«Os serviços públicos franceses são ainda dos mais eficientes do mundo, ainda que tenham vindo a decair graças aos cortes orçamentais sucessivos e a uma gestão que impôs “zero-stock” e “fluxos no limite”. O valor em percentagem do PIB é pouco informativo se não se especificar para onde vai o dinheiro. O caso das auto-estradas oferecidas a um privado (Vinci) é um exemplo paradigmático de como o dinheiro público é oferecido ao desbarato a privados sem escrúpulos em vez de servir para assegurar um serviço público. Então não se veio a saber que o contrato firmado com o Estado garante, entre outras maravilhas, que o Estado tem de pagar à Vinci uma compensação pela diminuição do tráfico (não é sequer por causa da ordem de confinamento; é, pura e simplesmente, pela diminuição do tráfico irrespectivamente do que quer que seja)? Ora, empreendedor assim também não me importava de ser: “não invisto, não construo, não corro riscos.”
No meu tempo, antes da novilíngua da gestão tomar conta do éter, chamava-se a isto viver das rendas. No fim, temos engarrafamentos infindos porque é absolutamente necessário haver portagens, bruxo! A cereja em cima do bolo é que, via compensação pelo Estado, continuamos a pagar portagem enquanto estamos confinados. Privatização, mon oeil! O que isto é: privatização dos lucros, socialização dos custos.
A outra parte do problema que sofre a França em relação à Alemanha é um muito maior grau de deslocalização da produção e desindustrializaação. A ponto de num aperto ser incapaz de produzir máscaras ou outro equipamento hospitalar, e estar dependente de importações que podem vir ou não vir em função da boa-vontade da China.
Agora, pensemos nas consequências que isto poderá ter do ponto de vista militar. E temo que não seja só a Farnça. No domínio dos metais raros e não só o grande produtor mundial é a China, e ouvi gente que percebe da poda dizer que até os americanos sofrem nesse domínio de alguns estrangulamentos potencialmente comprometedores da sua máquina de guerra. Não me espantava nada se fosse o caso.»
Do nosso leitor Miguel. A propósito deste meu texto.

Grande Miguel
Pedro, segui a ligação para o postal onde o comentário foi efectuado e suscitou-me a seguinte dúvida:
– Onde está a Grécia?
Não está.
Os resultados da Grécia em comparação com os de Portugal são maravilhosos.
Se fosse no tempo do Siriza, do Varoufakis e do Tsipras, falar-se-ia nisso na nossa “isenta” comunicação social, assim, apenas, escutamos um silêncio ensurdecedor.
O que estará a Grécia a fazer bem e Portugal mal?
Este artigo da Bloomberg responde, em grande parte, à pertinente questão que levantas, Pedro: o Governo pós-Syriza da Grécia decretou as medidas de confinamento geral apenas quatro dias após o primeiro óbito por Covid-19 ocorrido no país.
Comportamento muito diferente do que sucedeu em Itália e Espanha: o Governo italiano demorou 18 dias e o irresponsável Executivo espanhol demorou 30 dias.
Com os tristes resultados que estão à vista.
A 10 de Abril, a Grécia registava só oito óbitos por milhão de habitantes. Itália, no mesmo dia, 302. Espanha, na mesma data, 326.
Uma palavra de elogio ao primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis.
https://www.bloomberg.com/opinion/artic les/2020-04-10/greece-handled-coronaviru s-crisis-better-than-italy-and-spain
Estive a ler o artigo que indicas.
A Grécia está a trabalhar bem, curiosamente, não vemos, não ouvimos nem lemos ninguém a elogiar o exemplo grego, como dizia alguém: não podemos ignorar.
Se este bom desempenho ocorresse no tempo do Tsipras até rompiam o “isolamento social” para irem em comitiva excursionista dar-lhe muitos beijinhos e abracinhos.
” A 10 de Abril, a Grécia registava só oito óbitos por milhão de habitantes. Itália, no mesmo dia, 302. Espanha, na mesma data, 326 “
Melhor que isso só os números da China…aliás devem ser o país no mundo com menos mortes por milhão de habitantes.
WW
Não.
Eu não disse que era, disse que deve ser, mas já agora se puder claro. ponha aí os números do pais causador da pandemia e que ao mesmo tempo mais tem lucrado com a mesma.
WW
Pois é, WW.
Mas a sua dúvida relativamente à China tem uma resposta científica, por analogia, com o que se passa na Europa e América.
Acredita mesmo que os números chineses são verdadeiros?
Caro Vento, já escrevi aqui no Delito que não acredito nos números do PCC, mas gostava mesmo assim que fossem expostos na nossa comunicação social para que sejam confrontados por quem ainda ousa pensar.
WW
Não é só na França, em Portugal exemplos não faltam.
