
Das notícias da noite:
Depois de uma peça mostrando uma inacreditável entrevista (dada ao jornal ABC) numa língua estranha que me lembrou de imediato o palhaço rico dos circos da minha infância, fiquei a saber que José Sócrates foi jantar com o rei de Espanha. Espero que o rei não tenha visto e ouvido o mesmo que nós, para bem do nosso infeliz primeiro ministro. É que Juan Carlos é conhecido pelo imediatismo do seu sentido de humor, e aposto que não resistiria a dizer ao convidado (desta vez com uma pancadinha amigável nas costas e um largo sorriso, certamente): Porque no te callas, Pepe?

“Portunhol técnico” do melhor.
Já nem técnico é… aquilo é portunhol de circo!
Num post mais abaixo do João, (Frases do ano – 28), comentei que o circo estava para acabar, mas afinal parece que me enganei. Não me lembrei deste figurante que, a mim, só me fez lembrar um pobre palhaço. O seu ‘espanhuguês’ ainda consegue ser melhor que o seu inglês técnico, a sua alusão ao facto de que ‘são precisos dois para dançar o tango’ foi de fugir, e então os seus comentários de treinador de bancada sobre a possível ida de Mourinho para Espanha, foram a cereja em cima do bolo!
Razão tem mesmo o João quando diz que pantomina está para continuar e então com artistas deste calibre, está mais que garantida!
Tem razão, Luís. Fiquei-me pela forma, neste post, mas o conteúdo foi de igual calibre. Cada tiro cada melro, como diria o Herman. E que divertido ele estava, hein?
Foi um espectáculo, na verdade, Ana. Então quando ele veio com aquela do tango, logo a seguir a ter sido anunciada por Cavaco a promulgação da lei dos casamentos homo, cheguei a pensar que ele ia anunciar em primeira mão e em directo para as televisões, qualquer de sensacional.
Uma palhaçada degradante.
As palhaçadas são sempre degradantes, mas umas são mais do que outras.
Lá isso é verdade.
(Espero que hoje tenha avançado do melhor modo.)
A dúvida continua, mas tenho de aprender a viver com ela. Há-de correr tudo, Deus há-de crer.
Obrigada pelo cuidado (:
Inenarrável, João. Quando achamos que já não podemos fazer pior figura, o nosso primeiro encarrega-se de provar-nos o contrário.
Pobre do Rei!
Ainda agora abandonou o hospital e, com as conversas do Sócrates, corre sérios riscos de ter de voltar rapidamente, agora para alguma consulta de psiquiatria.
LOL
Não me diga que conseguiu fazer ainda melhor que naquela cimeira ibero-americana, onde apresentou os «magalhães»!… Enfim, vamos esperar que o primeiro ministro se lembre que o rei entende e fala português …
Muito melhor, Nicolina. Aprimorou a pronúncia e refinou nas metáforas, tudo isto num tom eufórico. Começo a preferir-lhe a carranca silenciosa…
Una cueca-cuela, rapidito, por favor, olé! Que me muero de siede…
😉
Un cuepo para la miesa del canto, por favior…
Eh una cachopita per dançare el tangôô!
Concordando com a Ana que o castelhano de Sócrates é fraco, não entendo, porém, este post. O que queria a Ana que Sócrates fizesse? Que falasse em português, sem tentar pelo menos “castelhanizar” algumas palavras? Que falasse em inglês, que a maior parte dos espanhóis estende mal e porcamente? Que tirasse aulas de castelhano – mas então, por que não tirá-las de outra língua?
Cada um faz o que pode, Ana, e a mais não é obrigado. E não percebo mesmo o que quereria a Ana que Sócrates fizesse.
O que eu queria que ele fizesse? Eu explico, Lavoura:
1. Que não se atrevesse pelo terreno do humor, para o qual não tem o menor jeito. Aquela “stand up comedy” foi deprimente, não concorda?
