Presidenciais (15)


Pedro Correia,

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O DIA DOS ATRASADOS MENTAIS

Eis que chega o chamado “dia de reflexão”. Em que as figuras tutelares do Estado nos tratam como atrasados mentais. Coitados de nós: precisamos de espremer as meninges durante 24 horas, em recatado silêncio, para ponderar em que quadradinho haveremos de inscrever um xis. 

Apetece mandá-las “reflectir” para o raio que as parta. E perguntar-lhes, já agora, se este dia importantíssimo também foi concedido aos mais de 240 mil eleitores que optaram por antecipar o voto presencial, exercendo o dever cívico no domingo passado. Sou capaz de apostar que não. Sendo assim, haverá motivo para invalidar tais votos não submetidos ao crivo prévio do “dia de reflexão”? 

Mandam as anacrónicas normas ainda em vigor que todas as acções de promoção das candidaturas estejam interditas nestas 24 horas de solene pasmaceira. Como se fosse possível apagar o que ficou escrito na vasta galáxia digital. E de novo pergunto: sendo assim, por que raio não vigorou isso também no dia 17 de Janeiro, quando dezenas de milhares de portugueses já votavam?

Enfim, perguntas retóricas. Sabendo à partida que não terão resposta. O que esperar afinal dum Tribunal Constitucional, duma Comissão Nacional de Eleições e dum Ministério da Administração Interna que autorizam, permitem e validam a presença nos boletins de voto dum candidato que nunca o foi?

Como se nada disto merecesse ser levado a sério. E se calhar não merece mesmo.

35 comentários em “Presidenciais (15)”

  1. Seria interessante, ao contrário do que escreveu Saramago, toda a gente votar no primeiro. Ah!ah!ah! só por ficção, evidentemente.

    1. Capaz de ter mais “votos” do que ele próprio alguma vez já imaginou.
      Com o alto patrocínio do Tribunal Constitucional, do Ministério da Administração Interna e da Comissão Nacional de Eleições.

    1. Ir é o melhor remédio. Ás urnas.
      Infelizmente, as urnas parecem atrair cada vez menos gente. Talvez por causa deste nome tão macabro.
      Já era tempo de se inventar outra palavra.

  2. Valha-nos o milagre da não aparição de Marcelo, coisa rara depois de longos anos a não falhar um dia.

  3. Bom dia Pedro Correia.
    Comungo da sua opinião, não merece ser levado muito a sério. E sim, que dizer destas instituições, particularmente do Tribunal Constitucional, onde se passeiam algumas figuras com ligações conhecidas e que, talvez por isso, por lá se arrastam determinados processos. No mínimo, para não ser mal educado, lamentável e execrável.
    Tenha um bom fim de semana, cuidado, não escalde as meninges a meditar…eh…eh…ih…ihhh…. Saúde. Entre outros entreténs, e leituras, vou apurando as minhas artes de “chef”. O meu “crumble” de maçã é de fazer inveja, modéstia à parte. A fotografia bem o mostra. E o sabor…………
    António Cabral

    1. Faz muito bem, caro António Cabral.
      Eu daqui a um par de horas também vou dedicar-me aos tachos… da cozinha. A preparar um caril de grão. Ingredientes já prontos para a função.

      Na cozinha reflecte-se melhor.

      Haja saúde!

    1. Muitos dos poucos que irão votar cederão à tentação de deixar o xis no “candidato” Baptista (a quem o “Expresso”, sempre mais papista do que o Papa na militância fanática pelo “acordo” ortográfico”, chama Batista, mesmo estando o nome BaPtista impresso assim, no boletim de voto).

  4. Este boletim de Voto espelha de forma muito nítida a sociedade portuguesa. Os políticos e afins que por cá têm existido são fruto desta sociedade, não vieram de outro planeta. Sinto-me envergonhado de mim mesmo pois como Português que sou, a responsabilidade disto também é minha! Não passo de um Português manso, exactamente aquilo que múltiplas vezes vou chamando aos outros. Olhar-me ao espelho pode ser cruel!