A Vinci desde que comprou a ANA subiu as tarifas cobradas pelo menos 5 vezes, o serviço piorou e agora quer que lhe dêem um aeroporto de borla.
Assim qualquer é um empresário de sucesso, só tem ganhos, não tem concorrência.
Devemos não esquecer que Portugal não pode ter participações em empresas estratégicas segundo a “comissão europeia” mas outros têem e não são poucas ou então são paraísos fiscais para as empresas fazerem as suas jogadas contabilísticas.
Deixo mais dois exemplos da decrepitude dos estados europeus neste caso da França :
https://automais.autosport.pt/noticias/d ongfeng-salvou-a-psa-e-agora-que-o-covid-1 9-chegou-tenta-renegociar-acordo/?utm_so urce=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=dongfeng-salvou-a-psa-e-ago ra-que-o-covid-19-chegou-tenta-renegocia r-acordo
https://observador.pt/especiais/mentira-d e-estado-como-o-governo-frances-deixou-o-p ais-sem-mascaras-de-protecao/
WW
Meu caro Miguel, se juntar ao seu texto que as máscaras que vêm da China são fabricadas pela 3M naquele território, compreenderá também o porquê da política económica de Trump, bem com a tributação adicional que ameaçou para com estas empresas que se tinham deslocalizado, ter vindo a ser bem sucedida.
Excelente comentário.
«A outra parte do problema que sofre a França em relação à Alemanha»… é que ela embarcou na ladainha “neoliberal” da Alemanha e que quando deu conta, sem querer retirar nada desse acontecimento, apercebeu-se de que até tinha sido muito mais “neoliberal” do que a própria Alemanha (é que esta, enquanto sugeria – leia-se, exigia de mansinho! – aos seus parceiros da UE que transferissem todos esses “gastos supérfluos” que eles tinham (com laboratórios, cientistas e quejandos relacionados com saúde pública e etc) para a China, Vietname, Bangladesh, e sabe-se lá mais para onde, até ia mantendo os seus laboratórios em pleno funcionamento… e foi assim que a Alemanha, em meados de Março, até conseguiu atingir 500 mil testes ao COVID-19/semana enquanto o resto da UE até andava por númeroascompletamente ridículos, quando comparados com esses.
Mas é, nestes momentos de aperto que todos nós até acabamos por descobrir que, invariavelmente, a Alemanha é muito mais “faz o que eu digo” do que “faz o que eu faço”. Claro, neste caso concreto até nem estamos a falar de Prtugal ou da Grécia: até incluindo para a França. Claro, veio-me à germanófila proposição de “Realpolitik”. Nenhum impeério domina sem a imposição dos seus conceitos linguísticos!
Sim, Costa até preferiu investir contra um dos sete anões, provavelmente, a partir de lições apreendidas apreendidas anteriormente, a partir dos que resolveram, depois de terem sido traídos (https://www.dn.pt/dossiers/politica/cri se-politica-no-segundo-governo-de-socrat es/noticias/angela-merkel-estou-grata-a-s ocrates-1813911.html), malhar na Branca de Neve: a sua lamechice de «Ou a UE faz o que lhe compete, ou acaba» apenas até me parece com a minha idiotice de há uma semana atrás, protestar no DN, contra o facto de estar proibido de comentar por lá, porque um fascista me denunciou por comentários como este: «Mais um excelente artigo do PP»!
Infelizmente, hoje, o mundo lida apenas com “robots”, de baixo para cima, para o topo que decide: os de baixo fazem o trabalho de sapa para agradar aos de cima! Como na hierarquia esclavagista, aos “pretos” que gastam tudo em mulheres e bebidas, só lhes resta submeterem-se ao patrocínio dos civilizados que, evidentemente, até sofrem de um perfeito horror ao “mulheres e bebidas!”. A Holanda apenas é o mordomo de luvas brancas mas descalço, na Casa Grande que, evidentemente, até é, apenas, a Alemanha!
Como tudo neste mundo, chegou-se ao ponto em que os “grandes” até exigem ser considerados pelos outros, como vítimas: a brilhante Alemanha é uma vítima do seu invejoso sucesso, pelos países do Sul da EU; os EUA da China… e Israel, dos maditos árabes que, mesmo quando a maioría deles até o apoiem inconcionalmente… não deixam de ter algo na manga contra eles!
“…Ora, empreendedor assim também não me importava de ser:…”.
Nestes casos a virtude, ou o crime, não é solteiro.
Esse tipo de acordo é feito entre duas partes: o Empreendeor e o Estado.
Tanto é ladrão (ou virtuoso) o que vai à vinha ….
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/po rtas-de-regresso-ao-jornalismo-11473111
https://www.dinheirovivo.pt/wp-content/u ploads/2015/10/ng4162628.jpg
Já agora as vacas estando mais magras voam melhor ou essa causalidade não existe para as vacas.
WW
Obrigado pelo destaque, Pedro.