Porte doutoral, mas atira à canela


Diogo Novo,

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Augusto Santos Silva tem a subtileza política de um aríete medieval. Mas foi o que se arranjou para ocupar o Palácio das Necessidades. Talvez esperassem que a função fizesse o homem. Se foi esse o caso, está visto que não o conhecem.

O responsável pela política externa nacional veio a terreiro dar um ar da sua graça no melhor estilo caceteiro. Era uma questão de tempo. Porém, desta vez inovou: à habitual índole rufia juntou-lhe um laivo indisfarçável de pedantismo. Em reacção ao caso da condecoração que França atribuiu ao cantor Tony Carreira, S. Exa. o Ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou:

 

“Nunca consegui cumprir um dos meus sonhos sociológicos que foi assistir a um concerto de Tony Carreira, porque me dizem que é um dos acontecimentos que um sociólogo deve observar.”

 

Sempre com o Povo na boca, mas jamais misturado com ele.

0 comentários em “Porte doutoral, mas atira à canela”

  1. Concordando eu, em geral e em abstrato, com as apreciações que o Diogo faz sobre ASS, não vejo, no entanto, o que é que esta frase concreta tem de “caceteiro”, “rufia”, e “pedantismo”. ASS não ameaça ninguém com porrada (como faria um caceteiro), não ameaça causar desordem (como faria um rufia), nem pretende utilizar alta gramática ou palavras elaboradas (como faz um pedante). Apenas quer estar no concerto a observar o que se passa, sem fazer mal a ninguém.

    1. Para o Luís Lavoura:

      Significado de Sarcasmo
      n.m.
      1. Ironia insultuosa, que tem como objetivo desprezar algo ou alguém; escárnio penoso, amargo ou fulminante, que pretende troçar de alguém: com um sarcasmo aguçado, ofendeu-o profundamente;
      2. Figura de estilo parecida com a ironia, mas que manifesta uma maior agressividade e um menosprezo relativamente a quem é dirigida.

    2. Discordando eu, em geral e em abstracto, dos comentários feitos pelo Luís Lavoura, é para mim evidente que as declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros são o que escrevo e, por isso, inadmissíveis.
      Recorrendo às palavras que o Luís refere, há certamente “porrada” no cantor e nas pessoas que o ouvem, uma vez que as afirmações do ministro claramente menorizam o cantor e fazem dele uma “experiência sociológica” no sentido comum de “ave rara”.
      De facto, não há alta gramática, mas há uma alusão à douta sapiência académica da qual S. Exa. o Ministro considera ser detentor – e fá-lo por oposição ao carácter popular (e labrego, do ponto de vista de ASS) do artista em causa. Portanto, declarações lamentáveis e impróprias de um ministro.
      Neste comentário, faço algo que raramente aceito: explicar o óbvio. Se ainda assim não entendeu, meta explicador, Luís.

  2. O sociólogo cumpre a tradição: está-se nas tintas para o emigrante como os outros embaixadores e ministros dos estrangeiros portugueses.

    Só que este não entende porque o Tony Carreira está sempre com o mesmo penteado.

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