2. Que se atrevesse ainda menos pelo castelhano, que o condena a fazer figura de personagem da mais rasca revista do parque Mayer. E que jamais tentasse “castelhanizar” o português, como você sugere. Já ouviu algum espanhol “aportuguesar” a sua língua para fazer-se entender no nosso país? Que fale português, inglês, linguagem gestual, o que quiser. Que leve intérprete. Tudo menos aquela palhaçada triste.
3. Que não nos envergonhasse, sobretudo.
Luis, o PM inglês não diz em Paris que vai falar em “franglais” !! Zapatero não chega a Londres dizendo que se vai exprimir em ” spanglish ” !! Gaita, Luis ! Haja sentido de Estado, noção do ridículo e depois é para isto que servem os intérpretes…
Oh malta e já agora, não insultem os palhaços com comparações deprimentes
Bem visto, Fernando.
Sócrates envergonha Camões. O tipo que fale em português, sempre!
Claro, é mil vezes preferível.
Não vi, Ana, e pelos vistos não perdi nada. Onde é que isso deu? parece que o meu instinto de defesa relativamente à vulgaridade continua a proteger-me…
Fez muito bem, Ariel. Poupe-se! Deve ter aparecido em todos os telejornais. Eu vi na RTP, salvo erro.
“o meu instinto de defesa relativamente à vulgaridade continua a proteger-me”
LOL, Ariel, isso é das coisas mais hilariantemente presunçosas que tenho lido! De onde tirou a frase?
LOL, ora ainda bem que hoje descontraiu
Eu acho que os espanhóis, incluíndo (ou sobretudo) o Rei, têm mais fair play e descontração do que os portugueses (pelo menos do que a Ana), sempre envergonhados e preocupados com a pronúncia dos seus governantes lá fora e com estas coisitas. Ana, a sério, não se preocupe.
Quem deve preocupar-se com o circo são os palhaços, certo?
Não faço ideia, João Carvalho. Pronto, se calhar, como diria a minha avó, ficámos mesmo “mal falados” em Espanha 😉
Pois…
Acredite que não me tira o sono, não se preocupe. E não se trata de fair-play, mas do mais básico sentido estético.
Os espanhóis têm tanta descontracção que falam apenas e só a sua própria língua em Portugal… com excepção do rei, claro, que fala um português fluente porque viveu cá durante anos.
Ana, a sua preocupação é que o Sócrates nos envergonhasse ao falar mal castelhano. Só mesmo não conhecendo o Rei ou os espanhóis em geral se pode pensar isso… olhe, eu negoceio há mais de vinte anos com espanhóis e garanto-lhe que eles nisso são muito menos descomplexados do que nós.
Acho que não me percebeu, Pedro. Quem me dera que a minha preocupação “de fundo” fosse essa. Não é. Mas – e falando apenas desta entrevista, que é o que está em causa – o ridículo da forma só agrava ainda mais a pobreza do conteúdo. Ver o nosso primeiro ministro eufórico, falando de um cenário delirante que não corresponde minimamente à verdade da situação trágica em que estamos (nós e também Espanha, aliás) já é suficientemente confrangedor. Vê-lo fazer isso em linguagem de palhaço rico, é duplamente embaraçoso. Mas é só a minha opinião, não é obrigatório que estejamos de acordo.
Presumo que na sua última frase queira dizer “muito menos complexados” e não o contrário, certo? Só para ter a certeza de que o entendi.
É isso que eu queria dizer, Ana. A Ana tem razão em criticar o Socrates quanto ao conteúdo. Quanto ao resto, discordamos, e confesso-lhe mesmo que gostei da forma (a forma)…) como ele falou, incluíndo as piadas e o portunhol. A coisa “do palhaço rico” é nossa, só. Os palhaços em Espanha, obviamente, não falam assim, pelo que fica salvaguardada, nesse aspecto, a nossa “dignidade” perante os espanhóis. E afinal, aquilo não era nenhum acto oficial, mas sim uma sessão informal de debate promovido por um jornal. Há que ter aqui um bocado de sentido das proporções.
Meu caro, gostos não se discutem. Ainda bem que lhe acha graça, não é? Sorte sua. Eu acho que Sócrates é que perdeu todo o sentido das proporções, se é que alguma vez o teve. Mas sobrevivo à ideia.
