Desapareceu de sua casa (e da sua, e da sua e da minha também):
Nome – abono de família.
Descrição – prestação atribuída mensalmente, com o objectivo de compensar os encargos familiares respeitantes ao sustento e educação das crianças e jovens.
Foi visto pela última vez nas obras do aeroporto de Beja. Pede-se a quem souber do seu paradeiro que contacte de imediato o Estado Social.

E eu, a fazer filhos a pensar viver do abono. Comigo, não contem mais.
Pois é, liano. Tem que mudar de ramo. Agora, é muito mais lucrativo fazer obras. Com derrapagem nos custos.
Pois é, Rui! É real, e o pior mesmo é ser REAL! Há famílias onde poucas dezenas de euros correspondem a milhares para outras! Relatividade geral de Einstein!
POBRES DE POBRES, SÃO POBREZINHOS!
E o MELHOR DO MUNDO SÃO AS CRIANÇAS!
Serão sempre, AS. A dúvida é se o mundo que teremos para lhes dar será o melhor…
Parece que o Estado Social e o Aeroporto de Beja já não se falam…
Nem dão ouvidos a ninguém, João. Nem sequer ao Tribunal de contas…
” Quando, altas horas, eu regresso ao leito cheio de tédio, insuportável, farto, a estranha geometria do aeroporto põe ângulos agudos no meu peito!” Há erro ali, (será por ser, pragmaticamente, eng? A geometria é, só por si deveras estranha). Dinheiro desperdiçado ali daria para ajudar ciancinhas com pais sem garra ou frouxos!
Boa ideia essa, Diogo. A licenciatura em obras inúteis devia passar a incluir a cadeira de engenharia pragmática com especialização em geometria dos interesses.
Pelo à-vontade com que José Queiroz falou dos “disparates” do Tribunal de Contas, quer-me parecer que a história do Aeroporto de Beja não será bem assim. Parece-me que os senhores conselheiros não percebem mesmo nada de aviões e terão visto outro filme. A ver vamos.
Poderá ser, Sérgio. O certo é que o abono de família “desapareceu”. Se não for em Beja, é possível que esteja enterrado noutra obra qualquer.
Deixe lá. Você perdeu o abono de família, mas algumas construtoras ganharam o delas.
Afinal economia e política em Portugal é tudo uma grande família.
É isso mesmo, Daniel. Com todas as letras!