Presidenciáveis (41)


Pedro Correia,

 

Vítor Constâncio

 

Tem um ar grave e circunspecto, a condizer com os reposteiros presidenciais. O cachimbo fica-lhe bem. E há quem jure que percebe imenso de contas públicas – embora neste caso a doutrina se divida. Nativo do signo Balança, 71 anos. Já foi ministro das Finanças, como sucessor de Medina Carreira, governou o Banco de Portugal em tempo de previsões falhadas e ocupa hoje uma das vice-presidências do Banco Central Europeu. No PS, que contou sempre com o seu aval de especialista em operações de adição e subtracção, encontraria certamente alguns apoios: convém recordar que Vítor Constâncio chegou a ser secretário-geral do partido, entre as lideranças de Mário Soares e Jorge Sampaio.

 

Prós – Resiste incólume às intempéries. O descalabro das contas públicas – portuguesas e europeias – não lhe causou até agora um só cabelo branco.

 

Contras – Em 1987, com um lapidar erro de cálculo político, ofereceu de bandeja ao PSD a primeira maioria absoluta de Cavaco Silva: os militantes socialistas dotados de boa memória ainda não se esqueceram disto. Se fosse para Belém, perderia muito dinheiro: tem um salário milionário como vice-presidente do BCE.

0 comentários em “Presidenciáveis (41)”

  1. Será que quem for para Belém, em vez da pensão, poderia optar pelos vencimentos do BCE? Mesmo assim, nada compensaria uma função muito mais técnica, atractiva e mundana e, apesar de tudo, num sossegado segundo plano, e em vez disso andar a receber os Verdes, comissões de sindicatos e dos patrões, diplomatas, andar a descerrar placas, a ouvir insultos, etc, etc… Livra!

    1. Talvez pudesse manter o vencimento de origem. Ou melhor: a pensão. Tal como o actual inquilino de Belém optou por fazer, desvalorizando (e de que maneira) a função presidencial ao alegar que o salário e respectivas ajudas de custo não lhe chegavam para os alfinetes.

  2. Para 71 anos, tem o cabelo muito pouco grisalho. Falta de ralações, é o que é.

    Ou então usa o mesmo produto que o ex-bispo das efeás (cujo silêncio ando a estranhar, e muito).

    1. Até dava um bom venerando.Tem tudo,a farronca,o poder apostólico,a sotaina
      e as bençãos marxistas,pode prometer os dois paraísos.

  3. Que maldade, Pedro; este texto é assassino (mas justo). 🙂
    Só faltou dizer (está implícito, bem sei) que não teria o apoio de Soares, o que se insere, simultaneamente, nos prós e nos contras.
    Abraço.

  4. não lhe causou até agora um só cabelo branco

    Não acredito. Deve é ter os cabelos brancos todos bem pintados.

    (Tal como Silvio Berlusconi, que também tem o cabelo de uma cor bem uniforme.)

      1. Pintar o bigode é, creio, mais difícil, porque ele está sempre a crescer. Não sei como é que se faz. Provavelmente tem que se pintar pelo menos uma vez por semana. Deve ser uma despesa enorme.

  5. À parte os cabelos pretos e carapinha, ainda tem muitas mais qualidades.

    É um dos muitos rolhas que em Portugal abundam.

    Flutuam sempre, suavemente.

    Tem hipóteses, sim senhor.

  6. Mas em contrapartida já temos um candidato com uma rala barbicha branca de neve, que se espera – e se deseja – lá para o fim do ano já lhe permita, por via do crescimento, trabalhar como Pai-Natal.

  7. E pelos serviços prestados à Pátria terá, certamente:

    Lugar assegurado no “Ourião” … naquela capelinha do BP, junto à Câmara M. de Lisboa, onde se guarda a oirama da Nação.

      1. (M)irrra, Pedro!
        Mas este rapaz – julgo eu, pelo que oiço – em certa altura terá resolvido trocar uns oiritos por divisas…com maus resutados. Pelo que oiço, claro!
        Mas quem sou eu para avaliar dos rumores?! Ninguém, como diria o nosso Gil!

  8. Os cabelos deste sr. sempre me lembram “uma mexicana engraxada” de preferência de novela mexicana, é claro!

    1. Digamos que o referido texto está bastante incompleto, JPT. Podíamos encher aqui uma caderneta com muitos cromos políticos aos quais o tema se aplica. Da Madeira ao Algarve, de Viseu à incontornável Assembleia da República. Sem esquecer alguns monstros sagrados do jornalismo português. E certas incontornáveis figuras do nosso “dirigismo desportivo” (detestável expressão).

      1. Com efeito. Eu nisto sou muito conservador: sempre suspeito o tipo que pinta as cãs (pior quando deveria ser o garante do cristalino do sistema bancário, mas enfim). Isto já para não falar dos que tapam a sempre digna calvície …

        1. Essa caderneta deveria ter também cromos internacionais. Com destaque para Monsieur Hollande: também ele sem um cabelinho branco sequer para amostra. Pelos vistos sobra-lhe em ‘baguette’ o que lhe escasseia em cãs.

      1. Bem, eu não tenho conhecimentos suficientes de economia para julgar o BCE e a economia mundial. Também eu acho que esta maneira de reger a Europa não é a melhor, mas estou longe de poder sugerir alternativa. Uma maior solidariedade entre os países da UE seria desejável, porém, não me parece que isso dependa apenas do BCE.

        O blaaargh era mesmo para o senhor em questão. Não me fez mal nenhum, mas, por alguma razão, não gostaria de o ver como Presidente do nosso país. Até preferia o Manuel Alegre…

        1. Alegre e Constâncio, na minha perspectiva, são incomparáveis. Com óbvia vantagem para o primeiro. Que pode não perceber nada de finanças mas consta que tem uma vasta biblioteca.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *