Presidenciáveis (26)


Pedro Correia,

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João Lobo Antunes

 

Não faltam eleitores que estão fartos de políticos profissionais no topo do Estado e consideram – justamente – que a Presidência da República deve abrir-se a outras proveniências.

Vários desses eleitores, em número crescente, acolheriam certamente com bons olhos a candidatura de João Lobo Antunes, conselheiro de Estado e um dos mais prestigiados médicos portugueses.

Galardoado com o Prémio Pessoa, este neurocirurgião de 70 anos, signo Gémeos, poderia avançar com a promessa de curar muitas feridas abertas na sociedade portuguesa, de saúde tão precária.

 

Prós – Para slogan pode adoptar o título de um romance do irmão António sem pagar direitos de autor: “O Meu Nome é Legião”. A sua filha, a actriz Paula Lobo Antunes, daria certamente um brilho especial à campanha. 

 

Contras – Há o risco de alguns eleitores, iletrados ou talvez não, confundirem João com António, que em tempos foi candidato da CDU. Os mais ferrenhos adeptos de Saramago não veriam com bons olhos um Lobo Antunes em Belém.

0 comentários em “Presidenciáveis (26)”

  1. Apesar de os políticos profissionais andarem mal vistos, acho absolutamente aconselhável que não caia um pára-quedista em Belém.

    Já nesta série comentei que a PR é para quem conheça o meio em que se moverá – a CdR e exactamente os poderes que deterá e a sua esfera de intervenção, o sistema partidário, sindical, a concertação social, a mais relevante legislação vigente, os problemas do país, a UE e como funciona e os seus problemas, a OTAN e outras organizações a que pertencemos, geopolítica e geoestratégia, alguém que seja conhecido internacionalmente e tenha contactos no mundo da política, etc.

    Não é para me gabar (pobre de mim), mas foi antes de terem vindo a público os escritos dos roteiros do inquilino de Belém…

    Pára-quedistas, por muito respeitáveis que sejam, só viriam a acrecentar ruído inútil e exibir o seu desconhecimento do mundo em que teriam de se mover.

    1. Este está, em minha opinião, muito manchado pelo apoio que tem dado ao atual incumbente. É uma pessoa de direita, conservadora, e eu não aturo conservadores.

      Tenho além disso motivos pessoais para não votar nele – uns disparates graves que em tempos fez numa operação a uma pessoa minha conhecida.

        1. Este seu argumento deixa qualquer um siderado.
          É sofisticado demais para o comum dos cidadãos.
          Você é o que se pode chama um verdadeiro intelectual.

          1. Caro Luís Lavoura:
            Peço desculpa por ter posto o comentário no sítio errado:
            «Este seu argumento deixa qualquer um siderado.
            É sofisticado demais para o comum dos cidadãos.
            Você é o que se pode chamar um verdadeiro intelectual.»
            Isto não era para si, era para o De Xô, como é evidente: não gosto de ver estúpidos a insultar gratuitamente outras pessoas, especialmente pessoas como o senhor, que prima por ser sempre correcto para com os outros e apresenta argumentos, não insultos.

      1. Há muitos paraquedistas em hospitais e clínicas. Muitas pessoas sem qualquer experiência médica ou cirúrgica. Não tem daí advindo particular prejuízo.

    2. Você poderia ter razão, não se desse o caso de

      (1) O Presidente da República não tem praticamente quaisquer poderes. É uma figura de puro enfeite no nosso sistema político. Estar lá um Mr Chance qualquer dificilmente fará seja que dano fôr.

      (2) Há muitos paraquedistas em muitos ministérios e secretarias de Estado. Muitas pessoas sem qualquer experiência política nem executiva. Não tem daí advindo particular prejuízo.

      1. Suponho que o Luis Lavoura diz exactamente o mesmo quando lhe põem pessoas “caídas do céu” à frente de instituições para que eventualmente trabalha.

        Ou aí já o “risco” está suficientemente perto de si para o preocupar?

    1. Para o ego deste nem Versailles…
      Numa entrevista, ouvi-o, como quem não quer a coisa, desfazer do Prof. Egas Moniz, dizendo que aquele se movia bem nos meios, que sabia a quem agradar, etc.
      Este tipo em Belém, não.

  2. Quer queiramos ou não, um Presidente tem de ser um político, se o não for, será um mau presidente. Ser político, não é ser partidário e o mal, começa aí, quando todos são apoiados pelos partidos. Há-os, mais ou menos partidários e o actual, é o mais partidários de todos e a prova está à vista, uma nulidade. João Lobo Antunes é bom na medicina, mas de política está muito aquém.

    1. João Lobo Antunes saberá o essencial da política. Não por acaso, é conselheiro de Estado. Mas não é político profissional.
      Personalidades que se notabilizam na sua vida profissional e social e cultural e cívica também devem ter oportunidade de concorrer à Presidência da República. Basta do monopólio dos estados-maiores partidários também neste domínio.

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