Começo por fazer uma declaração de interesses: gosto muito de Nuno Lobo Antunes. É difícil explicar porquê, uma vez que não convivemos muito. Eu diria que assim como no amor, também na amizade, existem coups de foudre. É o caso. E posso confessa-lo porque gosto muito da sua Mulher.
Há uma serenidade e uma doçura neste pediatra que se ocupa de crianças com graves problemas de saúde que me cativa profundamente. É um inspirador de bondade se é que entendem.
Foi hoje lançado o seu primeiro romance “Em Nome do Pai” que é um livro sobre o amor e sobre o ciúme e que se serve das personagens bíblicas para iluminar José, o Pai de Jesus, que nesta sua obra tem um papel principal. É também um curioso olhar sobre a paternidade e as formas que ela reveste. Trata-se de um livro de alguém que não sendo crente se interroga e nos interroga sobre quem é essa personagem a quem chamamos Deus.
A obra teve um apresentador cristão – Marcelo Rebelo de Sousa – e um apresentador que me pareceu se assumir como não o sendo – Rui Ramos -, o que, por si só, já diz muito sobre a sua grande qualidade. Os quais cumpriram, indubitavelmente, de forma brilhante, o seu papel.
Mas, para mim que já estou no fim do livro, o que de facto surpreende são as 234 paginas deste romance. Escritas num português magnífico, contam-nos uma história que nos confronta com os outros e também com os nossos vários “eus”. A não perder!

