Pornográfico


Pedro Correia,
Neymar ruma do Barcelona ao PSG por 222 milhões de euros: a transferência mais cara da história do futebol. Estas cifras milionárias, pornográficas num mundo cheio de carências básicas, já não têm nada a ver com desporto. Temos de chamar-lhe outra coisa, embora eu não saiba ainda bem o quê.

72 comentários em “Pornográfico”

  1. Eu sei porque não sabe.
    Porque há uma contradição nessa crítica.
    Quem defende a lei do Mercado não pode postar um texto assim.
    João de Brito

    1. O que tem uma coisa com outra?
      Você não defende uma economia de mercado? Conhece alguma melhor?
      A impropriamente chamada “lei do mercado”, obviamente, não pode funcionar sem regras. Nem o império do lucro pode funcionar sem travões.

      1. Pedro, mas agora quer legislar sobre aquisições e remunerações de empresas privadas como o Barcelona FC e o PSG? Não tarda junta-se ao Bloco na proposta de limitação de tectos máximos salariais. Já o imagino com uma t-shirt do Che….mas de marca, claro está! ! A Ralph Lauren não terá para aí uns pólos do Che?…o Che montando um cavalinho, jogando ao pólo…garanto-lhe que pegava!!!

        1. A questão não é essa. A questão é que isto nada tem a ver com “preços de mercado”.
          Pelo contrário, isto adultera o mercado. Desde logo, parece colidir com as regras de ‘fair play’ financeiro da UEFA: qualquer resquício de equidade evapora-se de vez. E provoca um sério choque inflacionário na indústria do futebol: os preços vão disparar, a espiral da dívida aumentará em flecha.
          Convém também seguir o rasto desta verba astronómica. À atenção das autoridades jurisdicionais – do desporto e não só.
          Finalmente, está por demonstrar que um único jogador – e desde logo Neymar – justifique estas cifras galácticas.
          O futebol de alta competição deixou de ser um desporto e tornou-se um jogo de fortuna e azar. Uma espécie de roleta russa.

          1. Meu, caro é o lema tão caro à eonomia neo clássica -” Sobrevivência do mais forte”. Os fracos devem desaparecer e dar lugar aos mais aptos -” destruição criativa “. Não tenhamos misericórdia, Pedro!!! Quanto à adulteração do mercado é a mesma que existe entre a concorrência da Sonae hiper hipermercados e a mercearia do meu bairro, A Família da Fruta. Se andam indignados que não vejam bola e não paguem as quotas. Quanto ao valor real de Neymar, pergunto-me e o Mexia? E o Jardim Gonçalves e…..penso que o valor do Neymar é mais justo do que o daqueles dois….

          2. Comparar Neymar com Mexia é uma heresia. Rima e é verdade.
            Neymar deve ser comparado com Messi ou Ronaldo, por exemplo. Perde em toda a linha com a comparação: não foi nem será o melhor nem o mais forte.
            É apenas o mais caro.

          3. E eu a pensar que nos dias de hoje ser o mais caro era ser-se o melhor!
            Afinal o que pagamos quando compramos o mais caro?

          4. O Caro Pedro tem razão, toda, o caso Neymar só revela que certas pessoas na Europa não sabem o Economia de Mercado, pensam que é a Lei da Selva, se o BE é contra a Lei da Selva eu também sou e não me identifico minimamente com gente com ideologia flutuante, este conceito demoraria a explicar. O desporto americano é o mais democrático do Mundo, mas tem limites. A NBA como exemplo, tectos salariais para as equipas, para que serve? Serve para limitar o número de estrelas em uma só equipa, logo serve para aumentar a competitividade da prova, em consequência, aumento dos espectadores e receitas geradas pelo negócio. Quanto a tectos salariais em empresas privadas, era uma legislação estúpida, simples, em Portugal têm-se muita iniciativa legislativa e depois como se fiscaliza? Só um exemplo: Sócrates legislou sobre a transmissão de valores superiores a 500€, que tinham 10% de IS a pagar por que recebe, ora o mesmo Sócrates pediu ao seu amigo Santos Silva valores consideráveis de empréstimos, logo valores tributáveis em 10% de IS, algum dia os declarou e pagou? Por exemplo o juiz Carlos Alexandre foi-lhe emprestado 10 mil euros por amigo, coisa natural, e depois pagou, logo tiria de ser pago 10% de 10 mil euros pelo Juiz Carlos Alexandre e depois pela pessoa que lhe emprestou o dinheiro quando recebeu de volta, faz sentido tal Lei, ou isto não passa de um confisco? Enfim…

    2. Pode, Anónimo, então não pode?

      Mais milhão menos milhão, qual a diferença entre o ReiNaldo ou o Pogba e o Neymar?

