Costa apela ao regresso à rua, a mesma que com empenho fez o possível para esvaziar.
Contraditoriamente, as agências governamentais continuam a parir manuais e normas e as polícias repoltreiam-se no seu papel de anjos armados da comunidade. Vejo, porém, agora, pessoas com tino e discernimento escandalizadas com o regulamento das praias, os semáforos e os outros delírios. Mas são as mesmas que não pestanejaram enquanto o Governo metodicamente cerceou liberdades e direitos sem as afectar directamente porque estavam em casa tolhidas de medo
Para quem estiver atento, o passeio de Costa, a as suas eructações piedosas, significam que a pandemia acabou. Que alguns regedores do PS ainda não estejam ao corrente do facto, e tripudiem em cima de direitos básicos com a impunidade que lhes dá um eleitorado que aprecia pouco a democracia, e nutre uma secreta atracção pela vergasta, não muda nada. Mesmo que um tribunal tenha lembrado a um desses que, mesmo numas ilhas perdidas no Atlântico, o regime ainda não é exactamente o de Odorico Paraguaçu.
As pessoas que tiveram exames, consultas e operações adiadas por causa do esvaziamento dos hospitais e centros de saúde, à espera do tsunami covidiano, têm três motivos para estarem gratas: o primeiro é que o seu sacrifício não ajudou, mas podia ter ajudado, no caso de as autoridades terem tido razão; o segundo é que houve profissionais de saúde que foram assoberbados, mas em compensação muitos outros puderam gozar um merecido descanso; e o terceiro é que, no caso provável de morte antecipada, têm direito a indulgências, por acordo que a ICAR, com o precedente do 13 de Maio em Fátima, não deixará de celebrar com o Governo com que a Divina Providência nos abençoou.
E, reconfortados por esta ideia, talvez pudéssemos imaginar que, da próxima, porque a Covid não foi o último vírus, ou bactéria, ou fungo, a irromper pelo mundo, estivéssemos todos um pouco mais cépticos e menos receptivos a acolher todo o cientista vidrado na sua especialidade, todo o político disposto a destruir o Estado de Direito em nome da popularidade, e todo o burocrata salivando pelo reforço do seu poder.
Não vai ser fácil: o spin vai ser que o vírus foi dominado pelas medidas, e que a calamidade das mortes por falta de assistência tempestiva, o desemprego, as falências, o crescimento da dívida, e o mais que se verá, são danos colaterais.
Mas as pessoas, que o diabo as leve, só têm que se queixar de si mesmas: Julgam que se pode alimentar crocodilos sem correr o risco de perder um braço? E imaginam que é fácil enjaular o leão depois de o deixar sair?

“que não pestanejaram enquanto o Governo metodicamente cerceou liberdades e direitos sem as afectar directamente porque estavam em casa tolhidas de medo”
Penso que a explicação é simples: a maioria das pessoas não são suicidas e apreciam a saúde e o viver bem.
Quando acontecer o próximo o terramoto vai ver comportamentos ainda mais estranhos, exactamente porque a maioria detesta a morte e o sofrimento.
Cerceou liberdades? Por exemplo proibiu que se circulasse em contramão.
A Constituição foi sempre respeitada (exceptuando um caso nos Açores mas logo foi reposta graças a um tribunal independente do Governo).
“todo o político disposto a destruir o Estado de Direito em nome da popularidade” Está a falar de Orban?
Mais um que adora ser controlado.
Explique a proibição soviética de deslocar-se entre concelhos?
Depois explique porque é que o 1 de Maio foi festejado na rua e o 25 de Abril na assembleia da republica naqueles modos.
Versus o desejo das praias controladas ou fechadas.
Pessoas e Culturas que têm o desejo controlar a vida dos outros aproveitaram e aproveitam a oportunidade.
lucklucky
“Explique a proibição soviética de deslocar-se entre concelhos?” Explico e facilmente: é o marxismo em marcha.
Eu sabia que depois deste confinamento que nos custou a todos, haveriam de começar a sair dos seus casulos os que “já sabiam que o coronavírus era uma fantasia”, que “o Governo cerceou a liberdade” e coisas afins.
Ora aqui estão eles no seu esplendor, demonstrando o seu egoísmo e profunda ignorância sobre esta matéria.
Quando se lida com uma coisa nova, não há lugar para experimentalismos; faz-se o que se conhece até ao momento e vai-se estudando à medida que o tempo passa.
Mas claro, há sempre os que sabem tudo; mas como sempre, não sabem nada nem querem aprender…
Porque é pertinente volta a anexar a lei elaborada em 2009: articulado.php?nid=1981&tabela=leis&ficha=1
http://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_
E as perguntas são:
Quando actuou o sistema de vigilância?
Onde estava o sistema de vigilância?
Que mecanismos e instituições de saúde funcionaram em favor da saúde dos utentes?
Será que uma ameaça se sobrepõe a todos as demais ameaças na área da saúde?
Não, não passou. Agora é que começarão a fazer-se perguntas.