Gostei de ouvir António José Seguro interrogar o primeiro-ministro no Parlamento sobre o cumprimento da aplicação do desacordo ortográfico. Tocou-me e comoveu-me. Mas não deixo de sugerir a Seguro que, antes desta suma preocupação que agita a sua veia política, comece por pôr muitos dos deputados socialistas a falar português correcto, que é uma coisa que anda tão arredada dos hábitos dos dirigentes políticos como dos hábitos dos dirigentes desportivos.
Se uma boa parte dos deputados conseguir passar a falar bom português clássico, é meio caminho andado para que a redacção dos diplomas venha a ser publicada numa versão definitiva à primeira e entendida por toda a gente. Como se vê, Seguro tem muito com que se entreter nesta matéria, se estiver verdadeiramente preocupado.

Seguro apoiou Manuel Alegre, que votou contra o acordo ou se absteve.
A reacção contra o acordo não é política e percorre Portugal inteiro, atingindo todos os estratos sociais, ideológicos e etários.
Só na Assembleia da República é que parece que não entrava. Creio que houve advertências à criadagem para fazerem papel de parvos quando perguntados. O que, parece, foi conselho seguido a gosto.
A democracia é representativa e eles representam os interesses dos patrões.
Hum… Talvez.
Eu começaria por sugerir a AJS que esta não é uma matéria vital para interpelar já, de imediato o PM, que tem outros assuntos bem mais importantes em mãos e que gostaríamos, já agora, que fossem prioritários.
Embora, este assunto, mereça de facto, toda a nossa atenção e não deve ser descurado, no seu bom sentido, ou seja, o de não corrermos o risco de sermos os únicos a perdermo-nos na nossa própria língua.