Prémio Sakharov 2010: mais uma cadeira vazia


Rui Rocha,

A entrega do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento/2010 (não) ocorrerá amanhã em Estrasburgo. Mais uma vez, a cadeira do galardoado não terá quem se sente nela. Guillermo Fariñas, 48 anos, psicólogo, jornalista independente e dissidente político (ou deveríamos dizer democrata?) fez 23 greves de fome ao longo dos anos, como forma de protesto contra o regime cubano. Não foi autorizado a deslocar-se à cerimónia em que representaria todos os que lutam, em Cuba, pela liberdade e pelos direitos humanos. A  ausência de Fariñas demonstra que em Cuba, em rigor, nada mudou. A mão de ferro castradora calçou umas luvas que lhe dão um ar mais polido e arejado. No essencial, o regime arroga-se ainda um poder de sentido único: aquele que é (im)próprio do carcereiro da liberdade dos cubanos.

12 comentários em “Prémio Sakharov 2010: mais uma cadeira vazia”

  1. A ausência na cerimónia e o silêncio são eloquentemente imensos e significativos.
    Se não fosse uma espécie de heresia, diria até que a ausência e o silêncio agigantam os laureados.

    1. Pois. Nas circunstâncias, para não entrarmos no campo da heresia, teremos que admitir apenas que a ausência e o silêncio desqualificam os que impedem as presenças.

  2. Pois é, os manos Castro (ou “Castradores”) continuam na mesma… Parece que virou “moda”: as cadeiras vazias nas entregas de prémios. É tudo obra de regimes anti-democráticos repudiáveis. Em Cuba, miseravelmente, nada de novo.

  3. O regime cubano continua a negar aos seus cidadãos o mais elementar dos direitos: o direito de poderem deixar o país. Ainda há quem mencione Cuba como um exemplo a seguir em matéria de liberdades…

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