      Anónimo, não faça perguntas difíceis, porque o Pedro Fernão de Magalhães Correia embatuca sem resposta e depois amua.

      1. Ele não só “embatuca sem resposta e depois amua” como quando lhe apontam isso, reage como uma virgem pública apanhada num bordel: “O “anónimo” tem nome, imbecil.”

      1. Eu, achista inveterado, acho que, nesta matéria, o achismo de Mourinho, a existir, valerá uma escritura.
        João de Brito

      1. E o negócio da Banca, não é igual? Assim como o da Google e demais Corporações? É sistemático. É estrutural, não conjuntural

        1. O PSG tem escasso currículo desportivo. E está a pretender construir a casa pelo telhado.
          A história repete-se: nos anos 70, clubes norte-americanos como o Cosmos de Nova Iorque fizeram contratações milionárias, levando para lá as maiores estrelas da história do futebol: Pelé, Beckenbauer, Cruyff…
          Lá está: queriam construir a casa pelo telhado, pegando nas vedetas pagas a peso de ouro para tornar os EUA o país central do planeta futebol.
          Falharam, claro. Vários desses clubes extinguiram-se em poucos anos. Estava escrito nas estrelas…

          1. Assim como a Enron? Ou como os investimentos da Efacec nos EUA? Pedro hoje tudo é uma enorme bolha…

  2. Nem mais. Pornográfico, obsceno, provocador, vergonhoso, razão mais do que suficiente para existirem revoluções …

    1. Obsceno, sim. Este futebol que já nada tem a ver com desporto está a transformar-se numa descomunal bolha financeira que acabará por rebentar. Começando por cá, onde quase todos os clubes gastam em regra mais do que as receitas permitem e têm passivos financeiros de alto risco.

      1. Não vejo obscenidade nenhuma. É o mercado livre a funcionar. Aquelas leis da oferta e procura. O que se passa no Futebol SA, acontece também em muitas multinacionais, em que o CEO ganha milhões e os funcionários tostões e por vezes até perem fundos de pensões. Em que empresas privadas falidas pagam prémios aos seus gestores. Tudo digno, Tudo legal. Bendito seja o Capitalismo.

          1. Eu sou nada. Parafraseando o sábio Barba de Árvore ” Não estou do lado de ninguém porque ninguém está do meu”

  3. Nasser Al-Khelaifi tem ali uma lavanderia topo de gama. Deve estar mesmo preocupado com a despudorada imoralidade da situação. Afinal é um segredo de polichinelo, isto das transferências e dos salários milionários.
    E tem razão Pedro, normalmente rebenta o elo mais fraco.

    1. O deus cifrão destronou a bola no reino do futebol. Este brasileiro, segundo a avaliação agora feita pelo clube que pretende contratá-lo, vale metade do orçamento anual do Ministério da Cultura em Portugal.

  4. Pornográfico também me parece.
    Mas repare-se como, perante a passividade da maioria, aparece sempre gente a defender estas “vendas/compras”: ora dizendo que é o mercado a funcionar, ora porque os comentadores são do Benfica (ou do Porto, ou do PSG), ora porque é gente que é sempre do contra, ora pelos mais variegados muitos, quantas vezes fúteis.
    Todavia, a mim parece-me que não há muito a fazer, apenas esperar que as mentalidades mudem, não se sabendo quantas gerações para a frente. Infelizmente.

    1. Hoje, à hora do almoço, vi uma pequena multidão numa estação de metro: 80% das pessoas ali concentradas tinham a cabeça baixa, cada qual mergulhando a atenção no respectivo telemóvel.
      Era a imagem perfeita de um tempo pós-revolucionário. Nenhuma revolução é possível – em qualquer dos sentidos do termo – quando a esmagadora maioria das pessoas permanece cabeça baixa.

