Parece que o défice de 2009 será de 6,5%, e o de 2010 de 6,7%. Será que o PS vai ficar "chocado" com estes números, à semelhança de outros tempos?
Por uma questão de coerência
josegomesandre,
Parece que o défice de 2009 será de 6,5%, e o de 2010 de 6,7%. Será que o PS vai ficar "chocado" com estes números, à semelhança de outros tempos?
Não !
Já está habituado a resolver as finanças depois das crises que outros arranjam…
A economia nacional deverá encolher 3,7% este ano, de acordo com as estimativas da Comissão Europeia, (…). A Zona Euro deverá contrair 4% em 2009. p?template=SHOWNEWS&id=366002
in http://www.jornaldenegocios.pt/index.ph
Isto é o que diz Sócrates e qualquer pessoa que não divulgue as notícias pela metade. O que não foi o seu caso João Gomes André…
Caro André, o meu post não era sobre as causas da economia, ou do défice, ou da contracção da economia. São temas meritórios que seguramente merecem uma discussão detalhada (que aliás temos tido por aqui no Delito, de um modo geral).
O meu post tem a ver com a reacção política a números económicos concretos, na qual o PS tem mostrado uma incoerência brutal. O Pedro Correia já foi claro ao referir o caso do desemprego (7,6 era horrendo há uns anos, 9,1 agora é mais aceitável). E parece-me que com o défice vamos ter o mesmo “double standard”…
Caro José, 7615.html, que surgiu na sequência desse do Pedro Correia, salvo erro.
Geralmente tenho assumido as despesas de clarificação dos discursos do PS aqui no DdO e faço-o novamente. Essa reacção, ao tempo, tinha como base uma conjuntura que não é a actual. Não podemos fazer de conta que Portugal é uma ilha e que a conjuntura internacional em nada interessa.
Quando Sócrates se mostrou chocado com o aumento do desemprego para 7,6%, foi numa conjuntura em que o desemprego descia na Europa, como foquei neste post e lhe recordo, http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/14
Não se pode analisar as palavras sem o seu fundamento. Os contextos são inegavelmente diferentes.
André,
isso é uma falsa questão. Durante o período em questão de governação socialista o desemprego na UE desceu e em Portugal subiu. A desculpa com o contexto não serve. Volto a repetir:
“Sócrates tomou posse era bem mais favorável em relação à actual. A média de desemprego na zona euro era de 8,7% e Portugal tinha um desemprego de 7,4%. No final de 2008, a zona euro tinha um desemprego médio de 7,6% e Portugal terminou o ano com desemprego de 7,8%.”
Na zona euro o desemprego caiu 1,1% e em Portugal subiu 0,4%, um diferencial de 1,5 pontos percentuais.
Jorge,
Volto a repetir-te o que te respondi na altura, “Quando Sócrates toma posse estávamos numa escalada negativa de evolução do desemprego. Em termos relativos a situação era melhor do que agora, mas a evolução era cada vez pior porque em Portugal o desemprego aumentava e na Europa descia.
O que vês hoje é evolução ser cada vez melhor na medida em que na Europa o desemprego aumenta mais do que em Portugal, o que abre horizontes para que em breve se inverta este cenário interno.”.
Como bem sabes não é no primeiro trimestre de governação que se fazem sentir os efeitos das novas medidas. Por vezes nem no segundo trimestre, a economia demora a reagir, a absorver e a mostrar boa recepção das medidas.
Discordo quando analisas logo o primeiro semestre do Governo Sócrates, em bom rigor em termos económicos esse semestre nem era dele. Ao dizer-te isto estou a ser especialmente coerente.
http://eleicoes2009.info/ficheiros/01ta xa-de-desemprego.png
Acho que com este gráfico não posso ser mais claro, André. Em 2006 e 2007 o desemprego baixava nos restantes países (muito mais do que alguma vez desceu nos anos de governação PSD/CDS) e subia em Portugal, mas em bom rigor em termos económicos as medidas que o país precisa demoram anos a fazer efeito. Lá para 2020/2030, quando o país estiver no fundo, logo poderei julgar o engenheiro José Sócrates.
Só mais um apontamento, André. Repara no post que remetes para explicar que durante a governação PSD/CDS o desemprego descia na Europa. O quê que fazes neste post que já fizeste antes? Cherry picking. Escolhes uns quantos países que tinham evolução favorável e retiras dai uma conclusão abusiva. Olha para o gráfico que refiro com a média de todos os países e percebes que, efectivamente, os anos de governo PSD/CDS foram anos em que o desemprego na UE estabilizou. O nosso é que nunca parou de crescer. Em 2006 e 2007 é que aconteceu o que referes, o desemprego médio na UE diminuiu e o nosso não parou de crescer.
Os contextos são diferentes? Pois são. Mas ambos sabemos que são motivações políticas as que estiveram por detrás da reacção histérica de há quatro anos e da mais que provável desvalorização do problema que nas próximas semanas o PS vai apresentar.
