No meu país improvável, às vezes vou à povoação vizinha pelo caminho de baixo. Não por ser mais curto, muito pelo contrário. É um troço de terra que me obriga a passar por pequenos riachos, facilmente evitáveis se preferisse calcorrear o alcatrão. Mas por ali vou muito tempo sem rede de telemóvel, tanto tempo que por momentos chego a acreditar que estou a chegar à Nova Zelândia.
A meio do caminho de baixo costumo cruzar-me com cabras a pastar e levanto o braço num aceno para cumprimentar quem estiver a tomar conta delas.
Um dia fui surpreendida por uma jovem pastora de semblante alemão, com cabelo em rasta, que em pleno pasto envergava umas calças de algodão largeironas enroladas na cintura e uma parte de cima de um biquíni. Numa mão um cajado e, na outra, um livro aberto, dobrado pela lombada.
Ao dar pela minha passagem, levantou a cabeça e respondeu ao meu aceno com um sorriso.

Boa 🙂
Tristeza de país este em que para haver pastores têm que vir alemães.
Bem-abençoadas as cabras a pastar, que são a melhor arma possível contra os incêndios de verão.
Não conhece o seu país. Fruto do meu trabalho percorro vários pontos de Portugal e posso-lhe dizer que coisa que não falta é pastores (e portugueses), alguns deles a menos de 30km de Lisboa, outros a 500km.
Caaaalma Luís, que isto não tem nada a ver com nacionalidades das forças laborais nos sector primário. As cabras em questão pertencem a uma daquelas comunidade que prezam o regresso às origens e oferecem dormida a quem dê uma ajuda no pasto. É por isso que uma data destes pastores, a maior parte viahantes estrangeiros, se apresentam para a função com objectos tão improváveis como ipods e coisas parecida.
Bonito postal, Francisca. Venham mais.
Obrigada, Pedro. Virão certamente, que este meu país improvável é um maná.
Gostei do postal, Francisca. O nosso país improvável está a ficar cheio destas aguarelas inesperadas, sobretudo no Alentejo. Foi aí que aconteceu o teu encontro? 🙂