Presidenciais (11)


Pedro Correia,

Parte dos desempregados e pensionistas perdem isenção de taxas moderadoras na saúde – medida que abrangerá igualmente os cônjuges dos reformados com pensões de reforma inferiores ao valor do salário mínimo nacional, até agora isentos daquelas taxas. Pensionistas e desempregados vão passar também a pagar o transporte de ambulância. Tudo isto, como é evidente, agravará ainda mais os efeitos da crise nas bolsas dos mais desfavorecidos. Uma decisão do Governo tomada apenas a três semanas das presidenciais, para facilitar a vida ao recandidato Cavaco Silva contra o candidato oficialmente apoiado pelo PS. Bem pode Manuel Alegre, justamente indignado com esta acção interna de sabotagem à sua campanha, clamar contra a inconstitucionalidade da medida – um claro ataque ao ‘estado social’ por parte do Executivo socialista. Cavaco, reconfortado pelas sondagens e pelo esforço desenfreado do Governo em divorciar-se ainda mais dos portugueses, só tem motivos para sorrir. E para agradecer a José Sócrates.

4 comentários em “Presidenciais (11)”

  1. Sócrates em 2011 só terá um único objectivo, impedir seja de que forma for que o FMI entre em Portugal, porque é a única maneira que tem de se manter agarrado no poder.

    Ele só consegue impedir a entrada do FMI se não der o minímo pretexto em termos de contas para que tal aconteça e temo que esteja disposto a tudo, mais reduções de salários e aumento do IVA se for preciso ou entradas de fundos de pensões bancários.

    Sinceramente acho que para Sócrates é perfeitamente indiferente quem é o PR, nunca será por aí que ele irá perder o poder.

    1. Sinceramente, acho que não lhe
      é nada indiferente o nome do PR. Por isso faz tudo para que Cavaco vença enquanto faz de conta que apoia Alegre. Com Cavaco, tem a certeza antecipada de não ver nenhum diploma do Governo vetado em Belém, confirmando-se a tendência dos últimos cinco anos. E livra-se de Alegre, como em 2006 se livrou de Soares. Menos dois a fazer-lhe sombra no partido.

  2. Manuel Alegre está amarrado ao PS e dependente do BE. Embora se apresente como defensor do “Estado Social” o seu PS tem vindo, lentamente, a destruir o Estado Social. No debate Manuel Alegre não podia criticar o “seu” Governo nem estar ao lado do BE. Esteve NIM.
    Estou com uma certa curiosidade, no período da campanha oficial, para ver se Alegre continua “triste” sobre esta temática – os cortes dos apoios aos mais desfavorecidos

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