Por razões que só na segunda-feira compreenderão, Eminescu saído de um dos livros da minha vida


Sérgio de Almeida Correia,

AOS MEUS CRÍTICOS

 

Há muitas flores, no entanto

Poucas em fruto hão-de vingar;

Todas à porta da existência

Batem, mas quantas se desfolham!

 

É muito fácil fazer versos

Se nada temos que dizer,

Palavras ocas alinhando,

Que pelas rimas soam a falso.

 

Mas quando o nosso coração

Sofre de anseios e paixões,

E as suas vozes se insinuam

No nosso espírito, uma a uma,

 

Batendo à porta das ideias

Tal como as flores à da vida,

Pedindo ao mundo a sua entrada

E o vestuário da linguagem,

¿Como volver olhos serenos,

Olhos gelados, implacáveis,

Para as paixões que nos consomem

E para a nossa própria vida?

 

Ah! Nesse instante dir-se-ia

Que sobre nós desaba o céu!

Mas onde e como achar palavras

Para exprimirmos a verdade?

 

… Vós sois, ó críticos, as flores

Que nunca em frutos se tornaram.

– É muito fácil fazer versos,

Se nada temos que dizer.  

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