Pretérito prefeito


Rui Rocha,

Gerhard Müller, o novo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, considera que a exclusão das mulheres da ordenação sacerdotal na Igreja Católica segue a vontade e chamamento de Cristo. Se virmos bem, é capaz de ter razão. Os apóstolos eram todos homens. Já então, para que eles pudessem acompanhar Jesus na proclamação da Boa Nova, era preciso que ficasse alguém a trabalhar. Assim sendo, presumo que não será nada fácil mudar este estado de coisas. A menos que, um dia destes, Deus nos envie uma filha para salvar as mulheres (e, já agora, se tiver tempo, também os homens que andamos bem precisados). Com um bocado de sorte, a filha de Deus calha de ser negra e ficamos logo com dois problemas resolvidos: o do machismo e o do racismo. Pensando bem, melhor seria que viessem duas filhas, sendo a segunda chinesa. Para além do racismo e do machismo, ainda dávamos um passo de gigante no domínio de outros direitos humanos.

9 comentários em “Pretérito prefeito”

  1. O perfeito Gerhard Müller confunde Cristo com Maomé. Este último deixou escrito o seu pensamento embora por inspiração e ordenado por Deus. Cristo só deixou o testemunho da sua vida. Nessa vida as mulheres foram importantes. É portanto um abuso alguém julgar entender qual era a vontade de Cristo, nesse particular. O que sabemos é que os apóstolos se reuniam com mulheres e com a mãe de Cristo. E todos, mulheres incluídas, receberam o Espírito Santo na festa do Pentecostes.

  2. Gerhard Muller esquece que ao fazer tais afirmações, ele mesmo, está a colocar a igreja sob os princípos mundanos e secularistas que ainda a regem, em certos quadrantes. Vamos lá ver se nos entendemos:
    Madalena, que foi apóstola para os apóstolos, e tantas outras mulheres tiveram um papel determinante na expansão do cristianismo: Maria e tantas outras Marias, Susana de Cusa, Lydia, Verónica (Vero Ícone), e tantas outras que lhes seguiram. Não é por acaso que, com excepção de João o evangelista, aos pés da Cruz estavam as mulheres da vida de Jesus, e que se tornaram Vida para aqueles que posteriormente aderiram a esta nova corrente do judaísmo a que denominamos cristianismo. O termo cristãos surge em Antioquia e também com a diáspora judaica, após a queda de Jerusalém, e acentua-se em Alexandria, local de refúgio dos judeus da diáspora, onde ocorre o cisma no judaísmo. Sob o ponto de vista dos diversos Evangelhos, não encontro em substância nenhum impedimento quer teológico quer filosófico para a não ordenação sacerdotal das mulheres. Invocar a vontade de Jesus, o Cristo por antonomásia, para que a igreja católica, enquanto instituição terrena – não me refiro ao valor intrínseco de ser o corpo de Cristo -, não possa ordenar mulheres para o sacerdócio é tão válido quanto eu afirmar que sim, pode, em nome e por vontade de Cristo. Assim sendo, estou em crer que estamos aqui perante uma questão de vontades. Se tivermos em conta o espírito pentecostal chegaremos à conclusão que a não ordenação das mulheres diz respeito somente a uma educação social, por via da assimilação desta, e não teológica. Mas importa compreendermos o sentido pentecostal:
    – A narrativa sobre a torre de Babel revela-nos que a humanidade é dividida pela diversidade de línguas;
    – O espírito pentecostal (pentecostes significa o quinquagésimo dia) vem precisamente restabelecer essa unidade perdida. O simbolismo da descida do Espírito em forma de línguas de fogo e toda a narrativa deste acontecimento, onde impera o dom de línguas, revela-nos que apesar da diversidade de línguas (os presentes eram provenientes das mais diversas regiões à época) todos se entendiam. Concluo daqui que a verdadeira Unidade reside no restabelecimento dessa linguagem Universal a que, nós os cristãos, chamamos Amor. Assim sendo, é a partir deste AMOR (o DEUS) que também poder-se-á compreender a Trindade e a Unidade. Pois claro, Deus é Amor e se o Amor participa da Humanidade e da Divindade concluiremos que esta trindade ocorre quando se estabelecem os devidos parâmetros, ou seja: a existência do AMOR, do Amante e do Amado. Contudo ainda vivemos este AMOR em função dos afectos e dos sentimentos, não compreendendo que este AMOR (Ágape) é transcendente a esses mesmos afectos e sentimentos. De uma forma simples, este AMOR, para se concretizar, não depende das variáveis anteriormente citadas (afectos e sentimentos), mas de uma única substância que importa realçar: A VONTADE.
    Ninguém melhor que Madiba (Nelson Mandela) para nos levar a entender esta VONTADE, para concretizar o AMOR. Diz-nos ele, num simples poema que rege a sua conduta, que ninguém nasce a odiar, ninguém nasce rascista, ninguém nasce ladrão e/ou a roubar… Tudo isto ocorre porque se aprende. Se se aprende o MAL também se pode aprender o BEM. Parece assim ser tão fácil amar? Não é. É necessário perseverar para que o AMOR aconteça. Pois é, Gehrard Muller tem que nos mostrar de que forma Cristo revelou a Sua vontade.
    Evangelho significa Boa Nova, mas se na igreja católica imperar a tradição temo que o Evangelho, Novo Testamento, nunca será uma verdadeira novidade. Jesus morreu na Cruz por algo tão simples quanto isto: Contrariou o amor à lei e introduziu a LEI do AMOR. O sacerdócio é um vocado (chamado) e a atitude sacerdotal é uma única; designa-se SERVIÇO.
    Por último: “Se permanecerdes na minha palavra sereis meus verdadeiros discípulos; conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”. Só a Verdade Liberta. Jesus, metaforicamente, é o “Caminho, Verdade e Vida”. Para compreender-se em profundidade tudo isto teremos que pedir a acção do Paráclito.
    Já agora, espero que a defesa do não racismo e do não machismo não passe de uma tradição verbal como anda tão em voga. É necessário traduzir melhor tudo isto.

  3. A outra hipótese é as mulheres fundarem a sua Igreja “Católica”, só com clero feminino, como se diría de M. De La Palisse.

    Elegeriam tudo o seu clero, padras(?), bispas, cardealinas(?) e papisas, posto que aparentemente até já houve uma, Papisa Joana I.

    Presunção e água benta cada um faz a que quer.
    Como dizia Pitigrilli, “o homem é o único animal que distingue a àgua benta da da torneira”.

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