Presidenciáveis (49)


Pedro Correia,

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Nicolau Breyner

 

Os americanos tiveram um astro de Hollywood, Ronald Reagan, como um dos seus líderes mais carismáticos. Em França, um popular comediante – Coluche – chegou a rivalizar com François Mitterrand na corrida de 1981 ao Palácio do Eliseu. Joseph Estrada foi vedeta do cinema antes de ser Chefe do Estado das Filipinas. Porque não há-de um actor concorrer à Presidência da República em Portugal? Algo inédito neste país tão conservador nos costumes políticos, contribuiria certamente para mobilizar o eleitorado.

Entre os actores que têm revelado vocação política destaca-se Nicolau Breyner. No Verão quente de 1975, assegurou a segurança nos comícios do PS. Mas foi já com os ânimos mais arrefecidos que encabeçou uma candidatura autárquica pelo CDS no Alentejo profundo. Em Serpa, seu concelho natal. Neste município que sempre votou maioritariamente nos comunistas levou em 1993 os democratas-cristãos ao segundo lugar, conseguindo 26,3% e dois lugares na vereação.

Seria este benfiquista de signo Leão, hoje com 74 anos, um possível Reagan português capaz de transformar Belém num palco à medida dos seus dotes histriónicos? Pioneiro nas telenovelas portuguesas, como co-autor e intérprete do camionista João Godunha em Vila Faia, poderia ser um pioneiro também nisto. Porque se cada político é actor, também um actor tem todo o direito de ser político.

 

Prós – Herman José daria uma ajudinha na campanha recriando com o candidato o célebre duo Senhor Feliz e Senhor Contente. Num país com graves carências financeiras, daria jeito ter como supremo magistrado alguém que se notabilizou na peça Esta Noite Choveu Prata. Fernando Mendes, seu ex-parceiro em Nico d’ Obra, tornar-se-ia conselheiro financeiro de Belém, ajudando a estabelecer o Preço Certo. 

 

Contras – A esquerda radical recusaria um Presidente com apelido germanófono, saindo à rua para o mandar à Merkel. Um homem que se fartou da rotina do teatro por recusar declamar sempre o mesmo papel noite após noite aguentaria estar cinco anos em cena? Dizem que os alentejanos são lentos a chegar mas podem ser rápidos a partir: o último, o general António de Spínola, durou apenas quatro meses em Belém, entre Maio e Setembro de 1974.

0 comentários em “Presidenciáveis (49)”

  1. Pelo menos, hoje em dia tem mais graça, verve e qualidade de actor que o sr. Feliz, que a perdeu toda (que saudades de impagáveis séries e “bonecos”!), e apenas exibe o seu incomensurável ego, toda a sua sabedoria – incluindo a culinária (e sabemos como há raríssimos programas sobre culinária nos canais portugas) – e insiste em mostrar que sabe falar alemão (conclusão das poucas vezes em que, por alguns minutos, tive a pachorra de presenciar uma coisa muito original e piadeticamente chamada “Há Tarde”, na senda de programas como “Há Volta” ou “Há Conversa”…)

    Mas, no género, daria preferência a José Vilhena, que teria o meu voto convicto (e ainda não atingiu os 90, se não estou em erro).

    1. O Senhor Feliz tem poucos motivos para andar infeliz: continua a ter guarida no “serviço público”.

      O grande José Vilhena tem 87 anos. Mas a especialidade dele é ridicularizar os políticos. Não o imagino a ridicularizar-se a ele próprio.

  2. Se ser benfiquista é uma condição que deva ser mencionada então devia ser um factor imediato de exclusão do concurso: já se sabe que defendem a batota quando lhes convém, têm uma visão errada da realidade, falsa humildade e a pobre arrogância do número. Enfim, exprime tudo o que está errado em Portugal.

  3. Ilona Staller, nascida na Hungria, foi eleita para o parlamento italiano em 1987 e consta receber agora uma pensão italiana pelos serviços como “deputada”.

    Ameaçou as contendas das 2 guerras do Golfo, oferecendo-se por duas vezes a Saddam Hussein, e até a Bin Laden.
    “Make love not war”, na sua expressão literal.
    Porém, não consta ter-se oferecido, nem ao pai, nem ao filho Bush, talvez porque mesmo para ela houvessem limites.

    Lembrando a história, a oferta a que Bush acedeu partiu de Durão Barroso, envolvendo também no encontro de guerra, Aznar e Blair.

    Dado o contexto, desde que a política é uma Cicciolina, não há novidades em termos de reais possibilidades de eleição.

  4. Caro Pedro,
    perdoar-me-à o tracadilho, da figura sugerida obviamente – a quem, respeitosamente tiro o chapéu – mas nos dias que correm, a figura presidencial, tem que ser alguém em quem os portugueses, verdadeiramente, se revejam. Um figura de aspecto farto, como é o Nicolau Breyner não o é por certo.
    Assim, não me querendo substituir, neste papel, ao Pedro, proponho em alternativa António Adalberto Fino ( https://www.youtube.com/watch?v=IOyE8dPJC8U ), pois creio ser o aspecto desta figura aquela em que o país mais se revê!

    P.S.: Fica a pergunta, que é feito do actor, Carlos Miguel, que deu corpo a esta personagem?

