
NO PIOR MOMENTO
Para que não restem dúvidas, a minha objecção a este insensato calendário eleitoral da corrida ao Palácio de Belém – com ou sem pandemia – já há dez anos me levava a escrever isto:
«É absurdo as eleições presidenciais continuarem a realizar-se em meados de Janeiro, o mês mais frio. Sei do que falo: andei na estrada em Janeiro de 2006, acompanhando como jornalista a caravana eleitoral de Manuel Alegre, que se viu impedida de se deslocar a certas regiões – a Bragança, por exemplo – devido a fortes nevões. Um deles deixou-nos bloqueados no Marão: lá tivemos de regressar imprevistamente ao Porto às tantas da noite, com a agenda por cumprir.
São absurdas estas corridas presidenciais com as festas de Natal e de Ano Novo de permeio. Que dispersam as atenções e distanciam os eleitores dos candidatos, fomentando a abstenção. O primeiro calendário eleitoral, em Junho de 1976, fazia bastante mais sentido. E até o segundo, no início de Dezembro, em 1980. Janeiro é que não faz sentido algum.»
Palavras publicadas no DELITO DE OPINIÃO a 13 de Janeiro de 2011.
O que fizeram os decisores políticos perante este problema, que ultrapassa largamente uma simples questão formal? Nada.
Como de costume em Portugal, a inércia apodera-se do processo de decisão, neutralizando-o. Medidas que noutros quadrantes são resolvidas com rapidez, tendo em vista o combate à abstenção e a aproximação entre eleitos e eleitores, por cá são empurradas com a barriga. Durante anos. E o maior especialista em adiar soluções, como temos visto ao longo destes meses, chama-se António Costa.
Chegou mais um processo eleitoral, anunciado com cinco anos de antecedência. O País vive desde Março debaixo de sucessivos estados de emergência, agrilhoado pelo coronavírus que matou mais de mil pessoas só na semana passada. O Governo, como barata tonta, manda-nos ficar em casa em nome do cumprimento dum dever cívico e manda-nos sair de casa em nome do cumprimento doutro dever cívico. Tudo ao mesmo tempo.
Como nada quiseram alterar, mantendo a rigidez do calendário com o fervor de Moisés agarrado às Tábuas da Lei, vivem hoje horas angustiantes. Se a abstenção atingir níveis nunca vistos em Portugal, isto representa o maior descrédito das instituições políticas precisamente quando Costa exerce por inerência as funções de presidente do Conselho da União Europeia. E enfraquece ipso facto a legitimidade do próximo mandato do inquilino de Belém. No pior momento.
Já falta pouco para sabermos. Mas não auguro nada de bom.

Claro que tens razão. Eleições presidenciais? 10 de Junho. Nem tem discussão.
Nem pensar!!! Num feriado? no Verão? E as “pontes” ? e a praia? …francamente!!!!
Tu deves ser daqueles que nunca votam, seja em que mês for.
…eu sou aquele que gosta de rir…!
Ah, és tu. Vem a meus braços, camarada.
Cuidado com o virus!!!
OK. Em vez de abracinho, levas cotovelada.
A que teve mais afluência ocorreu em Junho. Como é costume em Portugal, muda-se para pior e mantém-se o que está mal.
Votar hoje não é cumprir um dever cívico.
Votar hoje é gozar uma excepção de um estado de emergência. É como ir à rua com uma trela sem cão.
Votar hoje é exercer um direito.
Ponto.
Estou farto de ouvir estes imbecis que nos tutelam apregoar o voto como um “dever” – equiparando assim este elemento crucial da democracia à necessidade de permanecer em casa para evitarmos contágios perigosos.
Ao contrário do que esses imbecis proclamam, votar é antes de tudo e acima de tudo um direito.
Dever é pagar impostos.
Dever é ficar em casa quando o governo manda.
👋👋👋
Votar é um direito, sem dúvida.
Mas votar hoje acumula o peso da violação do dever de confinamento.
Quando para exercer um direito temos de violar um dever alguma coisa não está bem na democracia.
E se alguma coisa não está bem na democracia é porque o livro das normas que a regem não está a ser respeitado.
