Manhã cedo no Café Africano, Dafundo: o habitual ajuntamento de reformados, desempregados e especialistas ocasionais em todos os trabalhos de construção, canalização, electricidade e o mais que calhe nesta época de sabe Deus. Tiro da mochila uma impressora portátil (pense no sistema como uma Polaroid em esteróides), instalo-a sobre uma mesa e pergunto à assistência quem se chega à frente para uma fotografia. Não tenho dificuldade em arranjar voluntários. Os habitués conhecem-me, sentem-se à vontade com o meu trabalho, muitos têm em casa retratos que lhes tirei. Quem primeiro se apresenta é o Sr. Sequeira, um cavalheiro reformado que nunca bebe nada, nem mesmo oferecido. Da avenida Ivens, e do Tejo para lá dela, chega um brilho imenso. Decido aclarar um pouco as sombras e peço ao Fernando para segurar um flash. O Fernando chama-me “amigo Zé”. Ele vive debaixo da ponte ferroviária que anuncia a estação da Cruz Quebrada e anda a tentar poupar 5 euros para um corte de cabelo, mas as moedas encontram sempre o caminho do balcão de Euclides. Depressa se torna um especialista em iluminação de estúdio. Quando chega a vez do Fernando, peço ao Sr. Marinho para segurar o flash por ele. Então o Fernando dá-lhe algumas dicas muito profissionais. “Tem de me ver através desse buraquinho no papelinho branco”, diz. O Sr. Marinho aquiesce. Caramba, eu nunca teria pensado nisso.
Postais de um Fotógrafo de Bairro
Bandeira,


Brilhante!
Muito obrigado, Isabel
Hum… postal gostoso. Gostoso, não: guloso. Arranja-se mais?
🙂 Sim, sim, Teresa. Não creio que haja melhor altura do que esta
Frequentemente, um tipo mergulha na técnica e nem se apercebe do óbvio. 🙂
Excelente postal, Bandeira.
Temos de devolver a técnica à arte e a arte à técnica, não é? – que já foram uma e a mesma coisa…
…e obrigado! 🙂
Pelo buraco no papel que nos ilumina vemos,há muito,há muito,moedinhas a rodar para gavetas que se não vêem na sombra.
À saúde dos compinchas da foto e do retratista!
😉 Saúde, Espreitador
O povo é sempre sábio, amigo Zé. 🙂
;)Sempre, amiga Ana
Bandeira, fogo a estas peças!
🙂 E à vista, Laura. Beijo