Ana, que seja; é-me indiferente a forma como ele fala castelhano, ou o que o Rei terá achado, ou deixado de achar (repito, só não sabendo nada do Rei ou dos espanhóis), assim como me é indiferente a cor das suas gravatas. Preocupa-me, isso sim, as suas politicas.
A mim também. E para encerrar o assunto (não querendo calá-lo, bem entendido) resta-me dizer-lhe que tudo isso me seria indiferente também se Sócrates tivesse outros trunfos a seu favor. Mas não vejo quais, para além de vestir-se bem e ter boa figura física.O que é pouco, convenhamos.
Ana, o Sócrates foi um óptimo secretário de estado e ministro do ambiente. O País deve-lhe muito, nesse campo. Quanto às suas politicas actuais, não tenho a certeza se está a agir bem, ou mal, sou sincero. Não sei qual a alternativa, se se podia fazer diferente, etc. Sei que vou ter menos dinheiro ao fim do mês e isso chateia-me. E incomoda-me que não diga sempre a verdade, e isso parece-me que nem sempre acontece.
Foi um óptimo secretário de estado e ministro do ambiente, Rui? Porquê??
E quer dizer que se não fossem umas mentiritas esporádicas (coisa sem importância, claro) e a diminuição do seu salário, nada mais tinha a apontar-lhe? Não há dúvida, não chegaremos nunca a um acordo sobre a personagem.
Ana, iria demorar a explicar-lhe porque é que ele foi um bom governante na area do ambiente, sobretudo na area dos resíduos, líquidos e sólidos (igualmente na qualidade do ar). Outras pessoas das suas relações, mesmo os que estão na oposição, mais velhas, poderão eventualmente explicar-lhe melhor. Alguns do PSD (de todas ás áreas, alias), já o afirmaram e não lhes cairam por isso os parentes na lama. Se quer um termo de comparação nessas matérias com outros paises, aconselhava uma visita à Grécia, por exemplo 😉 Talvez perceba melhor. Enfim, sei que nesse campo esse país começou a fazer alguns progressos a partir do ano passado. Eu sei o que vi lá há cinco e há vinte anos. Nestas coisas há que ter uma certa perspectiva do tempo e do espaço. Eu não sei quase nada, só um bocadinho.
Quanto ao resto, não temos que chegar a acordo sobre o personagem. E eu não disse que as mentiras não têm importância. E não tenho “salário”. Sobre o Socrates, há coisas de que gosto nele e com as quais concordo, e outras coisas de que não gosto nada. É isso. Como com toda a gente na vida, nada de extraordinário.
Meu caro Rui, não sei a sua idade e presumo que não saiba a minha também, a avaliar pelo seu comentário. Ou a expressão “mais velhos” refere-se a Sócrates e não a mim? Não percebi bem, como também não percebi se “das suas relações” se refere às minhas ou às dele. Em suma, ia responder-lhe com toda a humildade de quem não percebe mesmo nada de resíduos – sólidos ou líquidos – mas o tom paternalista de todo o seu comentário encanitou-me um bocadinho. E só por isso não resisto a responder-lhe, refugiando-me no subterfúgio do humor, que “a qualidade do ar” deste país não melhorou com Sócrates nem um bocadinho. Eu diria mesmo que se tornou irrespirável.
(mas peço desculpa por ter achado que tem “salário”, como a maioria dos portugueses… os que ainda têm emprego, enfim)
Ana, referia-me às suas relações, obviamente. Às pessoas que conhece e que poderão explicar-lhe isso melhor. Se não sabe nada da matéria, é dificil explicar-lhe aqui. De qualquer forma, bastava um conhecimento mais ou menos empírico, daí a minha referência à idade. Desculpe-me se achou o meu comentário paternalista. Já agora, Ana, a maioria dos portugueses acho que não tem mesmo “salário”. A malta já vai a caminho de estar quase toda a recibos verdes. Não se deixe enganar nestas coisas do mercado de trabalho pelo Sócrates 😉
Obrigada pela preocupação com a minha ignorância, mas não se canse: prefiro ficar-me pelo conhecimento empírico sobre tratamento de resíduos e deixo aos técnicos um assunto que não é da minha área. Curiosamente, as pessoas das minhas relações (e mesmo da minha família) que podem dar-me lições sobre isso são muito mais novas do que eu. Mas enfim, quer que eu admita a competência de Sócrates nessa matéria, enquanto ministro do ambiente? Muito bem, admito. Devia talvez ter-se ficado por aí, então. Teria Ficado bem na fotografia e poupava-nos a uma governação arrogante, errática, alienada e semeada de escândalos.
