Presidenciais (32)


Pedro Correia,

6498380_7Wfi8[1].jpg

 

Manuela Ferreira Leite

 

Num certo aspecto, reúne as condições ideais para suceder ao actual inquilino de Belém. Esta sagitariana de 74 anos é aquilo a que no cinema se chama um perfeito duplo de Cavaco Silva: alta, magra, angulosa, séria, espartana e com apetite incontrolado por operações de aritmética. O ideal em tempos de crise, certamente na opinião de alguns. Além disso, durante a campanha, podia piscar ambos os olhos. À direita: “Eu não vos avisei a tempo que os grandes projectos de obras públicas socráticos deviam ser suspensos?” E à esquerda: “A vitória do Syriza é uma grande vitória da democracia.”

 

Prós – Contaria com o apoio de diversas personalidades da esquerda – de António Capucho a Francisco Louçã. Resolveria um problema ao Bloco de Esquerda, que ainda não tem candidato presidencial. Varoufakis poderia vir de Atenas abrilhantar os seus comícios, com acompanhamento fotográfico da revista Paris-Match.

 

Contras – Algum espírito maldoso poderia desenterrar aquela sua célebre frase dos tempos já remotos em que personificava entre nós uma certa direita monetarista pró-alemã: “Quem manda é quem paga.” Outro espírito, porventura mais maldoso ainda, talvez fosse ao ponto de lembrar que, enquanto ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite inaugurou a chamada  “contabilidade criativa” destinada a camuflar o défice real das contas públicas.

0 comentários em “Presidenciais (32)”

    1. Quando o vi ao lado de Seguro, apoiando o PS nas europeias de 2014, percebi que tinha enfim saído do armário, Helena. Foram anos duros na clandestinidade, reconheço, mas chegou o momento da libertação: pôde enfim assumir-se como socialista.

  1. Caro Pedro Correia:
    Deixo-lhe esta informação para divulgar, se achar que o deve fazer.
    E já o fiz junto de todos os meus amigos.
    Fórum “Pela Língua Portuguesa, diga NÃO ao Acordo Ortográfico de 1990”
    A sessão, organizada por Cristina Pimentel, Helena Buescu e Teresa Cadete, decorrerá no dia *14 de Abril*, terça-feira, a partir das *18h*, no *Anfiteatro I* da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Cidade Universitária).
    A iniciativa terá duas partes:
    1.ª – Intervenções dos oradores:* António Chagas Dias* (tradutor; Associação Portuguesa de Tradutores), *António Feijó* (Vice-Reitor da Universidade de Lisboa, Professor da Faculdade de Letras), *Casimiro de Brito* (Poeta, ex-Presidente do PEN Clube Português), *Duarte Bénard da Costa* (Movimento contra a “aplicação” do AO90 aos exames nacionais; aluno do Liceu Camões), *Francisco Miguel **Valada* (tradutor nas Instituições da União Europeia), *Maria Filomena Molder* (Professora Catedrática da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa) e *Nuno Pacheco* (jornalista, Subdirector do *Público*).
    2.ª – Debate com o público presente, em que também intervirão, designadamente: *Ana Isabel Buescu*, *Bárbara Wong*, *Gastão Cruz*, *Henrique Leitão*, *Ivo Miguel Barroso*, *Maria Alzira* *Seixo*, *Maria do Carmo Vieira*, *Mário de Carvalho*, *Pedro Mexia*, *Ricardo Araújo Pereira*, *Teolinda Gersão* e *Teresa Cid*.

  2. “Manuela Ferreira Leite inaugurou a chamada “contabilidade criativa” destinada a camuflar o défice real das contas públicas.”

    Não, já vem desde o 25 d Abril. E Keyenesianismo é por definição contabilidade criativa e especulação financeira. Ela só foi uma dos muitos (todos) seguidores.

    “
    À direita: “Eu não vos avisei a tempo que os grandes projectos de obras públicas socráticos deviam ser suspensos?” E à esquerda: “A vitória do Syriza é uma grande vitória da democracia.””

    Muito boa descrição do que ela pensa: Esquizofrenia Política.
    Com ela tudo é possível, até um vasto programa de nacionalizações para depois ser tudo privatizado no mês seguinte, ou vice versa.

  3. noutras circunstancias seria a candidata ideal, no entanto, face ao S.O.S. lançado pelo Vaticano , é urgente que os militares da cristandade portuguesa assumam o controlo da Presidência da Republica bem como da diplomacia, democraticamente ou através de um pronunciamento militar!

  4. Sim, concordo que seria uma boa candidata, no sentido em que penso que qualquer liderança ou detentor de poder gostaria de ver seguir-lhe alguém que continuasse a sua linha de atuação. Mas teriamos graves problemas para o que acima referi. Cavaco não liderou nada em Belém, e Cavaco não atuou… Mas penso que ele adoraria ver Ferreira Leite seguir-lhe na cadeira

  5. Esqueceste de lhe fazer justiça num aspecto não por acaso esquecido pelo PSD que apoiou Passos contra MFL. É que muito antes de o controlo do défice estar na ordem do dia, já ela era acusada de ter a “obsessão do défice”. Nesse tempo ainda se ia a tempo de fazer alguma coisa pelas finanças públicas que deixasse lastro, mas ninguém a quis ouvir. Entretanto Barroso virou-lhe as costas para tratar da vidinha em Bruxelas, o governo caiu, seguiu-se o menino guerreiro e foi o descalabro.

