Presidenciáveis (38)


Pedro Correia,

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Boaventura Sousa Santos

 

E porque não um candidato à esquerda da esquerda tradicional – um daqueles que consideram o PS de direita sem no entanto aceitarem a submissão à ortodoxia e ao jargão do Partido Comunista?

Boaventura Sousa Santos, talvez o mais mediático professor da Universidade de Coimbra, reúne pergaminhos ideológicos mais que suficientes para representar aquele eleitorado na próxima corrida presidencial. Este Escorpião de 74 anos doutorado em Yale tem um respeitável currículo académico e eloquência que sobra para três ou quatro campanhas. Além disso, conta com uma legião de fiéis discípulos entrincheirados nas redes sociais, prontos para o combate de ideias. Com o Syriza a servir-lhes de modelo, na fortuna e na desgraça, até que o eventual default grego os separe.

 

Prós – Rivaliza com Arménio Carlos e Mário Nogueira em tempo de antena: é raro o dia em que falha a presença num órgão de informação. Até o prestigiado El País lhe concede honras de entrevista. Dispõe de popularidade imbatível no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. E não deixaria de receber o apoio do Bloco de Esquerda: afinal, em 2010, ele garantiu que o BE foi “uma das grandes inovações que a Europa teve desde o final da guerra”. Nem Francisco Louçã ousou chegar tão longe.

 

Contras – Ainda com a Europa mergulhada em estado de choque devido ao morticínio de Janeiro em Paris, apressou-se a dizer que o Charlie Hebdo “estigmatizava o islão”: foi, no pior momento, um tiro na direcção errada. Andou a flirtar durante muito tempo com a Venezuela de Hugo Chávez e Nicolás Maduro – hoje um dos piores cartões de visita que podem ser exibidos a nível mundial.

0 comentários em “Presidenciáveis (38)”

  1. Chiça!! ( com perdão da má palavra).
    Tem e haver um limite para a ciganice, para o charlatanismo provinciano, bacoco, chico-esperto e, infelizmente, muito português.
    Quem topava, e bem, este aldrabãozeco de feira terceiro-mundista era (é) o Prof. António Manuel Baptista.

  2. Não sei se o Hino Nacional, em versão rap, resulta; os jantares em Queluz, para dignitários estrangeiros, com ementa vegan, talvez dessem uma má imagem do país; e os concertos de música alternativa que promoveria nos jardins de Belém, com transmissão directa pelas cadeias de televisão, a mim não me iam cair bem.

  3. Estamos a caminho dos 40 e ainda falta o Garcia Pereira. E a d. Isabel Moreira. Eles os dois mais este davam um trio e peras.

          1. Aproveito a tua deixa para transcrever dois pensamentos do professor Boaventura.
            Sobre Obama:
            «Ao fim deste primeiro ano de mandato só temos desilusões. De facto, não há nada de positivo.»
            Sobre Hugo Chávez:
            «A América Latina foi o continente onde o socialismo do século 21 entrou na agenda política. Uma palavra que para muita gente tinha sido abandonada. É uma década de altos avanços no domínio político e alguns avanços no domínio social.»
            Genial.
            http://www.boaventuradesousasantos.pt/media/Entrevista%20BSS_Caros%20Amigos156-Mar2010.pdf

        1. A caixa de comentários está cheio de chouriços, para condizer com o chouriço inicial que é o seu texto. Para acompanhar estes enchidos (alguns de qualidade mais que duvidosa) aconselho um tinto alentejano. Não irá influenciar a já fraca capacidade cognitiva.
          O desporto agora é lançar candidatos que o não são nem nunca tal desejo manifestaram. Um exercíco gratuito de apoucamento que só lhe fica mal. É que, se era para ter piada, digo-lhe que fica ainda aquém do sentido de humor das croniquetas de JMT no Público.

          1. Está em 5º lugar dos blogs mais comentados. So what? Isso diz alguma coisa (de jeito) sobre a qualidade do texto?

  4. Eu te esconjuro … abrenuncio … demónio que me estás a tentar!

    Para te livrares deste demónio, dá 75 voltas à igreja de Santa Cruz…

  5. Apesar de ser tão solicitado pelos meios de comunicação e ter direito às suas opiniões, não acredito que alguma vez quisesse tais poderes.

  6. o Charlie Hebdo “estigmatizava o islão”

    É verdade. Nunca faziam uma piada sobre o judaismo. Só gozavam com o Islão, por ser uma presa fácil e por o judaismo estar protegido por lei.

    Ainda por cima faziam caricaturas parvas representando Maomé de turbante, quando quem usa turbante são os sikhs.

    Ou seja, de todas as religiões com que podiam gozar, só gozavam com o Islão.

    1. Comme d’habitude o Luís Lavoura mente. Quem quiser pode ver as capas do Charlie Hebdo.

      O Islãofoi criticado pelo Charlie Hebdo por matar muita gente incluíndo outros muçulmanos, mas não é surpreendente que para um neo-marxista seja “estimagtização”.

  7. O defeito do Boaventura é ser um grande intelectual reconhecido internacionalmente. E isso desperta forte inveja de outros. Daí os comentários negativos. Até cigano lhe chamam como se ser cigano fosse um mal. Qualquer dia dizem que A. Costa não serve para Primeiro Ministro porque parece índio.

    1. O Gandhi do Intendente não é índio. Confundir índios com indianos é próprio de analfas. E chamar invejosos aos outros a propósito daquele azeiteiro é próprio de cabecinhas de abóbora.

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