Ana, só para terminarmos isto e fumarmos o cachimbo da paz. O meu papel aqui não é defender o Socrates. Eu, na minha vida pessoal e profissional, já tive ocasiãode lhe rogar muitas pragas (a ele, a ele!;)) Acontece (e vai-me desculpar, mais uma vez, mas não posso fazer nada quanto a isso) já vivi tempo suficiente para ter lidado com outros governos e outros politicos e já vi muita porcaria e incompetência, de todos os quadrantes. Essas “qualidade” que lhe aponta, já eu vi serem apontadas a outros, de áreas bem distintas. Nem queira saber o que se dizia do Cavaco, por exemplo, e sei eu alguma coisa sobre o que se passou nesses anos quanto ao aumento da despesa pública e quanto ao desbaratar de fundos comunitários. Foi um tempo de regabofe feliz. E escândalos, e interferência na comunicação social, etc. Valeu-lhe não haver na altura internet e discussão tão aberta como há hoje. E valeu-lhe haver dinheiro de fora que nunca mais acabava e eramos felizes como nunca tinhamos sido. Por fim, talvez o Socrates devesse ter ficado na area do ambiente, pode ter toda a razão. Pronto, Ana, desculpe se a irritei, admito que me possa ter expressado mal.
Não me irritou nada, encanitar não chega a ser irritar…
E parece-me uma óptima altura para fumarmos o tal cachimbo (embora eu tenha deixado de fumar há mais de 10 anos) porque finalmente estamos de acordo: a incompetência e o desgoverno não são um exclusivo de Sócrates (embora a quantidade de escândalos por minuto de mandato seja inédita em Portugal, admita lá…). Da mesma maneira que você não é um defensor cego de Sócrates ou do PS, eu também não o sou de Cavaco ou do PSD. O poder corrompe e as maiorias absolutas levam quase fatalmente ao despotismo. Também ando por cá há uns anitos e já vi muita coisa, acredite. É por isso – ou por falta de uma convição firmemente “orientada” – que sou completamente independente. Estamos quites, então?
🙂
Só mais uma coisa: presumo que não se chame Rui Felício nem Pedro, já que usou alternadamente os dois nomes nesta troca de comentários. E tenho pena de que não se tenha identificado.
LOL, Ana, acredite ou não, o Pedro e o Rui Felício não são a mesma pessoa ;
Acredito, claro, se você o diz. Mas a confusão explica-se facilmente por esta minha pergunta ao Pedro: “Presumo que na sua última frase queira dizer “muito menos complexados” e não o contrário, certo? Só para ter a certeza de que o entendi.”… seguida desta resposta sua: “É isso que eu queria dizer, Ana.” Como não houve outra resposta, achei que eram a mesma pessoa…
Ana, eu e o Pedro partilhamos o mesmo computador (é o que temos em casa) e ele também comenta em blogs e mesmo aqui. Nem sei bem como fiz isso, o nome do Pedro apareceu nesse comentário. Se quisesse inventar um nome, seria para escrever outro tipo de coisas. Para dizer o que digo, nem vale a pena, não é?
Hombre no compreendes raspas de nada.
La charla de José era para ser un momento de humor.
El fúe contratado para distraher los esppañolitos e darles alguns motivos para sonrrir.
Se levas el hombre a sério empiezas a sair de los carretos em menos de un fósforo.
El pobre José está grellando en fuego lento e já morió.
Pero está mal enterrado.
Comprendes ?
La verdad es que ninguiem lo lieva a sério… Eheh…