    1. Já sou muito antigo, Teresa. Lembro-me do tempo em que MFL preferia a ortodoxia monetária alemã, elegendo-a como padrão argumentativo contra Sócrates (vendo bem, nem foi assim há tanto tempo: foi na discussão parlamentar do OE para 2011). Hoje desfaz-se em elogios ao ministro grego das Finanças, que representa tudo quanto ela anteriormente criticava. Ao pé de Varoufakis e do delirante “Programa de Salónica” do Syriza, aprovado em Setembro de 2014 e que geraria um aumento imediato da despesa pública avaliado em 12 mil milhões de euros, Sócrates era um escrupuloso cumpridor do défice.

      1. Em política, quando convém, invoca-se a realidade como a variável que pode levar à alteração das políticas anteriormente defendidas. Como se sabe se às vezes os imponderáveis obrigam a mudanças de rumo, outras vezes não passam de uma boa desculpa para adiar promessas. Esta introdução serve só para dizer que nem sempre é justo acusar os políticos de incoerência ideológica, porque as circunstâncias mudam. O inverso é claro que também é verdadeiro: lá porque as circunstâncias mudam não quer dizer que certos políticos não sofram mesmo de “esquizofrenia”.
        Acabamos por encalhar na velha questão do copo meio cheio e do copo meio vazio. As simpatias e antipatias é que determinam o ângulo que se escolhe para analisar certos políticos “incoerentes”.
        Apesar das contradições que lhe apontam, considero MFL uma política séria e fiel à matriz social-democrata que concilia, para simplificarmos, “ideias de esquerda” e “ideias de direita”.

        1. Só diz isso porque a hoje a MFL está a usar a persona neo-social que é a que a faz ser convidada para as redacções dos media esquerdistas.
          Quem fale como Baptista da Silva tem sempre assento.

          Já foi assim:

          http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=228899&tm=9&layout=121&visual=49
          A presidente do PSD propõe-se “romper com todas as soluções adoptadas pelo PS” em matéria “económica e social”.

  6. Não creio que tenha deixado saudades, seja como ministra das finanças ou da educação (!), seja como lider do PSD.

    Não provoca a mínima empatia.

    Em Setembro de 2009, confrontou Sócrates com o desenfreado endividamento da responsabilidade dele. Previu os anos negros que aí viriam, declarou que não havia dinheiro para nada, tanto carregou nas tintas que conseguiu perder as eleições mesmo defrontando um PM já em franco declínio.

    No entanto, mal a austeridade começou a apertar, passou a achar que era uma coisa medonha. Esqueceu-se num instante de que “quem paga é quem manda” (palavras dela). Tornou-se acintosa opositora do actual governo, demonstrando uma ressabiada vontade de ajuste de contas. A tal ponto que vem assumindo posições depois elogiadas por vários dos seus velhos ferozes adversários. Não me recordo, por exemplo, que Ferro Rodrigues tenha aconselhado José Sócrates a ouvi-la.

    Converteu-se na grande defensora dos reformados. Se é certo que foram dos mais sacrificados pela crise e que pensões modestas sofreram cortes condenáveis, algumas consequências terão de advir da enorme descida do nº de activos por aposentado e da enorme subida do nº de anos de vida após a passagem à reforma. E sucedeu que, finalmente, chegaram ao conhecimento generalizado do público variadíssimas situações de privilégio nesse domínio. Em Portugal, a primeira e a segunda figura do Estado optaram por receber as pensões em lugar dos salários inerentes aos seus cargos. Não consta que a senhora tenha abdicado da sua subvenção vitalícia (2759 euros, “googlei”). E, se por mera hipótese académica, chegasse a Belém, faria sem dúvida o mesmo que Cavaco.

    Recordo-me de, há uns 5 ou 6 anos, quando a tal era obrigada, ter declarado rendimentos de quase 190 mil euros anuais, ou seja, a tal subvenção nenhuma falta lhe fazia (auferia praticamente 16 mil euros mensais, até Marinho e Pinto acharia que davam para padrões de vida elevados em Lisboa).

    Entre os comentadores televisivos do seu estatuto (chegou a presidente do PSD e a ministra, entre outros importantes cargos) é das mais fastidiosas e desinteressantes. Exprime-se num português pouco fluente, enfadonho, cujas concordâncias, volta e meia, claudicam. A sua proximidade do actual vizinho dos Pastéis de Belém recomendaria que não se insistisse em mais do mesmo, até porque o sucedâneo é sempre muito pior que o original.

    Votar nessa “presidenciável”, para mim, está absoluta e completamente fora de causa.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *