do principio que só não acreditando em Deus é que se aprecia vida!!

      1. para quê então da necessidade de fazer uma campanha publicitaria!!?? os que não acreditam em Deus andam assim tão infelizes!!?? ou terá outros objectivos?

        1. E porque não? Não vejo porque não. Quanto à infelicidade dos não-crentes não lhe posso responder por eles. Acho interessante o apelo a uma vida sem deus e sem culpa por isso. Desconheço outras ‘motivações’.

          1. “Acho interessante o apelo a uma vida sem deus e sem culpa por isso.”

            A Religião Vida Sem Deus ( RVSD ) andou a promover o Aborto, por esse motivo espero que se sinta culpada pela inumeras Vidas Humanas tiradas.

          2. Continuo a achar o apelo interessante. Se seguir o link vai entender melhor as motivações desta campanha que, tal como refiro, surgiu em contraponto a outra.
            Saiba que não sinto a menor culpa. Provavelmente arderei no Inferno.

          3. “Provavelmente arderei no Inferno.”

            não é uma questão Céu nem de Inferno, apenas e simplesmente questão de Bom Senso!!

          4. É espantoso que alguém que começa por dizer que o slogan é uma ‘estupidez’ e que espera que eu me sinta ‘culpada pelas inúmeras vidas tiradas’ me venha falar de bom senso.
            A minha referência ao Inferno tem a ver com a campanha que antecedeu esta, naturalmente.

          5. “É espantoso que alguém que começa por dizer que o slogan é uma ‘estupidez’ e que espera que eu me sinta ‘culpada pelas inúmeras vidas tiradas’ me venha falar de bom senso. “

            espantoso!!?? a campanha é uma estupidez e quem defendeu o Aborto, defendeu que a Vida Humana até as 10 semanas ( em Portugal ) é desprezivel

            “

    1. Este slogan parte do princípio verdadeiro de que a maioria dos verdadeiros crentes em Deus, passa a vida a pensar se deve ou não fazer isto ou aquilo, por temor ao que lhe possa acontecer um dia mais tarde, por ser pecado e afins.
      Obviamente que todos podem gozar e gozam a vida. Isto é linguagem publicitária, tenta promover a reflexão através do choque…

  2. Também gostaria de ver as reacções cá pelo burgo a uma campanha deste jaez, Leonor. Até porque concordo com a opinião de Anselmo Borges hoje no DN. Uma campanha destas teria a virtude de pôr as pessoas a pensar, uma coisa que os portugueses parecem não gostar muito. Ou então, não estão habituados…

  3. Leonor. por incrível que possa parecer somos muito mais tolerantes (e eu arriscar-me-ia a dizer: os católicos) do que os ateus (isso existe?) nos fazem parecer.
    Já viu que os católicos portugueses são tão criativos que até deixaram o Vaticano perplexo com a nossa categoria de “católicos não praticantes”? Nunca iríamos reagir negativamente a esta publicidade.
    Porquê? Porque, quando bem concebida, a publicidade aproxima-se da arte, de um manifesto artístico. E a mensagem é provocadora no bom sentido: põe as pessoas as pensar e a sorrir (o que é óptimo!)
    Já reparou que os que se preocupam mais com a existência de Deus são precisamente os ateus? Isso é que é interessante: porque se preocupam tanto?
    Cumprimentos e continuação de posts inspiradores.
    Ana

    1. Ana, eu não acho que sejamos assim tão tolerantes como nos achamos. Seja como for, acredito que a opinião pública viveria com alguma tranquilidade o fenómeno. Já não partilho essa opinião relativamente à Igreja Católica.
      Obrigada e apareça sempre 🙂

  4. Só não entendo a razão (se é que há nisso Razão) que os leva a pretender converter os outros. Será uma qualquer perversão do espírito missionário?

    1. Esse aspecto é interessante. Não creio, no entanto, que seja uma doutrinação, é antes uma chamada de atenção e, como disse, um contraponto às campanhas cristãs em Inglaterra.

  5. Leonor, já conhecia a campanha e também a achei interessante. Se calhar, ser agnóstica ajuda, mas não só. Igualmente interessante é a reacção “incomodada” dos crentes (vd. esta caixa de comentários), ao fingirem não perceber a associação directa que existe desde o início dos tempos entre religião, castração e culpa. Das discussões entre crentes/não crentes que já tive com colegas, amigos e família (e foram algumas), noto sempre maior agressividade e intolerância dos que acreditam para com os que não acreditam, do que o contrário. Há uma certa sobranceria, como se a nós, os descrentes, nos faltasse qualquer coisa. Acho por isso este tipo de campanhas – além de muito à frente – interessantes, porque põem de certa forma o dedo na ferida daquilo que nos separa. E concordo quando se afirma que tal coisa não seria por enquanto possível cá no burgo, pois sem dúvida de que cairia o carmo e a trindade…

    1. Olá Sofia,
      Essa questão de nos faltar alguma coisa aplica-se em tudo o que não entra nos cânones. Sei bem como é. E concordo, a caixa de comentários é a prova de como seria cá no burgo . Será assim tão difícil de aceitar que cada um pode viver de acordo com o que acredita?

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