Prisões


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Leio no Facebook várias pessoas – e até “doutores”, “altos quadros” como se dizia – lamentando o destino de Rendeiro mas alinhavando que o homem pagou assim os seus crimes. Que gente hedionda, uns com Cristo na boca e nas teclas, outros sem o tal Cristo. Mas todos demoníacos. Pois Rendeiro terá sido trapaceiro, fraudulento. E decerto que arrogante e descuidado – ao sabê-lo preso em Durban logo me perguntei, sem saber dos trâmites que se seguiriam, e até julgando que seriam rápidos, “o que é que passou na cabeça ao mariola para se arriscar a ser prisioneiro na África do Sul?”. Enfim, um criminoso antipático, sem sequer pitada de romantização possível, daquela com que tantos outros são aspergidos. Agora considerar que é expiação um velho enforcar-se – porventura porque “não aguento mais!” ou, e espero bem que assim fosse, um apenas “que se foda!” – depois de seis meses de inferno concentracionário?

 

Entretanto e porque já me cheira ao choradinho de que lá nas Áfricas as prisões são horríveis – e, grosso modo, são-no – quais as “selvas” dos “selvagens” que antes se diziam, recordo os dados a estes deslizes da ignorância o que se passa na pérfida Albion: o (meu) grande Boris Becker, ídolo da juventude, está preso por uma falência fraudulenta, mais um desportista campeão arruinado. Encarcerado numa prisão de Londres, onde penou Oscar Wilde, e que segue em regime qual romance de Dickens.

 

Os prisioneiros são todos iguais: nenhum deles expia crimes suicidando-se. E nenhum deles merece prisões execráveis. Das quais os “doutores” (de Cristo ou sem Cristo) só se lembram quando há um preso “notável”.

8 comentários em “Prisões”

  1. aposto que Salgado, Sócrates e outros morrem de velhos na cama das mansões.
    os dirigentes dos estados e as má-gistraduras deviam passar vários meses por ano numa prisão do 3º mundo

  2. Não sou jurista. Mas parece-me óbvio que (pelo menos nos códigos penais modernos) quando se é condenado a uma pena de prisão é-se condenado a privação de liberdade – SÓ. Não se é condenado a condições de vida desumanas, tratamentos degradantes, humilhações. Há tempos, assisti a um documentário sobre as (boas) instalações das prisões da Noruega e fiquei chocado com a indignação de outro assistente que se indignava com a qualidade das instalações…

  3. Sentir-se injustiçado não é coisa boa. Terá as suas razões e acredito que sim. Pelo que conheço é bem provável.
    Dizia-me um juiz há uns anos; o melhor é fugir da justiça!
    Ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão.
    Guarda aí uns milhões e quero de volta uns milhões. Hoje paga-se.

    1. da minha triste experiência como arguido (falsificaram-me um cheque e nunca apresentaram a contabilidade), como testemunha tive que enfrentar juízes e um lacri-mijante que morreu recentemente; como queixoso apresentei queixa do procurador e deram-me razão e da juiza, mas os da sociedade corporativa que defende os Amigos escreveu-me um relatório de 5 pgs, que tinha vergonha de assinar apesar de não pertencer a esse sector.
      fujam dos funcionários públicos que existem somente para atrapalhar a vida dos contribuintes

      1. Também acho que os funcionários públicos só atrapalham. Curioso é apenas o facto de não serem apenas eles que vão para à cadeia, por crimes cometidos, talvez porque quem não era funcionário público lhe pediu favores, comprados ou não, para não ser importunado.

        1. Precisamente do dia em que, tomei conhecimento da existência do “Delito de Opinião”, foi no dia em que constatei, como ainda existem indivíduos da sua estirpe. Fui funcionário público durante mais de 40 e tal anos, Para eu conhecimento, eu não me revejo minimamente, nos seus ridículos comentários, de baixo nível. E antes de sair, digo-lhe que esse seu comentário, expressa apenas o grau da inteligência que VC tem, nenhuma!.

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