Alguns dias atrás, a Dona Francisca celebrou o seu 93º aniversário (ela diz 82,mas o Euclides, do Café Africano, diz-me que 82 faz ela há já uma quantidade de anos). Cabo-verdiana de S. Vicente, a Dona Francisca responde a tudo com um inclinar de cabeça e um “Como é?”, por ser quase surda, mas a verdade é que faz uma grande companhia para a conversa. Abre o jornal, lê as gordas em voz alta, ri-se delas, canta, “Estás no meu coração”. Sentamo-nos à mesma mesa e eu peço-lhe para tirar um retrato. “E porquê não?”, diz, “Com o vento a soprar assim, eu não posso ir dar o meu passeio da manhã”. A Dona Francisca parece uma folha seca de tão leve. O marido é mais novo, anda pelos oitentas e carrega malas na estação de Algés. É disso que vivem, parece. Ainda me lembro de quando lhe vi a figurinha pela primeira vez. Entrou na tasca, chamou o pai do Euclides – que a trata por tia, embora não lhe seja nada – e deu-lhe um pacotinho de leite, daqueles pequeninos, dentro de um saco de plástico.
O Sr. Pedro agradeceu como se tivesse recebido um carro novo.


Começo a repetir-me.
😉 Pois repita-se, Isabel, repita-se.
Um post fresco, quase, quase sem máquina ao meio. Li-o como quem estava lá. Os bons retratos são assim.
Grato, Fernado. Abraço