O que me incomoda é que as leituras são sempre subsidiárias de estratégias partidárias, e não de interpretações sérias e objectivas dos dados. Enquanto esta cegueira ideológica e partidária dominar as análises da situação política e económica, não vamos conseguir ultrapassar estes problemas.
“Mas ambos sabemos que são motivações políticas as que estiveram por detrás da reacção histérica de há quatro”
Nesse campo, uma das coisas mais fantásticas deste governo foi a aprovação do código laboral. Quem verificar o que o PS dizia do código de Bagão Félix e comparar o então código com o novo aprovado por este governo percebe a falta de seriedade com que é feita política em Portugal.
Só para complementar o meu comentário anterior, estão aqui as noticias da época:
http://dossiers.publico.pt/noticia.a spx?idCanal=1000&id=201612
“O secretário-geral do PS anunciou hoje que os socialistas votarão contra a proposta de alteração do Código de Trabalho do Governo na generalidade, esperando que o debate na especialidade possa “minimizar os graves riscos” do diploma para o país.”
http://dossiers.publico.pt/noticia.a spx?idCanal=1000&id=199256
“Tal como está, o novo Código do Trabalho é “inaceitável” para o PS. Por isso, os socialistas “compreendem” os motivos que levaram a CGTP a convocar uma greve geral. E só esperam que, até lá, desapareçam esses motivos. Esta é, em suma, a posição oficial do PS, manifestada ontem ao PÚBLICO pelo porta-voz do partido, Paulo Pedroso.”
http://dossiers.publico.pt/noticia.a spx?idCanal=1000&id=201600
“Em comunicado, a JS justifica a decisão com o facto de o novo Código do Trabalho proposto pelo Governo ser “um instrumento atentatório dos direitos dos trabalhadores” e possuir “um vasto conjunto de disposições com vista à redução dos direitos dos trabalhadores em benefício das entidades patronais, designadamente em matéria de estabilidade de emprego”.”
Escusado será dizer que em 2008 o PS aprovou um código de trabalho em tudo semelhante ao anterior de Bagão Félix.
José,
Analisar se a reacção foi exagerada é uma coisa, dizer que foi infundada é outra. Até posso eventualmente achar que foi demasiado intensa a reacção, o que não posso concordar é que os fundamentos não fossem plausíveis.
Eu não disse que foi infundada, ou disse? Eu acho é que agora convinha ouvir o que o PS acha daquilo que no passado considerou uma catástrofe nacional…
De tudo quanto já se disse aqui, e houve coisas muito importantes, retenho sobretudo uma frase do José Gomes André: “O que me incomoda é que as leituras são sempre subsidiárias de estratégias partidárias, e não de interpretações sérias e objectivas dos dados.”
Acho que a blogosfera se tornará um espaço ainda mais interessante se conseguirmos – todos – fazer um esforço ainda maior para tornar mais rigorosas e fundamentadas as nossas análises. O debaté torna-se ainda mais útil. E ainda mais interessante.
Estimativa de crescimento para 2009:
-4% na zona euro; -3,7% em Portugal
Estimativa de crescimento para 2010:
-0,1% na zona euro; -0,8% em Portugal
Como é óbvio, a Comissão também não acredita que os nossos problemas internos estejam resolvidos.
Não sei em que medida mas o facto de termos 3 actos eleitorais este ano contribui para isso. Para além de que certamente terão em conta uma possível instabilidade governativa subsequente a este período.
André,
os três actos eleitorais contribuem é para os 6,5% de valor de défice já este ano. Há quem tenha de gastar para ganhar eleições…
I Parte
Esta gente socialista,
por pura teimosia,
é de pensamento simplista
aliado a overdoses de hipocrisia!
Sem dinheiro para megalomanias
por dificuldades de financiamento,
deixemo-nos de pantanosas manias
e de estados de puro alheamento
Depois de muito avisar,
o mexilhão está cansado,
a economia está a definhar
e o país mais atrasado!
II Parte
Com o monstro a crescer
alimentado pelos socialistas,
a incompetência a florescer
com as suas políticas irrealistas!
Um novo orçamento é urgente
para desmascarar as alucinações,
este (des)Governo negligente
é mestre nas enganações!
O descalabro é escandaloso
embora vendam o oposto,
este (des)Governo doloso
deixa o mexilhão mal disposto.
Epílogo
São tantas as ilusões
que estes socialistas debitam,
não passam de trapalhões
que fracos ilusionistas imitam.
Com a dívida externa a aumentar,
fruto de políticas fantasiadas,
não haverá dinheiro para financiar
as obras faraónicas anunciadas.
O mexilhão ao estudar a realidade
de uma forma verdadeira,
conclui da nossa civilidade
que é uma tremenda bandalheira!
Será que nos outros tempos existia uma crise internacional?
Chocado?
Não, vai argumentar que tem gente com piores números.
Prognóstico errado.
Reconheço que comentei para ver de o André estava atento.
Mas olhe que os números são sempre interpretados da forma que melhor serve quem os lê.