Presidenciáveis (53)


Pedro Correia,

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 Luís Figo

 

Agora que anunciou o fim da corrida à presidência da FIFA, a uma escassa semana de ir a votos, aquele que foi considerado o melhor futebolista do mundo em 2001 – hoje um empresário de sucesso, ao que rezam as crónicas mundanas – poderia fazer uma ligeira inflexão de rota, candidatando-se a Belém. Numa finta de corpo igual àquelas que tantas vezes exibiu em campo, para alegria dos adeptos em Portugal, Itália e Espanha.

Desporto e política não se misturam? Isso é paleio de quem recusa encarar a realidade. O próprio Luís Figo demonstra o contrário: a carreira política dele começou aliás num fotografadíssimo pequeno-almoço num hotel à beira-Tejo, a dois dias das legislativas de 2009. Apareceu ao lado de José Sócrates nesse evento, que terá custado uma pequena fortuna aos cofres socialistas. Pelo menos da fama de pesetero o craque não se livrou…

O jogador que deu os primeiros toques na bola no modesto Pastilhas – agremiação de bairro da Cova da Piedade – e teve formação de excelência no Sporting, onde venceu uma Taça de Portugal, é mais persuasivo no relvado do que fora deles: Sócrates perdeu aquela eleição. Mas aos 42 anos este nativo de Escorpião está muito a tempo de experimentar a política, desta vez não como apoiante mas como protagonista. Muitos antes dele fizeram o mesmo: Pelé foi ministro do Desporto, Romário é senador federal,  George Weah candidatou-se a Presidente da Libéria.

Não teria hipóteses de ganhar? Muitas vezes a política é tão redonda como uma bola. E os melhores prognósticos fazem-se sempre no fim.

 

Prós – Habituou-se muito cedo a superar desafios: aos 18 anos sagrou-se campeão mundial de sub-20, no campeonato de 1991, disputado em Portugal. Morar num palácio com vista para o Tejo lembrar-lhe-ia um dos melhores negócios da sua carreira pós-futebol: os 750 mil euros recebidos do Taguspark por uns vídeos destinados à promoção do parque tecnológico de Oeiras. Helen Svedin, como primeira dama, daria o maior contributo ao estreitamento das relações luso-suecas desde a instalação da Ikea em Portugal.

 

Contras – Ameaçava bater Blatter, mas o remate saiu-lhe ao lado. Tendo sido um jogador manifestamente destro, suscitaria poucas simpatias no espectro ideológico situado mais à esquerda. “Sócrates é uma pessoa séria, honesta e profissional”, declarou Figo na campanha eleitoral de 2009 sem aludir ao filósofo grego nem ao avançado brasileiro que se celebrizou no Mundial de 1982.

0 comentários em “Presidenciáveis (53)”

      1. E dizem que IRREVOGAVELMENTE. Nesse caso, só se fosse em C’roas Suecas.

        “Fase III – início a 1 de Janeiro de 1999
        • Fixação IRREVOGÁVEL das taxas de conversão das divisas dos Estados-membros admitidos à moeda única;”

  1. esse evento terá custado uma pequena fortuna aos cofres socialistas

    Não fale daquilo que não sabe. Se calhar foi Luís Figo quem pagou, e apenas a conta do pequeno-almoço.

      1. Você tem o direito de acreditar que o PS pagou balúrdios para filmar um pequeno-almoço com Luís Figo.
        Mas não sabe se pagou ou não pagou. Aceite a sua própria ignorância.

        1. T A G U S P A R K. Percebeu ou precisa de meter explicador? Rui Pedro Soares explica-lhe tudo direitinho, desde que tire o Belenenses da falência.

  2. Um simpático “pesetero” que ficaria o máximo na presidência da FIFA – digo eu, que nem sei bem o que isso é. Mas sei que o “glamour” incontestado de uma família como a dele, padrão capa de revista, tem tudo a ver com a FIFA. De certeza muitos (e muitas, valha a verdade) lhe chamariam “um figo”… PR? É que nem em tese …

      1. Verdade? Não sabia. Quem sabe se perdeu uma glória do desporto nacional que, a ter sido levada à séria, nos teria feito a todos mais felizes …???

  3. A desistência da FIFA pode dever-se a contrato assinado com Sócrates para apoio nas presidenciais com o que o Eborense ainda sonha.

  4. Essa história de Figo ter metido ao bolso 750 mil euros dos cofres socialistas só por ter ido tomar um pequeno-almoço, por acaso a dois dias das eleições, e também por acaso muito fotografado, não tem ponta por onde se lhe pegue. Está-se mesmo a ver que se tal desejo lhe passasse pela cabeça, o outro lhe teria logo dito: “Luís, pá, não te apoquentes que eu vou dar uma apitadela a um engenheiro muito meu amigo e não tarda nada está aí o Perna de carrinho com 750 notas de mil num envelope. Achas bem assim, pá?”

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