      1. Mau!! Então mas o Pedro agora é Bolivariano Verde tinto? Anseia pela revolução? Pedro, deixe lá estar as coisas como estão que isto deu um trabalhão do caraças para chegarmos aqui…hoje fiz umas centenas de euros livres de imposto. I love this game!!

      2. “Era a imagem perfeita de um tempo pós-revolucionário. Nenhuma revolução é possível – em qualquer dos sentidos do termo – quando a esmagadora maioria das pessoas permanece cabeça baixa.”
        Ups, maldito uísque… vou mesmo ter de o deixar de lado até começar a ler este blogue

  5. Chama-se investimento? O PSG é de uns chineses quaisquer e vão utilizar Neymar para a campanha ao Mundial de futebol ou coisa do género.

  6. chama-se “boas comissões”. aliás, qualquer cinéfilo sabe distinguir um esbulho de um bom porno. é incompreensível esta confusão envolvendo gajos que dão chutos numa bola.

  7. A soma ate pode ser pornografica, mas a atitude da liga e do clubes espanhois tambem o é. Se batem o dinheiro e deixar sair e mais nada, mas aquilo a que assistimos e a uma declarada procura de perpetuar os jogadores nos seus clubes, olhem o que aconteceu com o messi quando quiz sair, o ronaldo e agora neymar. Os espanhois nao eatao a jogar limpo.

  8. As transferências no futebol já são pornográficas há muito tempo.

    A partir de que quantia é que é pornográfico?
    Os 100 milhões pagos pelo Ronaldo já não eram pornográficos?
    E os 70 milhões do Figo?
    Ou isto é apenas uma questão de nacionalidade dos envolvidos?

    1. Talvez seja uma questão de nacionalidade, como assinalas. Talvez não. Afinal, para ser o mais caro, teria que ser um brasileiro ou um argentino.

      1. Se tivesse sido o Ronaldo a ser transferido por quantia idêntica, talvez não houvesse este clamor de indignados de última hora e talvez assistíssemos a um discurso laudatório das qualidades futebolísticas do jogador luso. A questão da nacionalidade está aqui.

        1. Makiavel a dor ainda fica mais densa porque não há propostas pelo excelente jogador que é o Ronaldo. Que já trata de cuidar da reforma, povoando a casa de miúdos. Tem passado e presente. Futuro? Claro. Mas, nada que chegue a 220 milhões. E aí, embora disfarçado, aparecem os críticos de plantão contra o franzino brasileiro.

      2. Complemento o vínculo da pornografia com a nacionalidade. Caso fosse o CR7 Portugal não estaria em festas? Feriado na Madeira!

  9. o que é que repugna (pois, uma palavra ) mais o Pedro : as carencias basicas (pois, tou a ver… dos outros, no mundo ) ou os valores do negocio ?!

    Pornografico, porquê ?

    O post parece religioso, se isto nao é populismo, nao sei o que é.

  10. Não faz grande sentido fazer um comentário às cifras sem a devida contextualização. Falando de futebol, e deste futebol actual que não é mais que o reflexo da generalizada “alienação das massas”, dos extremismos do capitalismo, um futebol acrítico, direi mesmo acéfalo, os 222 milhões não serão assim tão pornográficos quanto isso; apesar de ser o actual record das transferências, a linguagem do futebol profissional há muito se pauta por muitos milhões. Pornográficos são os números de pessoas que vivem na miséria, os atropelos aos direitos humanos, os atentados à igualdade e às liberdades individuais com que convivemos todos pacificamente, os crimes ambientais que passam impunes e não chegam a fazer manchetes de jornais, e muito mais. Todos uma mesma consequência desse capitalismo desenfreado e com consequências bem mais devastadoras.

    1. Prostituição é legal na França?? Se é, não há delito. Todavia, louvo o comentário por me apresentar, ingénuo que sou, um novo tipo de prostituição.

