Gestores portugueses


Teresa Ribeiro,

Segundo este estudo, os piores gestores da UE moram em Portugal e na Grécia, os membros mais vulneráveis e aflitos da união monetária. Falando dos nossos gestores, que é o que mais nos interessa, gostaria de saber o que resultaria da comparação entre a qualidade dos que temos e a dos que saíram para trabalhar fora.

Só posso especular, mas não duvido que se esse estudo comparado existisse indicaria duas coisas: que não temos nenhum problema genético, nem tão pouco ao nível da formação académica (há escolas superiores de gestão portuguesas no topo dos rankings internacionais). 

0 comentários em “Gestores portugueses”

  1. Totalmente de acordo. Talvez a tónica negativa se deva colocar antes na qualidade do nosso empreendedorismo, ou seja, nas características dos nossos empresários. E também, muito, na “qualidade” do nosso Estado, ou seja, as condicções que ele disponibiliza para o emreendedorismo se animar e vingar.Só não vê esta realidade quem anda distraído.

    1. Quem anda distraído ou quem tem responsabilidades na criação de condições para que os negócios se possam estabelecer e desenvolver em Portugal. Basta ouvir uma pequena assembleia de empresários para percebermos as dificuldades absurdas que ainda encontram ao nível da burocracia e dos custos dos meios de produção (não do trabalho, esse anda até baratinho demais)

  2. não temos nenhum problema […] ao nível da formação académica

    Eu não sei sobre que gestores se debruçou o estudo referido. Mas, creio que boa parte das empresas portuguesas são geridas por pessoas com muito pouca formação académica. Trata-se de empresas familiares, nas quais se privilegia a subordinação aos interesses do patrão, não a qualidade. O problema não é a formação académica ser má, o problema é ela ser inexistente.

    Portugal singulariza-se pela pequena dimensão da maior parte das suas empresas. Em empresas de muito pequena dimensão, naturalmente que nem há dinheiro para contratar um bom gestor.

    1. Sim, não se ignora que temos esse problema estrutural. Referi o bom nível das nossas escolas a pensar sobretudo nas novas gerações de gestores.
      Este estudo de facto aponta a formação como um factor essencial para a melhoria da qualidade dos nossos gestores, mas eu acredito Lavoura, e foi com esse espírito que escrevi este post, que mais determinante que a formação é o caldo de cultura em que os nossos empresários se movem. Vejo o espectáculo do BES e da PT, dos nossos gestores de topo, e é nisso que penso.

  3. O problema eram os salários altos dizia a Troika, e fez baixar os salários.

    Agora descobriu que os gestores não prestam. De certeza que a conclusão é que é necessário compensar os custos provocados por uma gestão deficiente descendo os salários.

    Não sei o que se poderá dizer de gente que anda constantemente a descobrir um problema diferente nas coisas, propondo sempre soluções que não funcionam.

    As análises destes “gurus da gestão” costumam ser uma mistura de preconceitos e teorias não confirmadas. Estão certos duas vezes por dia, como um relógio parado.

  4. Nunca pensei em concordar com o Lavoura mas de facto é a mais pura das verdades.
    Aquela ideia que CEE/UE matou a industria e a culpa foi do Cavaco deve ser revista para evitar erros futuros. A grande maioria da nossa industria fugiu montada em Audis e BMWs, ou dos famosos Ferraris do Vale do Ave (todos em nome de um familiar, note-se).
    Esta industria sabia o que aí vinha e nunca pensou em modernizar-se, nem na exportação, nem em acrescentar valor algum ao seu produto, acomodou-se até dar, depois fechou e abriu outra coisa qualquer. Foi isto que aconteceu pelo país todo. Queriam estes srs competir com os preços baixos e com a qualidade dos asiáticos e dos países de leste. Queriam estes srs que os portugueses feitos parvos comprassem só porque era nacional. Queriam estes srs apoio da “Europa” e do Governo. Assim também eu sou gestor.
    E não pensem que os filhos e familiares destes mudaram, para eles continua história da mania da perseguição, tiraram ZERO ilações.

    1. Esta sua opinião só reforça o que eu disse em resposta ao Lavoura mais ali em cima. A formação académica é importante, mas mais determinante ainda é a nossa cultura empresarial, idêntica – a avaliar pelos ecos que aqui chegam – à dos gregos. Et voilá!

  5. Ninguém nasce gestor, não existe um carimbo à nascença a dizer que este ou aquele pertence à espécie dos gestores.

    Se os gestores são uma porcaria então é fácil aos trabalhadores tornarem-se gestores não é? Isto se por ventura de facto existir mercado livre em Portugal.

    Mas como sabemos da aliança salazarista-socialista o condicionamento industrial e os monopólios são para manter.

    Claro que as empresas familiares são o pão nosso de cada dia em Portugal, como a Justiça não funciona as relações familiares mantêm a possibilidade de existir punição a quem falha.
    Por outro lado quem cresce e enriquece em Portugal tem logo a Política à perna.
    Logo é bem melhor ser pequenino e passar por entre a chuva da inveja e outros socialismos.

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