De um dia para o outro toda a gente que andou por aí a defender a despesa pública é inimputável, excepto Alberto João Jardim. Neste assunto tenho a consciência tranquila porque sou de esquerda mas sempre temperei o meu escasso keynesianismo com sensatez. Os arquivos deste e do outro blog estão cá para o provar. Faz parte das peculiaridades do país que quem se calou perante as PPP, o novo aeroporto de Lisboa ou de Beja, a corrupção desbragada, a terceira auto-estrada do norte e o TGV agora berre e vocifere contra as dívidas da Madeira. Mas só há um homem em cargos públicos com autoridade para dizer isto:
Tive uma grande tarefa que foi tapar o buraco financeiro que tenho. Sobre buracos financeiros não tenho mais a acrescentar do que tenho vindo a dizer ao longo de dez anos, aliás com muitas críticas. Chamaram-me muitas vezes contabilista, disseram que tinha pouca ambição e pouco rasgo… agora a Câmara do Porto tem as finanças equilibradas e o rasgo dos outros foi tanto que rasgaram o futuro do país.
E acabou a conversa (via).

Assim derepentemente subscrevo.
Ainda me recordei do seráfico Mota Amaral enquanto Presidente do Governo Regional dos Açores…
“sou de esquerda”
para quem desce ou para quem sobe?
Muito bem.
Em Portugal de mudar de casaca conforme os ventos sopram é ocupação de uma vida.
Facilita sempre encontrar um bode expiatório disponível para fazer crer que há um único malvado.
Enquanto isso o outro anda a estudar Descartes em Montmartre.
Meditando sobre a hipocrisia dos (muitos) portugueses, agora indignados com a diarreia das dívidas da Madeira, como se não soubessem e estivessem a ouvir pela primeira vez, não pude deixar de pensar em Rui Rio, na sua gestão, e quanto ele tem sido atacado, exactamente pelos mesmos que agora atacam Jardim, por só fazer obra quando para tal conseguia o dinheiro. Os mesmos que tanto elogiam Meneses pela sua indesmentível obra realizada à custa de imensas dívidas contraídas, exactamente como na Madeira, Santo Deus! E, nem de propósito, surge-me esta notícia no Sol, on line:
Questionado sobre o buraco financeiro da Madeira, Rui Rio referiu que «enquanto presidente da Câmara fala sobre buracos financeiros desde 2002», não tendo mais a acrescentar.
«Tive uma grande tarefa que foi tapar o buraco financeiro que tenho. Sobre buracos financeiros não tenho mais a acrescentar do que tenho vindo a dizer ao longo de dez anos, aliás com muitas críticas. Chamaram-me muitas vezes contabilista, disseram que tinha pouca ambição e pouco rasgo… agora a Câmara do Porto tem as finanças equilibradas e o rasgo dos outros foi tanto que rasgaram o futuro do país», afirmou.
Pois é…o rasgo dos outros: Guterres, Sócrates, Meneses, Isaltino, Mário Lino, Fatinha Felgueiras, etc, etc, foi tanto, que rasgaram o futuro do país. A nós e aos nossos filhos, compete-nos pagar a factura!
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Não sou de esquerda nem direita, se bem que nos últimos anos me tenho identificado mais com algumas políticas de esquerda. No entanto também admiro a determinação de Rui Rio.
Também posso dizer que António Costa e a equipa dele, estão também a fazer um bom trabalho na CML tentando equilibrar as Finanças, pagando a fornecedores e não contraindo novos empréstimos. Já se reduziu de 12.500 para 11.000 funcionários e este ano o objectivo é ficar nos 10.000. Claro que isto vai ter o preço do costume – e que o Santana usou nas últimas eleições – é que “não há obra feita”, ou seja, não há novas rotundas na cidade…
Odeia a cepa torta. É corajoso, directo, um técnico de 1ª água. E não é arrogante, como tantas vezes se diz. Além disso, dá gosto ouvi-lo, longe dos microfones da comunicação social. O meu género de político.