Um dia, num hotel do meu pais improvável, chegou um rapaz que, pela incompreensibilidade do discurso, se supôs ou provir de um reino distante, ou ser louco. À cautela, informaram-no da diária. Dormida por uns tantos euros, incluíndo a pernoita do cão.
O rapaz levou a mão ao bolso das calças andrajosas e retirou um maço de notas. O suficiente para acautelar a despesa. Mais do que suficiente para intrigar quem o recebeu.
Durante várias jornadas, à hora da refeição, dirigiu-se ao restaurante e apontou para a ementa. O pedido repetiu-se dia após dia: um prato de frango, com guarnição à parte. O cão comia a carne, ele alimentava-se da guarnição.
Ao fim de uma temporada, numa viatura de gabarito incontestável, chegou ao hotel um senhor de fato escuro. Acertaram-se as últimas contas e, rapaz e cão, entraram para o carro com um aceno de despedida. Pelo que se percebeu, o senhor era motorista, chauffeur à antiga. De resto, não se percebeu mais nada.

Acho que vou gostar muito desta série 🙂 Sempre achei que os portugueses eram loucos mas não sabiam (o que lhes dá ainda mais graça), mas dito assim, “o meu país improvável”, é muito mais simpático.
E porque gostei muito deste postal fui ler a série para trás e, a propósito de pastores alemães, deixo-lhe aqui isto:
http://www.publico.pt/ecosfera/noticia/t homas-o-pastor-alemao-1583250
Excelente artigo, Isabel.
Muito obrigada pelo feedback e por ter mandado o link. Adorei conhecer este pastor alemão.
Acho uma coisa estranha nesta história. Mas então o cão não lhe pagava o suficiente para andar bem vestido?
Belo mini-script …
Agradeço o elogio, mas é a matéria-prima que é de primeiríssima. 🙂