  11. Ora cá estou eu para elaborar, também, uma teoria da conspiração, já que tudo quanto tem vindo a ser expendido sobre o tema não passa de teorias da conspiração.
    Pois, bem, comparo o momento actual ao tempo dos gladiadores no império romano. Nesse tempo, a sociedade romana estupidificou-se e o cúmulo da diversão atingiu o sacrifício do ser humano, não para gáudio dos deuses mas para satisfazer a perversidade dos poderosos e, do mesmo passo, a bestialidade dos analfabetos da plebe.
    É o que sucede com o caso presente. Quem contrata jogadores pelos preços em causa visa os mesmos objectivos.
    Pergunta-se: e isso é necessário?
    Caro que sim. Qualquer estúpido, como todos somos, aliás, delira com a vitória do seu clube ao fim de semana e até encara a penosa semana de trabalho que se lhe segue e em que é sugado até à medula, como se fosse uma expiação pela rudeza do seu comportamento enquanto fã do futebol.
    Com efeito, se o clube ganha, insulta o amigo do outro clube, perde-lhe o respeito e até diz que lhe vai comer a mulher. Se o clube perde, enxerta a mulher de pancada e até os filhos, e jura a pés juntos que se encontrar o cabrão do árbitro no Colombo o racha de alto a baixo.
    Enquanto isso, os poderosos acumulam riqueza que não distribuem nem têm intenção de distribuir pelos mais carenciados.
    Enquanto isso, também, os grandes jogadores de futebol, à excepção do nosso CR7, que foram ao casamento do Messi e aos quais este pediu que dessem dinheiro, que era para uma instituição de necessitados, deram um média de menos de 40 euros cada um, o que até deu origem a que alguém comentasse dizendo que, o que deram, nem pagou o que comeram…
    Assim vai o mundo!

  12. Para mim a questão não se põe se é caro ou barato, se bem que rentabilizar em “meia dúzia” de dias 700 milhões de euros…. é obra.
    O que me pergunto é de onde vem tanto milhão.O mercado só funcionará se houver legitimidade entre os intervenientes, o que neste momento nada me leva a crer que assim seja

    1. Aí está um modo certeiro de abordar a questão.
      De facto, há imensa coisa por esclarecer. Nomeadamente que equidade ainda será possível nas competições futebolísticas, onde os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres estão cada vez mais pobres – para utilizar um chavão muito em voga.
      Curiosamente, alguns dos cultores deste chavão nada se escandalizam com esta obscena interferência dos petrodólares do Catar no quadro competitivo do futebol europeu.

      1. De facto a maneira como os grandes clubes de futebol estão a “evoluir”, dá que pensar. Quando se transformaram em empresas e o seu capital foi distribuído por diversas entidades, parecia que esses clubes poderiam perder sócios e adeptos, pois deixavam de ser associações de pessoas para um fim comum, com um interesse partilhado, sempre sem fins lucrativos, frequentemente reconhecidas de “interesse público”, com os benefícios fiscais daí inerentes. Mas assim não aconteceu: o número de associados, por regra, aumentou e apareceram mais adeptos, por vezes, até, no estrangeiro. Incompreensível, para mim.
        Mesmo quando esses clubes passaram a ser detidos por um único dono, por um magnata mais ou menos desconhecido, que apenas aparece, não para seu deleite, mas como forma de aumentar os seus proveitos, constata-se que lhes foi possível, frequentemente, manter e recrutar novos sócios (apenas pagadores) e aumentar o número de adeptos. Isto era coisa que eu não acreditava que poderia acontecer, mas aconteceu.
        Nem quando esses magnatas tem vidas esquisitas, para não dizer mais, pouco se sabendo qual a proveniência dos dinheiros envolvidos, esses “clubes” perdem sócios ou simpatizantes, é coisa que me ultrapassa e que eu pensava não ser possível, mas é e há muito boa gente que acha bem, como por aqui se vê.

  13. Quem fala assim não é gago dos bolsos:

    ” Se não se calam com o fair-play financeiro compro o Messi, o Ronaldo e o Suarez de uma vez”.

    Disse o Al-qualquer-coisa, dono do PSG.

    1. Chico-espertos, versão petrodólares, que nada percebem de futebol e que podem estar a matar o futebol, transformando-o numa gigantesca lavandaria. Pelo menos o futebol como desporto.
      E no entanto, apesar de tudo, há sempre alguém que resiste…
      Se as notas de banco marcassem golos, o campeão de França não seria certamente o Mónaco. E há um ano o Leicester não teria sido campeão de Inglaterra.

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