Prioridades


Paulo Sousa,

Ontem no facebook, tropecei neste vídeo sobre o meu concelho. A mensagem é positiva e apelativa. O concelho tem paisagens incríveis, o que também ajuda.

Enquanto munícipe confesso que gosto de ver o concelho de Porto de Mós a aparecer cada vez mais vezes nos media e, pouco a pouco, a marcar posição no mapa cerebral dos portugueses. Nessa linha de raciocínio é uma promoção bem conseguida.

Mas enquanto ia vendo desfilar as paisagens, o castelo, os ofícios, entendi que havia ali qualquer coisa de institucional mas um bocado em bicos dos pés. Por que raio é que a Câmara, que se tem desdobrado na aquisição de equipamentos de protecção individual (EPI) para os Lares e Centros de Saúde, que criou uma linha apoio Covid, que tem emitido comunicados claros e sucintos quase diariamente à população, por que raio é que foi gastar dinheiro numa coisa bonita mas totalmente supérflua quando o país se encontra em estado de emergência, com circulação limitada, com proibição de ajuntamento de pessoas, com a economia quase parada, e perante tanta incerteza? Não têm mais nada onde gastar o dinheiro? Onde é que esta gente tem a cabeça?

Felizmente nos últimos segundos pude respirar de alívio. Era apenas uma vaidade da oposição.

Ainda gostava de saber quanto é que isto custou. Podiam ter simplesmente poupado o dinheiro, ou tê-lo gasto na aquisição de EPI para uma qualquer instituição de terceira idade, mas preferiram fazer uma coisa bonita para mostrar às pessoas. De caminho e sem se aperceberem disso acabaram também por mostrar o que acham que é realmente importante.

3 comentários em “Prioridades”

  1. E quantas máscaras se comprariam com o custo do TV Fest?

    Não sei dizer quantas pois não sei o seu preço. Contudo, sei, por ter lido no Polígrafo, quanto custa um ventilador e, por isso, consigo dizer quantos ventiladores se comprariam com o custo do TVFest: entre 50 e 60, quase 4% do total que existia no país em Março.

    1. Caro João,
      A vida, e por isso a também, é conduzida por escolhas.
      O público avaliará o que refere, a condução da actual crise, e também, porque não, a utilidade deste bonito vídeo. Esse é também o encanto da democracia.
      Boa Páscoa

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