
Sim, pelos vistos a CP tem um serviço que permite a entidades públicas e privadas fretarem comboios. Sim, é possível que esses comboios tenham prioridade na passagem em relação às composições regulares que percorrem as linhas (não sei se têm ou não, nem julgo que esse seja o ponto pertinente). E não, em circunstâncias normais não seria sequer notícia o facto de o Partido Socialista fretar um comboio para levar os seus militantes em excursão até à festa do partido em Caminha – aliás, seria sem dúvida uma excelente escolha. O problema é que as circunstâncias presentes da CP e do seu serviço ferroviário (passe a generosidade) são tudo menos normais – e não houve uma alma no PS capaz de dizer em voz alta que uma viagem de ida e volta de Lisboa e Pinhal Novo até Caminha num comboio fretado à CP talvez não fosse a melhor ideia quando a CP tem sido notícia pelos atrasos e pelas supressões de comboios, pelas avarias constantes, pela falta de asseio nas composições, pelo ar condicionado avariado em dias de muito calor, pela falta de informações, pelo serviço Intercidades a ser feito por automotoras do serviço Regional, e pela degradação generalizada do serviço que presta de Norte a Sul do país.
Bem vistas as coisas, não admira que tal não tenha ocorrido a ninguém. Abunda muita coisa no PS de António Costa – arrogância, prepotência, incompetência, esperteza saloia, uma profunda ignorância e um ainda mais profundo desprezo pelos cidadãos. Já a vergonha, essa, é mais difícil de apanhar por lá do que um comboio a horas na Linha do Algarve. Parafraseando Elisa Ferreira, “os comboios são da CP, são do PS”.

Concordando com muito do escrito, deixo a questão: se o PS tivesse fretado autocarros, não iriam fazer um vendaval porque “Hopocrisia no PS: falam do Ambiente e escolhem as soluções mais poluentes” ou
“Falta de confiança: partido no Governo freta autocarros em vez de comboios” ou ainda
“Não quer uma CP viável? Faça como o PS e vá de autocarro”…
Preso por ir de comboio e preso por não ir….
Sinceramente, acho que se tivessem alugado quinze autocarros à Rede Expressos ninguém falava no caso, porque nem existiria caso. Noutro ano qualquer isto não seria notícia. Neste Verão é, e mais uma vez revela a completa falta de sensibilidade de quem nos governa. Ou de quem se governa.
Mas o meu ponto é exactamente esse: é que noutros anos a CP estava como está agora.
Falta de sensibilidade, sim, abundam os casos em que tal é lamentavel mas não lamentadamente evidente; mas neste caso… não sei onde acaba a seriedade e começa a chicana.
Quando se quer criar um caso, cria-se até sem fumo e sem fogo (referência a BdC e a um postal do Pedro Correia).
Sobre a degradação da ferrovia, como digo noutro comentário sobre a CP… muitos anos a chorar alto para agora sentir profundamente males que, sendo de todos, já não me afectam porque morta é inês.
Vale o que vale: faço pelo menos uma vez por mês a viagem entre Lisboa e o Alentejo desde 2003 – primeiro entre Sabóia e o Barreiro, mais tarde entre Sabóia e o Pinhal Novo, com o fim do Regional entre Lisboa e a Funcheira, e nos últimos anos entre Lisboa e Sabóia, quando se percebeu que o maior concelho do país (Odemira) não tinha uma única paragem de comboio, apesar de ser atravessado pela linha do Sul. Nestes quinze anos nunca fiz uma viagem como a que fiz no final de Julho – dos atrasos à falta de asseio, só faltou o ar condicionado falhar para fazer o bingo. Isto para dizer que apesar de ter a noção de que a degradação do serviço da CP não é de agora, parece-me ser muito mais acentuada nos últimos meses. Não precisei das notícias para saber disso, mas é simpático ver o estrago confirmado.
No meu condomínio, as luzes de um patamar são geralmente substituídas em simultâneo: colocadas em bloco, têm tendência para apresentarem a mesma vida útil e, salvo raras excepções, chegam ao fim de vida com breves intervalos de diferença…
Ai, esse espírito democrata que até ao mal quer igualdade de acesso… 🙂
Temos de começar por algum lado.
Os senhores e as senhoras, os meninos e meninas do PS, e mais gente do mesmo partido – ou de outro – podem adoptar o transporte que bem entendam para os carregar até ao lugar da sua festa. O que o PS não pode é fazer nada e deixar que a CP continue diariamente a prejudicar quem trabalha e precisa dela. Se a ideia é mostrar que o governo está com a CP ou o inverso, não resulta. O único remédio é haver comboios em condições e a cumprir horário.
Pois é, mas pelos vistos não só o PS pode não fazer nada como pode também gozar o pagode às custas de todos nós. Como de costume.
Não comento, o meu descrédito nos partidos políticos está uma ferida assanhada.
É o seu e o meu.
Cheguei ao fim da tarde a Lisboa num intercidades cuja carruagem (não sei se todo o comboio) tinha o ar condicionado avariado. Com revolta, comentava-se precisamente isso, o facto de se viverem tempos em que muitas vezes não se reúnem condições mínimas para satisfazer os passageiros e o PS ter a ‘ousadia’ de fretar um comboio para levar os militantes à festa. Como se nada estivesse a acontecer.
Não têm noção de coisa alguma. É impressionante.
O anónimo do comentário é Isabel Pires. Peço desculpa por não ter saído com identificação. Não consegui fazer o registo.
Ora essa. Já sabemos que o batráquio tem que se lhe diga, sobretudo em equipamentos móveis. 🙂
O problema é o Zé Povo ter comboios sujos e atrasados, quando estes não são suprimidos.
O serviço de longo curso é uma farsa, péssimo. Mas para a festa, seja a rentree do PS ou o festival de Vilar de Mouros, há sempre material.
O PS que faça a festa. Do Costa não espero mais que negação das evidências e aquele sorriso trocista, os verdadeiros asnos são os militantes que vão com o cu sentado e arrefecido pelo AC. Esses sim, deveriam estar indignados, mas preferem participar.
Tenho a certeza de que no comboio do PS não falhou o ar condicionado.
Como, quando e porquê, é sempre que a javardice quiser.
Javardice é uma palavra muito adequada aqui.