  5. (1) Se ter um apelido “germânico” joga contra Nicolau Breyner, então ser filho de uma alemã (e, possivelmente, cidadão da Alemanha) muito mais deverá jogar contra Rui Rio.

    (2) Acho muito bem que se tenha um ator (ou outra qualquer pessoa do mundo artístico) como presidente da república. Mas, eu diria que o autor com uma mais sólida e estabelecida carreira política é… Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda. Ela também vai aparecer nesta lista?

    1. Antes Catarina Furtado, que sempre tem experiência como Embaixatriz de um Fundo qualquer da ONU e, em vez de um ar alucinado, exibe invariavelmente a sua simpática dentadura.

      1. Tentei indagar em que filmes ou telenovelas a “atriz” Catarina M. terá entrado, fazendo jus ao título profissional, mas não encontrei referências. Nem sequer consta da quilométrica “ficha artística” dos ‘Morangos com Açúcar’. Apesar de os morangos serem vermelhos.

        1. Sendo as seguintes as habilitações da rapariga:

          Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas
          Mestrado em Linguística
          Frequência de Doutoramento em Didáctica das Línguas,

          não se está propriamente a ver que actividade de actriz possa ter desenvolvido – sem qualquer maldade, só é qualificada em matéria de língua. Ah, e de arregalar os olhos.

          1. Ahahah … essa de CM arregalar os olhos, já me fez rir, é mesmo a cara dela!
            De língua, está bem – insuportavelmente afiada.
            Mas actriz, não acho boa, não. Totalmente “inversátil”, como diria a outra …

          1. Enquanto aqui não aparecer a D. Carmelinda Pereira, esta lista estará obviamente incompleta, para não dizer coxa.

          2. A camarada Carmelinda tem de aparecer. Caso contrário apresenta queixa na Comissão Nacional de Eleições e lá fica esta série impugnada.

    1. A origem é dinamarquesa, julgo. Mas para certos básicos no norte da Europa é tudo Alemanha. E a Dinamarca faz fronteira com a Alemanha, no estado Schleswig-Holstein, que aliás deriva de dois ducados que estiveram sob posse da coroa dinamarquesa até finais do século XIX.
      Como dizia o outro, isto anda tudo ligado.

  6. Reagan nao é um bom exemplo, melhor, o sistema é outro, embora confirme que qualquer palhaço serve para PR. Em portugal, a eleiçao para PR é a mais primaria e estupida de todas. Também porque um PR nao tem poderes. De todo o modo, porque nao ser eleito na AR ???

    1. Nem pensar. Essa foi a tese de Salazar que conduziu à apressada revisão constitucional de 1959 (medo do surgimento de outro Humberto Delgado). A eleição do Presidente da República por sufrágio directo e universal foi uma das grandes conquistas da Constituição de 1976.

  7. N Breyner criou uma máquina de fazer chouriços, isto é, novelas, e uma dinastia de benzocos, de filhinhos de algo, que rapam o tacho nas telenovelas, porque são muito bem pagas- 5.000, 10.000, 20.000, 50.000. Antes disso, tá quieto, as tiás e as sete famílias, achavam os actores ao nível do saltimbanco, córror, como o próprio Nicolau B diz numa entrevista. Alguns são autênticos canastrões, como Pedro Granger, outros fazem todos os papéis do mesmo modo como Rita Salema (dos ‘algo’ de Margaride). Levou para a novela a sua prima Madalena Brandão, ambas primas de Rodrigo Menezes (que descanse em paz). Sofia Sá da Bandeira, Ana Brito e Cunha ( Espírito Santo, prima de Ricardo, o Salgado), Paula Lobo Antunes (Plantier, Couvreur), a espevitada Bárbara Norton de Matos, agora apareceu a Matilde Breyner. Etc. Ó carinhas larocas!
    Lutaram, lutam, pelo TEATRO?
    Com a sua figuraça, noutro país, o Nico, faria de bandido na novela mexicana. Em Portugal consegue fazer de galã (!). Mas papel de Presidente, só se for na novela…

  8. Respostas várias, talvez contraditórias.
    Primeira resposta: Desde quando criticar as telenovelas como junk food mental, e o insípido trabalho de alguns actores das mesmas (e não enquanto pessoas ou a sua vida pessoal, que nem conheço, nem me interessa) é ódio social(!), pessoal(!). Epahh
    Segunda: porque é que publicou este comment escrito sob anonimato?
    Terceira: Eu gostava de ter escrito com sentido de humor mas, pelos vistos, não passou. Não tem humor quem quer, é a vida.
    Quarta: O ódio é uma coisa fêa né. E a ‘Cena do Ódio’ do Almada, dita pelo grande Mário Viegas, não gosta?

  9. ‘Do lado do povo a ignorância, a indiferença, o desprezo pela história, o nojo arrogante pela cultura, a adoração boçal do moderno, o medo, a obediência, definirão o caminho’
    De Costa (sobre o AO) em Reflexão do dia, 22.05.15

    Raras vezes tem lido um texto que deixe transparecer tanto ódio social e pessoal, como o que escrevi, senhor Pedro Correia?!
    Será o atávico deslumbramento com uma pretensa elite, ignorante, inculta, indiferente aos problemas sociais, com adoração boçal pelo passadismo?

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