Ou estamos em estado de emergência ou não estamos em estado de emergência.
Como é que se pode esperar um resultado livre numas eleições condicionadas?
O voto hoje só pode ser exercido porque o estado deu autorização.
Estranha forma do direito, estranha forma da democracia, país estranho.
Subscrevo a 100%.
“Chegou mais um processo eleitoral, anunciado com cinco anos de antecedência. O País vive desde Março debaixo de sucessivos estados de emergência, agrilhoado pelo coronavírus que matou mais de mil pessoas só na semana passada. O Governo, como barata tonta, manda-nos ficar em casa em nome do cumprimento dum dever cívico e manda-nos sair de casa em nome do cumprimento doutro dever cívico. Tudo ao mesmo tempo.”
Se sabe em que mês a presente epidemia vai desaparecer diga. Se não estamos a adiar para ficar na mesma situação. As eleições só se deviam fazer nas condições ideais: Dia frio para não haver praia, sem chuva, sem futebol, sem nada que incomode, ou seja, no dia que não existe.
Deixe lá de fazer vénias ao António Costa, que ele não precisa: já tem uma legião de serviçais a dobrar-se à passagem dele e despreza quem lhe rasteja aos pés.
Muito bem esteve Ramalho Eanes esta manhã, depois de votar: “A Constituição deve ser um instrumento para aprofundar a democracia e não para estrangular a democracia.”
Não posso estar mais de acordo.
O modo como pensa que todos os que não concordam consigo estão a soldo de alguma coisa dá uma indicação de como procura as suas preferências.
Sim, claro, pois. Porta-voz do Sindicato das Virgens Impolutas.
Conheço muito bem o género.
Argumentar pelo insulto. Mostra bem a sua capacidade intelectual.
Adiar eleições é como ir mascarado para o 25 de Abril. Tal como os USA não negoceiam com terroristas, o povo português não pode ceder ao vírus proto-fascista.
Sair à rua é mais que um dever cívico, é um dever patriótico de todos os portugueses contra o invasor estrangeiro que coloca em causa a Constituição e o Estado. Faço minhas as palavras de uma grande estadista: O vírus teve, eu diria, talvez o azar de encontrar pela frente um povo experimentado e um Governo capaz.
Às máscaras, às máscaras
Contra o Corona, marchar, marchar
Quem quer votar vota, quem não quer tem sempre desculpas: O frio, o calor, a chuva, o vento, a praia, o campo, etc, etc. Votei pela primeira vez em 1987 e só uma vez não votei (numas Europeias) por me encontrar por motivos profissionais a largos quilómetros do meu local de voto. O que me deixa triste é o facto de muitos que querem votar não o consigam por ineficiência de quem de direito.
Pedro Cunha
Compreendo e concordo.
Quem quer votar vota, quem não quer tem sempre desculpas: O frio, o calor, a chuva, o vento, a praia, o campo, etc, etc.
Subscrevo.
Protestar pode passar simplesmente por não estar.
Ainda assim, ao parecer que Marcelo mesmo enfraquecido ganha o país, apenas vende gato por lebre, tapando a boca ao felino para evitar que possa miar.
Marcelo enfraquecido? Olhe que não, olhe que não.
Votar devia ser uma obrigação!
O que estraga a democracia é a própria democracia!
E quem não quisesse votar era fuzilado!
Você escreve sempre coisas dessas quando lhe dá a fome pouco antes do jantar?
Voto obrigatório NUNCA! Mas a ida ás urnas sim, e se não fosse teria que justificar, ou perderia regalias sociais. Poderia dizer: estou cá mas não quero votar. Ou, na posse do boletim de voto, poderia anulá-lo, votar em branco ou votar na sua escolha. Tão simples quanto isto.
Obrigatório, não.
Para obrigatório já basta o pagamento dos impostos.
Eu disse a mim mesma que não ficaria numa fila para votar. Resisto firmemente à ideia de ter de esperar numa fila. Fui controlando a dita pela janela, mas não via modos de a coisa melhorar. Saí duas vezes e voltei a casa, depois de caminhar uns quarteirões. Mas às 18:10 não resisti a exercer o meu direito de voto e fiquei na fila e ainda por cima à chuva 😉. Votei às 18:57 e a fila lá continuou. Não consigo compreender o que se passou para a existência destas filas. Nunca tal me tinha acontecido.