    António Santos

    1. Colar a esta gente o rótulo de incompetência parece-me pouco.
      Se um “lapso” desta dimensão ocorresse numa empresa privada, o responsável era sumariamente exonerado de funções.

      1. Depende da empresa privada!
        Há para aí algumas multinacionais em Portugal que nem lhe passa pela cabeça as vigarices e as tretas de erros que eles fazem.

  5. Nunca percebi esta raiva contra o dia de reflexão. Para mim é como o Melhoral, não faz bem, mas também não faz mal.
    Acho que se pretendia evitar um crescendo nas campanhas eleitorais com comícios simultâneos, muita barulheira e possíveis confrontos. Claro que aplicado a umas eleições dormentes como estas não faz muito sentido. Nenhum candidato fez comício de encerramento. Foi por causa da pandemia, mas se os fizessem e não houvesse pandemia o maior não devia atingir 100 pessoas.

    1. “Dia de reflexão” é um anacronismo que devia ter ficado enterrado lá no século XX, sem chegar ao século XXI.
      Do tempo da televisão a preto e branco e da expressa proibição de canais privados de TV no texto constitucional.
      «A televisão não pode ser objecto de propriedade privada», rezava o artigo 38.º, n.º 6, da Constituição original.
      https://www.parlamento.pt/parlamento/documents/crp1976.pdf

      Com o estado a tratar os cidadãos como atrasadinhos mentais.

  6. A pressa das pessoas votarem antes, foi para apanharem ainda alguns velhotes vivos e os que ainda estavam em quarentena, estes , novos ou velhos , claro. Com esta mutação do vírus e com as mortes galopantes, foi somente isso que mereceu a atenção deles todos! Eles não têm culpa se não há médicos, nem camas!
    Gente muito «conscienciosa!» .
    Resolvi que vou votar no candidato que encabeça a lista. Sempre fica com mais uma assinatura e um voto!!

  7. Se para votar qualquer boletim serve, devíamos levar de casa não só a caneta mas também o papel, que podia ser de embrulho reciclado. Sempre era mais ecológico e mais de acordo com os candidatos.

    1. Reflectindo bem se calhar é melhor substituir o papel de embrulho por papel higiénico. Quando acabarem as eleições sempre têm alguma utilidade.

  8. Não poderei votar Baptista, o melhor artista, neste espectáculo de revista, que é a política tuguista, é só cromos nessa lista, da Gomes socialista, ao ventura paraquedista, não há aí um estadista, que triste fado oh fadista, a morte está à vista, os velhos já estão na lista, está tudo lixado. Acho eu que sou achista.

  9. Gostava que alguém me explicasse, devagarinho porque sou lento, o porquê dos boletins terem de ser impressos tão antecipadamente, e das eleições não poderem ser adiadas
    E se a resposta é “a (o?) Constituição”, sugiro que a metam no sitio onde ela costuma estar quando votam Estados de Emergência.

  10. O dia de reflexão é uma inutilidade que não merece o tempo que alguns comentadores lhe dedicam. Provavelmente desconhecem a origem que tem razão de ser. Nas primeiras eleições os ânimos andavam exaltados (o MRPP, que não era para brincadeiras, apelava aos boicote activo (sublinho nativo) à farsa eleitoral) e era muito provável que houvesse desacatos nas primeiras eleições. Principalmente se a propaganda pudesse ir até à hora da votação e aproximar-se das urnas. Um dia para acalmar (podia ter-se chamado dia de acalmia…) parecia útil a muitos eleitores. Depois foi a inércia … para alterar uma lei é preciso que alguém tenha tempo para isso. Se eu tivesse sido deputado, qualquer que fosse o assunto que aparecesse, consideraria sempre que seria muito mais urgente do que alterar uma disposição que nem faz bem nem mal. Só comentadores entediados com o confinamento perdem tempo com isto ou colunistas como António Barreto que tem de encher uma página do público todas as semanas.

  11. Tudo radica, temo, no facto de haver cabritas. Ufanos cabritas, de discurso anacronicamente revolucionário. Mas estão para ficar. E fica tudo dito.

    Costa

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