Eu estive numa fila que ameaçava tornar-se caótica, hoje às 10.30. Felizmente era ao ar livre e o caos não se confirmou, graças à nossa tradicional capacidade de improviso, e foi possível votar sem sobressaltos.
Dever cumprido, sim. Mas, acima de tudo, um direito exercido. Prefiro sempre colocar a questão do voto neste plano.
No meu local de voto muitas pessoas não conseguiram exercer o seu direito de voto. Desde as 10:30 até as 19:00 nunca houve um período no qual a fila tivesse menos de 500m (antes disso não sei). E chegou a ter 1km. E no final, muitas pessoas voltaram para casa sem conseguir votar. Não houve capacidade de acomodar a totalidade de votantes.
Desde as 10:30 até as 19:00 nunca houve um período no qual a fila tivesse menos de 500m (antes disso não sei)
Se não sabe eu digo-lhe. Vou sempre votar cerca das 9 da manhã. Nunca há fila que se veja. Ontem demorei 5 minutos na fila.
Não Balio. Não é normal haver 500 m de fila a partir das 10:30. Nunca houve uma fila de pessoas em frente da minha porta durante todo o dia. Costumo votar a qualquer hora do dia (normalmente de manhã) e tal como o Balio nunca esperei mais de 5 minutos. Não fora o meu apreço pelo desempenho e postura do Tiago Mayan e tinha-me vindo embora.
A votação de anteontem ocorreu com procedimentos excecionais. Por exemplo, só podia estar um votante de cada vez na sala de voto. É por isso normal que tenha demorado muito mais tempo. A minha mulher e o meu filho mais velho foram votar cerca do meio dia e também demoraram bastante tempo.
Eu, que sou um tipo previdente e avisado, vou votar sempre mal me levanto da cama, mesmo antes de comer, porque já sei que a essa hora não há filas. Anteontem, excecionalmente, mesmo às nove da manhã já tive que esperar uns cinco minutos.
O PCP já anunciou que venceu as eleições?
«Mas não auguro nada de bom.»
Mas até não foi por ter augurado «nada de bom» que o tal Moisés, subiu ao Monte Sinai?
Tirando isso, mesmo qualquer bruxo de 5.a categoria não pode deixar de saber o valor do “se” em quaisquer das suas previsões sobre o futuro: ele assegura que o charlatão evite ser denunciado, caso as previsões (como na maioria dos casos) até falhem! E depois, em caso de até se concretizarem, lá lhe permite aparecer a reclamar a glória da sua vidência… e da ladainha encantatória, atrelada a ela que não pode faltar à laia de conclusão: «isto representa o maior…”
O voto é a arma do povo.
Não votei para não ficar desarmado.
Mais um ministro com COVID. Há que ter cuidado.
andei na estrada em Janeiro de 2006, acompanhando como jornalista a caravana eleitoral de Manuel Alegre, que se viu impedida de se deslocar a certas regiões – a Bragança, por exemplo – devido a fortes nevões
Ocorrem fortes nevões em certas zonas de Portugal de dezembro até abril. Esses nevões são ocasionais e imprevisíveis. A neve nunca permanece muitos dias no solo. Portugal é, fora Malta, o país com clima mais ameno da Europa.
Em face destes factos, em que meses acha o Pedro Correia que não se devem realizar eleições em Portugal? E no resto da Europa, acha que nesses meses não se realizam eleições?
Se a abstenção atingir níveis nunca vistos em Portugal
O que interessa não é a taxa de abstenção, uma vez que ela depende crucialmente do número de pessoas nos cadernos eleitorais e esse número é, como toda a gente sabe, uma ficção.
O que interessa é o número de votantes. E esse não foi muito baixo ontem. Ontem houve 4261 milhares de votantes. Em eleições comparáveis (presidenciais em que se tratava de reeleger um presidente em funções), tinham sido 4492 milhares há dez anos e 4445 milhares há vinte. Logo, a descida do número de votantes não foi nada de extraordinário.